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Vietnã: número de católicos triplicou sob o regime comunista

O Vietnã surge como um fenômeno extraordinário: uma república socialista que se tornou um dos motores mais vigorosos do catolicismo na Ásia.

Foto: Chương Minh/ Facebook

Foto: Chương Minh/ Facebook

Redação (04/02/2026 17:28, Gaudium Press) Em um contexto global em que a Igreja Católica enfrenta desafios significativos no Ocidente, o Vietnã desponta como um fenômeno extraordinário: uma república socialista que se transformou em um dos motores mais vigorosos do catolicismo na Ásia.

De acordo com as estatísticas mais recentes, o país conta hoje com cerca de 7 milhões de católicos, o que representa aproximadamente 7,4% da população total (estimada em torno de 100 milhões de habitantes). Esse número posiciona o Vietnã como a quinta maior comunidade católica da Ásia, atrás apenas de Filipinas, Índia, China e Indonésia.

O crescimento impressiona ainda mais quando se considera que, há cerca de oito décadas (por volta de 1945), a comunidade católica vietnamita não chegava a 2 milhões de fiéis. Especialistas atribuem essa expansão notável a uma combinação de fatores: raízes históricas profundas, o testemunho de inúmeros mártires, a coerência do testemunho cristão no dia a dia, esforços diplomáticos, e especialmente o papel decisivo dos leigos na preservação e na difusão da fé.

Raízes históricas e martírio: os alicerces de uma fé inquebrantável

A presença católica no Vietnã remonta ao século XVII, quando missionários dominicanos e jesuítas iniciaram a evangelização em uma região marcada pela fragmentação feudal e por constantes conflitos armados. Apesar da desconfiança inicial das autoridades locais — que viam no cristianismo uma possível ferramenta de influência ou controle ocidental —, a Igreja conseguiu se estabelecer e crescer nos primeiros séculos.

Esse avanço, porém, provocou ondas de perseguições sistemáticas que se prolongaram até meados do século XIX, seguindo padrões semelhantes aos observados em outras partes da Ásia, como no Japão. Centenas de milhares de vietnamitas — entre leigos, sacerdotes e religiosos — deram a vida por sua fé, tornando o país um dos que mais mártires canonizados tem na história da Igreja Católica. Esse legado de sangue e fidelidade continua a ser um dos pilares da vitalidade atual da comunidade católica vietnamita.

O Testemunho Cristão como Catalisador do Crescimento

Embora o martírio represente um pilar fundamental na história do catolicismo vietnamita, ele não explica sozinho o extraordinário crescimento observado nas últimas décadas. De acordo com dados recentes divulgados pela Agência Fides, antes de 1945 a comunidade católica no Vietnã era modesta, com menos de 2 milhões de fiéis distribuídos em 12 dioceses. Hoje, esse número se multiplicou de forma expressiva, alcançando cerca de 7 milhões de católicos, organizados em 27 dioceses, com cerca de 30 mil sacerdotes e religiosos.

Esse crescimento sustentado deve-se, em grande parte, à imagem positiva que a comunidade católica projeta na sociedade vietnamita. Veículos oficiais do governo têm destacado repetidamente a contribuição dos católicos ao desenvolvimento do país, especialmente nas áreas econômica, de segurança e social. É comum ver reportagens em jornais e mídias estatais elogiando o engajamento dos fiéis em iniciativas de bem comum, como a construção de moradias e pontes para populações vulneráveis em áreas remotas, o fornecimento de água potável, a participação ativa durante pandemias e desastres naturais.

A Igreja como Modelo de Desenvolvimento Comunitário

No campo econômico, relatórios governamentais apontam que regiões com forte presença católica exibem padrões diferenciados de desenvolvimento: investimentos mais eficientes, práticas sustentáveis, geração de empregos locais, preservação de ofícios tradicionais e estímulo ao crescimento regional.

“Essas atividades demonstram o patriotismo e a responsabilidade social da comunidade católica vietnamita”, destaca a Agência Fides. “Os católicos vietnamitas participam ativamente na construção de áreas residenciais seguras e na garantia de ordem e segurança em suas localidades. Muitas paróquias se tornaram exemplos luminosos de convivência harmoniosa, livres de injustiças sociais, onde católicos e não católicos vivem em amizade e harmonia.”

Essa capacidade de integração e contribuição ao bem comum já era reconhecida pela própria Igreja vietnamita em 1980, quando o Conselho Episcopal do Vietnã afirmava:

“A Igreja está profundamente enraizada na nação; estamos decididos a permanecer unidos ao destino de nossa Pátria, a seguir a tradição nacional e a nos integrar na vida atual do país, pois esta Pátria é o lugar onde Deus nos chamou a viver como seus filhos. Além disso, este país é também o seio que nos carrega no processo de realização de nossa vocação como filhos de Deus.”

Três Fatores-Chave para o Sucesso

O escritor Lee Nguyen, em artigo intitulado “O auge do catolicismo no Vietnã”, publicado na imprensa local The Vietnamese, identifica três elementos fundamentais que explicam não apenas a sobrevivência, mas o florescimento da Igreja Católica nesse contexto: as habilidades diplomáticas dos líderes eclesiais locais, a lealdade dos leigos à Igreja e a “fortuna da história”.

Um exemplo recente desses esforços diplomáticos foi a audiência concedida pelo Papa Francisco ao então presidente do Vietnã, Vo Van Thuong, em julho de 2023. Esse encontro histórico culminou em um acordo significativo: o representante pontifício (núncio apostólico), que até então desempenhava sua missão a partir de Singapura, passou a residir permanentemente em Hanói, a capital vietnamita, marcando um avanço importante nas relações entre a Santa Sé e o governo vietnamita.

Com informações Razón más Fe

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