A inesquecível conversa de uma criança com o Papa Leão XIV
Em meio a perguntas sobre futebol e avós, um menino de 6 anos tocou o coração do Papa. Com respostas ternas que evocavam uma fé profunda, Leão XIV ressaltou que a amizade com Jesus nos dá alegria.

Foto: screenshot YouTube
Redação (11/06/2026 08:45, Gaudium Press) Durante sua visita à Paróquia de São Agostinho, no popular bairro do Raval, em Barcelona, o Papa Leão XIV viveu um dos momentos mais tocantes de sua viagem apostólica. Um menino de apenas seis anos, chamado Renzo, roubou a cena com a espontaneidade típica da infância e fez perguntas sobre futebol, vocação, perdão, sofrimento e a solidão dos idosos.
A paróquia, confiada aos agostinianos e conhecida por seu forte compromisso social e caritativo, reuniu lideranças eclesiais e representantes de diversas iniciativas de ajuda aos mais vulneráveis. Entre testemunhos emocionantes e cantos, chegou a vez de Renzo, cujas indagações conquistaram o Papa e todos os presentes.
Futebol e trabalho em equipe
Ao ser perguntado se gostava de futebol, o Pontífice respondeu com bom humor: “Eu jogo tênis, que é o que mais gosto. Jogava futebol quando era jovem, mas futebol americano, que é um pouco mais violento”. Recordando sua época como bispo no Peru, ele contou que acompanhava os times locais e aproveitou para destacar o valor educativo do esporte.
“O futebol também nos ajuda a recordar algo muito importante: que a vida não é uma corrida para se viver de forma solitária, é algo que se joga em equipe e é preciso aprender a correr juntos. Nesse sentido, um jogador que pode ser uma estrela, mas que nunca passa a bola, não permite que os outros participem no jogo e provavelmente irá perder. E, pensando também em nós e na forma de nos integrarmos em uma equipe”.
Vocação e coração de criança
Renzo também quis saber se Leão XIV queria ser Papa quando era pequeno. Leão XIV respondeu com sinceridade: “Não queria ser Papa, nem quando jovem nem quando velho, mas quando o Senhor chama, é preciso dizer sim”. E depois acrescentou: “Acho que nunca pensei nisso. Mas posso dizer-te uma coisa: desde pequeno senti o desejo de entregar a minha vida a Deus. Ainda não sabia bem como nem por onde o Senhor me levaria. Com o tempo, fui descobrindo que Jesus me chamava a segui-lo como sacerdote, e que esse caminho passava pela Ordem de Santo Agostinho.
O Papa aproveitou para deixar uma mensagem aos presentes: “Deus deseja a felicidade de todos e quer que, desde pequenos e ao longo de toda a vida, conservemos um coração como o das crianças (cf. Mt 18, 3): capaz de confiar, cheio de bondade; quer que sejamos seus amigos e não nos afastemos d’Ele”. E ressaltou: “Mais importante é perguntarmo-nos se queremos ser amigos de Jesus. Porque a amizade com Jesus dá-nos alegria, torna-nos livres e ajuda-nos a ver, pouco a pouco, a vocação e o caminho que Deus pensou para cada um”.
O sofrimento, o perdão e a solidão dos idosos
Uma das perguntas mais delicadas foi sobre o sofrimento: por que algumas pessoas sofrem mais que outras? O Papa convidou todos a olharem para Jesus, que “passou fazendo o bem e, mesmo assim, foi crucificado”. No entanto, lembrou que a Ressurreição é a resposta final ao sofrimento humano. “Através da vida de Jesus Cristo, Deus mostra-nos que, embora haja sofrimento, Ele nunca abandona nenhum dos seus filhos, porque tem preparada para nós uma alegria eterna onde já não haverá tristezas nem dor. Tenhamos confiança: Jesus está conosco, ajuda-nos, acompanha-nos e dá-nos forças para superar os momentos difíceis que possamos encontrar na vida”.
O tema dos idosos também comoveu profundamente. Ao perguntar por que tantos avós ficam sozinhos, Renzo tocou num ponto sensível. Leão XIV respondeu com firmeza: “Os avós nunca deveriam ficar sozinhos. Muitas vezes, são eles que cuidam dos netos enquanto os pais vão trabalhar”. Assim, o amor que recebemos deve ser retribuído com o mesmo amor, cuidando e acompanhando os nossos avós na velhice”.
Ele criticou a normalização da solidão e do abandono dos idosos e fez um apelo: “Não permitamos que a solidão e o abandono se tornem algo comum na vida dos idosos. É muito triste”. Precisamos cuidar e acompanhar os mais velhos, mesmo quando não são da nossa própria família. “Porque, se não queremos a solidão para nós, também não devemos permiti-la para os outros”.
Sobre o perdão, o Papa recordou as palavras de Jesus — perdoar “setenta vezes sete” — e fez uma importante distinção: “Perdoar não significa dizer que o mal esteve certo, nem deixar que alguém continue a fazer o mal. Não significa esquecer à força, como se nada tivesse acontecido. Perdoar significa não deixar que o ódio se torne o dono do nosso coração”. Ele completou dizendo que, ao perdoar, imitamos o próprio Jesus, que perdoou aqueles que o crucificavam. “A nossa disposição para perdoar é condição para o perdão que recebemos de Deus”.
Caridade e anúncio do Evangelho
Ao final, Leão XIV reforçou que toda ação de ajuda aos necessitados deve andar junto com o anúncio do Evangelho. Quem sofre precisa não apenas de auxílio material, mas também “de Deus, da sua amizade, da sua bênção, da sua Palavra, dos seus Sacramentos e da proposta de um caminho de crescimento e amadurecimento na fé”.
Citando o espírito de Santo Agostinho, o Papa lembrou que “o cristão, além de bondoso e amável, há de ser compassivo, amar desinteressadamente e procurar o bem dos outros, sabendo que em cada irmão e irmã que sofre é o próprio Senhor quem pede e recebe, quem é acolhido ou rejeitado, amado ou desprezado”.
O Papa conclui com uma oração à Virgem Maria, invocada como Nossa Senhora do Bom Conselho, seguida de um momento de grande carinho: o Papa saudou e abençoou diversas crianças e famílias que se aproximaram espontaneamente.





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