Igreja católica de São Tiago totalmente destruída pelo governo do Azerbaijão
O governo do Azerbaijão demoliu a Igreja de São Tiago na cidade ocupada de Stepanakert, em um ato amplamente considerado parte de uma campanha sistemática de destruição do patrimônio cultural e religioso armênio na região de Nagorno-Karabakh.

Foto: Diocese de Artsakh
Redação (13/04/2026 12:37, Gaudium Press) A destruição completa da igreja armênia São Tiago (Sourp Hagop), em Stepanakert, representa mais um golpe doloroso contra o patrimônio cristão em Nagorno-Karabakh, também conhecida como Artsakh pela população armênia local, ou simplesmente Karabakh (região entre a Armênia e o Azerbaijão).
Segundo um comunicado divulgado em 12 de abril pela Diocese de Artsakh — atualmente refugiada na Armênia após o êxodo forçado da população armênia em setembro de 2023 —, o templo foi “inteiramente destruído” pelas autoridades do Azerbaijão.
No texto, a diocese manifesta “profunda tristeza” e condena com veemência o ato, atribuindo-o diretamente à “administração de ocupação azerbaijana”. A igreja São Tiago era um dos principais centros da vida espiritual de Stepanakert. Todo domingo, milhares de fiéis se reuniam ali para a liturgia e para receber a Eucaristia. Sua demolição não significa apenas a perda de um prédio; representa o apagamento de um espaço sagrado onde se enraizava a vida sacramental de uma comunidade hoje dispersa pelo exílio.
Desde a retomada total do território pelo Azerbaijão, em setembro de 2023, quase toda a população armênia — profundamente cristã — fugiu para a Armênia. Esse deslocamento em massa pôs fim a uma presença multissecular na região. Igrejas, mosteiros e cemitérios não são apenas locais de culto, mas marcos visíveis de uma identidade cristã profundamente enraizada na história.
A Diocese de Artsakh insere esse episódio em um padrão mais amplo de destruições de santuários cristãos na região. Nas últimas anos, diversas igrejas já foram arrasadas ou profanadas. O comunicado denuncia um “genocídio cultural” praticado de forma “sistemática, deliberada e patrocinado pelo Estado”, com o objetivo claro de eliminar qualquer vestígio da presença histórica armênia e cristã em Artsakh.
Diante desses atos, os responsáveis religiosos lamentam a “indiferença das instâncias internacionais”, que assistem sem uma intervenção efetiva ao avanço dessas violações contra o patrimônio religioso. Eles afirmam que continuarão a clamar por justiça com perseverança e renovam o apelo à comunidade internacional para que tome medidas concretas e ponha fim a essa situação.
“Portanto, mais uma vez apelamos aos órgãos internacionais competentes para que intervenham a fim de deter este vandalismo flagrante e impedir a destruição do patrimônio espiritual e cultural de Artsakh, um valor pan-cristão”, diz o comunicado.
Hoje, os fiéis vivem no exílio, privados de seus templos. Na tradição armênia, a transmissão da fé está intimamente ligada aos lugares consagrados. A perda desses santuários afeta diretamente a continuidade espiritual da comunidade.
Além do povo armênio, esse patrimônio pertence a toda a cristandade. Os santuários de Artsakh testemunham a antiguidade do cristianismo no Cáucaso. Seu desaparecimento gradual levanta questões urgentes sobre a proteção de locais religiosos em zonas de conflito e o respeito à liberdade religiosa.
O apelo da Diocese de Artsakh destaca a gravidade do momento. Sem uma reação concreta da comunidade internacional, corre-se o risco de que uma parte importante do patrimônio cristão mundial desapareça em silêncio.





Deixe seu comentário