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Santa Catarina de Siena: filha predileta da Virgem Maria

Santa Catarina,  virgem, mística, profetisa e reformadora, foi guia espiritual e exorcista, conselheira de Papas e promotora da Cruzada!

Santa Catarina de Siena

Redação (29/04/2025 08:20, Gaudium Press) Dotada de grande inteligência e beleza, Catarina Benincasa nasceu em 25 de março de 1347, em Siena, na Península Itálica — então fragmentada em numerosos Estados soberanos e marcada por intensas conturbações políticas e religiosas. Neste ano, irrompeu a terrível peste negra que reduziu a população europeia quase à metade.

Penúltima dos 25 filhos do casal Jacopo e Lapa Benincasa, Catarina tornou-se a caçula e filha predileta da família após a morte precoce de uma de suas irmãs. Seu pai, um tintureiro hábil, enérgico e de boa reputação na região, era homem reto e bem-sucedido em sua profissão, apesar da origem modesta.

Desde tenra idade, Catarina foi favorecida pelo Esposo das Virgens com dons místicos extraordinários. Com apenas seis anos, recebeu uma das mais célebres visões de sua vida.
Certa tarde, ao voltar com seu irmão Estevão de uma visita à irmã Boaventura, que morava do outro lado da cidade, a menina passava pelo Valle Piatta quando, de repente, ergueu os olhos em direção à igreja de São Domingos. No alto, sobre nuvens luminosas, viu Jesus Cristo assentado em um trono majestoso, revestido de paramentos pontifícios. Ao seu lado, estavam os apóstolos São Pedro, São Paulo e São João Evangelista.
O Senhor olhou para ela com infinito amor e sorriu-lhe afavelmente. Em seguida, ergueu a mão direita e traçou três cruzes no ar, abençoando-a como fazem os bispos. Catarina ficou completamente imóvel, extasiada, os olhos fixos na presença viva de Cristo. Seu irmão, que nada via, ao notar que a menina havia parado e permanecia petrificada no meio da rua, chamou-a várias vezes sem obter resposta.

A menina recebeu dos pais e irmãos uma educação primorosa, embora com limitada instrução formal. De família simples, só aprendeu a ler ainda jovem, provavelmente por volta dos 19 ou 20 anos. Já a escrita, segundo sua própria testemunha, foi um dom miraculoso que recebeu por volta dos 30 anos, por graça divina.Desde os primeiros anos de uso da razão, Catarina demonstrava profunda piedade: gostava de rezar, visitar igrejas e ouvir com entusiasmo as histórias dos santos, revelando já então uma alma voltada para Deus.

Dos 17 aos 20 anos de idade, Catarina passou reclusa em sua cela, orando e jejuando, aprendendo os segredos de Deus e penetrando em suas maravilhas. Só saía para ir à Missa, quase não conversava com ninguém e se alimentava pouquíssimo. Aliás, ao longo de sua vida, passou dias e dias alimentando-se apenas da Sagrada Eucaristia. Sua crescente devoção à Santíssima Virgem ajudava-a a vencer as tremendas tentações com que o demônio a atormentava.

No ano de 1367, Nosso Senhor apareceu à Santa no recôndito de sua cela, desposando-a em núpcias místicas. Após colocar-lhe como sinal um anel de ouro no dedo, ordenou-lhe que fosse juntar-se à família na ceia, pois queria fazer dela um apóstolo.

A curta e intensa vida de Santa Catarina desenrolou-se num momento de dramática desagregação da Cristandade. Esse longo e obscuro período caracterizou-se pelo enfrentamento de Papas e antipapas, o que semeou a confusão entre os fiéis.

Leiga mantellata[1] da Ordem Dominicana, acumulou os títulos de virgem, mística, profetisa, reformadora, guia espiritual, exorcista, conselheira de Papas e promotora da Cruzada.

Contando só com a força que seu Divino Esposo prometera que nunca lhe faltaria, Santa Catarina foi chamada a intervir em numerosos conflitos. Viajando quase incessantemente de cidade em cidade, exerceu um importante papel de pacificadora. Como não podia deixar de ser, seu principal empenho tinha como meta a glória de Deus e a defesa do Papado e dos Estados Pontifícios.

IMG 7753 768x547 1Essa panóplia admirável de dons sobrenaturais e qualidades humanas faz dela uma filha predileta da Virgem Maria, configurada à sua semelhança. Bem se pode afirmar que era a própria Mãe de Deus quem agia em Santa Catarina, conduzindo-a em todos os passos de sua vida.

Apesar de iletrada, ela influenciou os rumos da Igreja e favoreceu o retorno de Gregório XI, que se encontrava exilado em Avignon, a Roma. Possuindo sincera e entusiasta devoção ao Papado, jamais duvidou, entretanto, em apontar aos Pontífices, com filial reverência, as verdades mais amargas.

Promoveu a reforma da Ordem Dominicana por meio de seus escritos místicos, ditados por Deus Pai, nos quais censura com tristeza os horríveis pecados do clero e dos religiosos.

Constituiu em torno de si a bella brigata, um conjunto de frades dominicanos, virgens consagradas e outros fiéis que a seguiam como mestra e veneravam como mãe espiritual.

Com fina intuição profética, Catarina de Siena anunciou uma era de paz para o Corpo Místico de Cristo e para o mundo, num futuro longínquo. Em suas palavras se reconhecem os primeiros vaticínios sobre o Reino de Maria:

“Depois de todas essas tribulações e angústias, de um modo que escapa à compreensão humana Deus purificará a Santa Igreja e despertará o espírito dos eleitos. Haverá em seguida uma reforma tão grande na Igreja de Deus e uma tal renovação dos santos pastores, que meu espírito exulta no Senhor só de pensar nisso. […] Atraídos pelo bom odor de Cristo, os infiéis voltarão ao redil católico e se converterão ao verdadeiro Pastor”.

Em Santa Catarina brilharam com renovado fulgor a esperteza, a prudência e a sabedoria de Nossa Senhora, aplicadas à regência da História. Com efeito, o espírito marial que a animava dava-lhe a capacidade de transcender as contingências humanas, a ponto de se tornar o foco de luz do qual viveu a Igreja em seu tempo.[2]

Com apenas 33 anos, partiu para a eternidade a 29 de abril de 1380, deixando uma plêiade de discípulos, um exemplo de vida e uma obra escrita composta de 381 cartas, 26 orações e o livro “O diálogo”, no qual descreve todo o seu método de apostolado e vida interior, chamado pela Igreja como “livro da doutrina divina”.

Leia também Santa Catarina de Sena: Viveu na terra como se estivesse no Céu.

“Sou forte para vos auxiliar e defender”

Santa Catarina Sena“Tu és incapaz de avaliar a fraqueza humana, quanto o homem não tem juízo e discernimento, confiando apenas em si mesmo, nas próprias ideias.

Ó homem estulto! Não percebes que tua capacidade de conhecer provém de Mim? Não vês que fui Eu a dar-te o conhecimento e a cuidar de tuas necessidades? Toma em consideração tua experiência: pretendes fazer coisas que não podes, nem sabes; quando podes, não sabes, e, quando sabes, não podes; umas vezes queres, mas não dispões de tempo, outas vezes dispões de tempo e não queres!

Acontece que tudo isso, para teu bem, depende de mim. Deves reconhecer que nada és; deves humilhar-te e deixar o orgulho. Como as coisas não dependem de ti, só encontras instabilidade e privação; unicamente minha graça é estável e firme. Somente ela jamais te será retirada ou mudada. Contra tua vontade, nunca a perderás por causa do pecado. […]

Ó filha bondosa e querida, a humanidade não foi leal e fiel para comigo. Desobedeceu a minha ordem e achou a morte. De minha parte mantive a fidelidade, conservei a finalidade para a qual a criara, com intenção de dar ao homem a felicidade. Uni a natureza divina, tão perfeita, à mísera natureza humana, resgatei a humanidade, restituí-lhe a graça pela morte de meu Filho.

Os homens sabem de tudo isso, mas não acreditam que sou poderoso para socorrê-los, forte para auxiliá-los e defendê-los dos inimigos, sábio para iluminar suas inteligências, clemente para fornecer-lhes o necessário à salvação, rico para locupletá-los, belo para aprimorá-los, possuidor de bens para nutri-los e de roupas para vesti-los. Seu modo de viver diz que não confiam em Mim; caso contrário suas ações seriam santas e honestas”.[3]

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, vol. III.


[1] Termo usado para designar as terciárias celibatárias de algumas Ordens Religiosas, assim chamadas por causa do hábito que portavam.

[2] Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP. Texto extraído do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, v. 3

[3] Santa Catarina de Sena. Diálogo com Deus Pai, c.CXL

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