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Nova presidente da Costa Rica é católica e pró-vida

Laura Fernández vence eleição na Costa Rica e assume presidência com programa centrado na vida e na família.

Foto: Cepal

Foto: Cepal

Redação (03/02/2026 14:44, Gaudium Press) Laura Fernández Delgado, do Partido Soberano do Povo (Pueblo Soberano), de direita, foi eleita no último dia 1º de fevereiro como a 50ª presidente da República da Costa Rica, após obter 48,5% dos votos.

Fernández, especialista em Políticas Públicas e Governabilidade Democrática, que atuou como ministra de Planejamento Nacional e Política Econômica entre 2022 e 2025 e, simultaneamente, como ministra da Presidência entre 2024 e 2025, governará com maioria parlamentar absoluta. Seu partido, Pueblo Soberano, conquistou 31 das 57 cadeiras do Congresso, uma mudança radical em relação ao governo atual, que contava com apenas 8 deputados, circunstância que havia dificultado a aprovação de diversas iniciativas legislativas.

O Partido de Liberação Nacional (PLN) obteve 17 cadeiras, enquanto a esquerda da Frente Ampla conseguiu sete representantes. A Coalizão Agenda Cidadã e o Partido Unidade Social Cristã conseguiram uma cadeira cada.

Em sua primeira coletiva de imprensa após a eleição, realizada em 2 de fevereiro, Fernández agradeceu “a Deus e ao povo da Costa Rica” pelo resultado eleitoral e afirmou: “Deposito minha confiança em Deus, que sei que nos acompanhará em cada dia e em cada minuto do próximo governo”.

Questionada sobre sua relação com a Igreja Católica e uma eventual política conservadora, a presidente eleita garantiu que seu governo será de “total liberdade”, embora tenha precisado que é “católica, respeitosa e fervorosa das tradições do catolicismo”. No dia das eleições, ela assistiu à missa na Basílica de Nossa Senhora dos Anjos, templo onde é guardada a imagem da padroeira da Costa Rica. Em uma publicação nas redes sociais, ela afirmou que “rezei por todos os costarriquenhos, por esta amada pátria, pelo que está por vir”.

Fernández se manifestou publicamente em várias ocasiões sobre sua posição em relação ao aborto. No programa El Octavo Mandamiento, em 4 de agosto de 2025, ela declarou ser “contra o aborto; acredito na vida desde a concepção até a morte natural”. Em uma entrevista à EWTN em 28 de janeiro, a Dra. Sadie Morgan ofereceu uma análise das posições dos principais candidatos sobre a vida e a família, destacando que Fernández “se manifestou a favor da vida em vários fóruns”, enquanto Ramos “não declarou com firmeza qual será sua posição sobre as questões pró-vida e pró-família” e Dobles sempre se manifestou abertamente “a favor do aborto”.

Continuidade nas políticas de proteção à vida e à família

A presidente eleita indicou que dará continuidade à linha de governo de Chaves que, em 15 de outubro de 2025, revogou a norma técnica em vigor desde 2019 sobre o chamado aborto terapêutico, estabelecida pelo então presidente Carlos Alvarado, e a substituiu por um novo regulamento que restringe o procedimento apenas aos casos em que exista perigo certo e iminente de morte para a vida da mãe, excluindo a possibilidade de abortar em caso de problemas de saúde da mulher, mesmo que sejam graves.

Chaves classificou a medida de seu antecessor como “cheia de lacunas” e reafirmou que a nova medida cumpre um compromisso real de “proteger a vida da mãe e do nascituro”. Após a revogação, Fernández disse estar “extremamente satisfeita porque conseguiu revogar a anterior, que tinha brechas indevidas que colocavam em risco a vida dos nascituros”.

Durante o atual governo, também foram retiradas as diretrizes sobre educação sexual consideradas “ideologicamente motivadas”, ou seja, favoráveis à ideologia de gênero, à contracepção e ao aborto.

Um programa de governo centrado na família

Em seu plano de governo, apresentado em 17 de outubro de 2025, Fernández estabelece cinco princípios orientadores que incidem em todas as linhas de ação. Um deles é “a vida, a família e os valores que nos definem como nação”. O documento garante que cada política pública será “concebida e planejada com o objetivo de proteger a vida e as nossas famílias”.

A presidente eleita anunciou que buscará pessoas que impulsionem “uma grande cruzada pela dignidade humana nacional, uma grande cruzada pelo amor ao próximo, uma grande cruzada pela justiça social, pelo resgate dos valores e da família”. Sua proposta de governo contempla outros quatro objetivos gerais que se traduzem em 523 objetivos específicos ou ações pontuais e concretas a serem realizadas durante seu governo.

Segurança e combate ao crime organizado

“A mudança será profunda e irreversível”, declarou Fernández em seu discurso após a vitória, anunciando a entrada da Costa Rica em uma nova era política. Um dos principais desafios de seu governo será o combate ao crime organizado que, segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, se estabeleceu no país por sua posição estratégica como rota do narcotráfico.

Em seu discurso de 2 de fevereiro, Fernández anunciou um aumento nas verbas destinadas às forças policiais, bem como uma agenda legislativa para endurecer o Código Penal, o Código de Processo Penal Juvenil e as normas sobre execução de penas. A presidente eleita afirmou estar “altamente comprometida com a concretização da prisão de segurança máxima na Costa Rica”, ressaltando que é necessário cortar a conexão do crime organizado com o exterior a partir das prisões.

Felicitações da Conferência Episcopal

A Conferência Episcopal da Costa Rica expressou em um comunicado, em 2 de fevereiro, suas felicitações a Fernández, bem como aos deputados eleitos. “Reconhecemos, neste momento, não apenas a conclusão de um processo eleitoral, mas o início de uma tarefa exigente e de grande responsabilidade: servir a toda a nação, em sua diversidade de opiniões, sensibilidades e realidades sociais”, afirmaram os bispos.

Os prelados indicaram que aqueles que assumirão seus cargos em breve terão “o desafio de unir o país, sanar divisões e promover um clima de diálogo, respeito e busca sincera do bem”. A Conferência Episcopal comprometeu-se com seu acompanhamento espiritual e oração, pedindo a Deus que “ilumine com sabedoria, prudência e fortaleza, para que suas decisões sejam sempre orientadas para a justiça, a paz e a dignidade de todas as pessoas, especialmente daquelas que vivem em situações de maior vulnerabilidade”.

Com informações Infocatólica

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