Cardeal Zen recebido pelo Papa e suas palavras fortes no Consistório
Palavras fortes do Arcebispo Emérito de Hong Kong sobre a sinodalidade, durante o consistório, realizado em Roma, na semana passada.

Foto: The College of Cardinals Report
Redação (12/01/2026 10:39, Gaudium Press) Nos dias 7 e 8 de janeiro, realizou-se em Roma o primeiro consistório do pontificado do Papa Leão XIV. Participaram cerca de 170 cardeais, mas muitos olhares se voltaram para o Cardeal Zen, Arcebispo Emérito de Hong Kong, que se queixou repetidamente, durante o pontificado anterior, de não poder falar com o Papa Francisco.
O discurso do prelado de 93 anos de idade – que foi recebido em audiência privada por Leão XIV no mesmo dia 7, do início do consistório – durou os três minutos previstos e se concentrou na questão da sinodalidade, que foi um dos dois tópicos propostos no consistório para os cardeais debaterem. Nesse sentido, ele quis comentar a nota do Papa Francisco que acompanhou o documento final do Sínodo sobre a sinodalidade, na última etapa do pontificado anterior.
A intervenção do Cardeal Zen foi contundente e, em alguns momentos, muito dura, uma verdadeira tempestade em meio ao ambiente normalmente calmo e pacífico dos consistórios.
O cardeal destacou que a “escuta” promovida para o Sínodo da Sinodalidade não havia abrangido todo o povo de Deus, porque os poucos participantes leigos não constituíam nem representavam esse povo de Deus. Ele também questionou se houve um discernimento adequado entre os bispos a esse respeito.
Nessa mesma linha, ele criticou o fato de o Papa Francisco pretender ouvir diretamente o povo de Deus sem passar pelo Colégio dos Bispos, rejeitando o que chamou de “manipulação férrea do processo”, que, em sua opinião, constituía um “insulto à dignidade dos bispos”.
Talvez suas palavras mais duras tenham sido aquelas que ele dedicou a um conceito muito repetido pelo Pontífice anterior, as chamadas “surpresas do Espírito”. O Cardeal Zen considerou “ridícula e quase blasfema” essa referência contínua ao Espírito Santo, ressaltando que esse anseio por “surpresas do Espírito Santo” era mais um desejo de que o Espírito Santo repudiasse a Tradição da Igreja.
Ele também criticou o método de “experimentação e prova”, a “ativação criativa de novas formas de ministério” e, em geral, a confusão predominante quanto ao caráter magisterial dos resultados do Sínodo.
Por fim, ele enfatizou que a “sinodalidade bergogliana”, longe de nos aproximar dos ortodoxos (que se governam sinodalmente), nunca poderia ser aceita por eles, porque se tornou uma sinodalidade indiferenciada, em vez de uma sinodalidade de bispos. No mesmo contexto, ele expressou a opinião de que essa forma de sinodalidade nos aproxima, na verdade, dos anglicanos — divididos justamente por um processo semelhante.
Com informações Infocatólica





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