Santa Catarina de Siena: filha predileta da Virgem Maria
Santa Catarina, virgem, mística, profetisa e reformadora, foi guia espiritual e exorcista, conselheira de Papas e promotora da Cruzada!
Redação (29/04/2025 08:20, Gaudium Press) Dotada de grande inteligência e beleza, Catarina Benincasa nasceu em 25 de março de 1347, em Siena, na Península Itálica — então fragmentada em numerosos Estados soberanos e marcada por intensas conturbações políticas e religiosas. Neste ano, irrompeu a terrível peste negra que reduziu a população europeia quase à metade.
Penúltima dos 25 filhos do casal Jacopo e Lapa Benincasa, Catarina tornou-se a caçula e filha predileta da família após a morte precoce de uma de suas irmãs. Seu pai, um tintureiro hábil, enérgico e de boa reputação na região, era homem reto e bem-sucedido em sua profissão, apesar da origem modesta.
A menina recebeu dos pais e irmãos uma educação primorosa, embora com limitada instrução formal. De família simples, só aprendeu a ler ainda jovem, provavelmente por volta dos 19 ou 20 anos. Já a escrita, segundo sua própria testemunha, foi um dom miraculoso que recebeu por volta dos 30 anos, por graça divina.Desde os primeiros anos de uso da razão, Catarina demonstrava profunda piedade: gostava de rezar, visitar igrejas e ouvir com entusiasmo as histórias dos santos, revelando já então uma alma voltada para Deus.
Dos 17 aos 20 anos de idade, Catarina passou reclusa em sua cela, orando e jejuando, aprendendo os segredos de Deus e penetrando em suas maravilhas. Só saía para ir à Missa, quase não conversava com ninguém e se alimentava pouquíssimo. Aliás, ao longo de sua vida, passou dias e dias alimentando-se apenas da Sagrada Eucaristia. Sua crescente devoção à Santíssima Virgem ajudava-a a vencer as tremendas tentações com que o demônio a atormentava.
No ano de 1367, Nosso Senhor apareceu à Santa no recôndito de sua cela, desposando-a em núpcias místicas. Após colocar-lhe como sinal um anel de ouro no dedo, ordenou-lhe que fosse juntar-se à família na ceia, pois queria fazer dela um apóstolo.
A curta e intensa vida de Santa Catarina desenrolou-se num momento de dramática desagregação da Cristandade. Esse longo e obscuro período caracterizou-se pelo enfrentamento de Papas e antipapas, o que semeou a confusão entre os fiéis.
Leiga mantellata[1] da Ordem Dominicana, acumulou os títulos de virgem, mística, profetisa, reformadora, guia espiritual, exorcista, conselheira de Papas e promotora da Cruzada.
Contando só com a força que seu Divino Esposo prometera que nunca lhe faltaria, Santa Catarina foi chamada a intervir em numerosos conflitos. Viajando quase incessantemente de cidade em cidade, exerceu um importante papel de pacificadora. Como não podia deixar de ser, seu principal empenho tinha como meta a glória de Deus e a defesa do Papado e dos Estados Pontifícios.

Apesar de iletrada, ela influenciou os rumos da Igreja e favoreceu o retorno de Gregório XI, que se encontrava exilado em Avignon, a Roma. Possuindo sincera e entusiasta devoção ao Papado, jamais duvidou, entretanto, em apontar aos Pontífices, com filial reverência, as verdades mais amargas.
Promoveu a reforma da Ordem Dominicana por meio de seus escritos místicos, ditados por Deus Pai, nos quais censura com tristeza os horríveis pecados do clero e dos religiosos.
Constituiu em torno de si a bella brigata, um conjunto de frades dominicanos, virgens consagradas e outros fiéis que a seguiam como mestra e veneravam como mãe espiritual.
Com fina intuição profética, Catarina de Siena anunciou uma era de paz para o Corpo Místico de Cristo e para o mundo, num futuro longínquo. Em suas palavras se reconhecem os primeiros vaticínios sobre o Reino de Maria:
“Depois de todas essas tribulações e angústias, de um modo que escapa à compreensão humana Deus purificará a Santa Igreja e despertará o espírito dos eleitos. Haverá em seguida uma reforma tão grande na Igreja de Deus e uma tal renovação dos santos pastores, que meu espírito exulta no Senhor só de pensar nisso. […] Atraídos pelo bom odor de Cristo, os infiéis voltarão ao redil católico e se converterão ao verdadeiro Pastor”.
Em Santa Catarina brilharam com renovado fulgor a esperteza, a prudência e a sabedoria de Nossa Senhora, aplicadas à regência da História. Com efeito, o espírito marial que a animava dava-lhe a capacidade de transcender as contingências humanas, a ponto de se tornar o foco de luz do qual viveu a Igreja em seu tempo.[2]
Com apenas 33 anos, partiu para a eternidade a 29 de abril de 1380, deixando uma plêiade de discípulos, um exemplo de vida e uma obra escrita composta de 381 cartas, 26 orações e o livro “O diálogo”, no qual descreve todo o seu método de apostolado e vida interior, chamado pela Igreja como “livro da doutrina divina”.
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“Sou forte para vos auxiliar e defender”

Ó homem estulto! Não percebes que tua capacidade de conhecer provém de Mim? Não vês que fui Eu a dar-te o conhecimento e a cuidar de tuas necessidades? Toma em consideração tua experiência: pretendes fazer coisas que não podes, nem sabes; quando podes, não sabes, e, quando sabes, não podes; umas vezes queres, mas não dispões de tempo, outas vezes dispões de tempo e não queres!
Acontece que tudo isso, para teu bem, depende de mim. Deves reconhecer que nada és; deves humilhar-te e deixar o orgulho. Como as coisas não dependem de ti, só encontras instabilidade e privação; unicamente minha graça é estável e firme. Somente ela jamais te será retirada ou mudada. Contra tua vontade, nunca a perderás por causa do pecado. […]
Ó filha bondosa e querida, a humanidade não foi leal e fiel para comigo. Desobedeceu a minha ordem e achou a morte. De minha parte mantive a fidelidade, conservei a finalidade para a qual a criara, com intenção de dar ao homem a felicidade. Uni a natureza divina, tão perfeita, à mísera natureza humana, resgatei a humanidade, restituí-lhe a graça pela morte de meu Filho.
Os homens sabem de tudo isso, mas não acreditam que sou poderoso para socorrê-los, forte para auxiliá-los e defendê-los dos inimigos, sábio para iluminar suas inteligências, clemente para fornecer-lhes o necessário à salvação, rico para locupletá-los, belo para aprimorá-los, possuidor de bens para nutri-los e de roupas para vesti-los. Seu modo de viver diz que não confiam em Mim; caso contrário suas ações seriam santas e honestas”.[3]
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP
Texto extraído do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, vol. III.
[1] Termo usado para designar as terciárias celibatárias de algumas Ordens Religiosas, assim chamadas por causa do hábito que portavam.
[2] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP. Texto extraído do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, v. 3
[3] Santa Catarina de Sena. Diálogo com Deus Pai, c.CXL






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