Sem a luz da fé, tudo é escuridão
Quando a fé não ilumina as almas, não há poder terreno capaz de dissipar as sombrias tristezas dos corações.
Redação (04/04/2026 09:00, Gaudium Press) “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo” (Jo 20,1).
Não foi em vão que o discípulo amado enfatizou que “ainda estava escuro”. Por detrás desta descrição aparentemente simples, esconde-se um profundo significado, que permite ser considerado sob diferentes perspectivas neste Evangelho pascal.
Impelida pelo fogoso amor que devotava a Jesus, Santa Maria Madalena dirigiu-se com presteza ao sepulcro, ainda envolta no manto da noite. Se, por um lado, o sol ainda não havia nascido, por outro, permanecia na escuridão o espírito daquela que procurava o Salvador. Impressiona-nos o fato de ela sequer suspeitar da Ressurreição — afinal, Jesus tantas vezes havia vencido as garras da morte — e de que, diante do sepulcro aberto, visse não um sinal do Ressuscitado, mas um furto sacrílego. Assustada, correu para comunicar o crime aos Apóstolos. Com efeito, sem a chama da fé, seu espírito era incapaz de discernir a realidade sobrenatural.
Não obstante, convém notar que o São João salienta dois tipos de trevas: uma na Última Ceia, outra na Ressurreição. Ao executar Judas a infame traição, o Evangelista observa: “Então, depois de receber o bocado, Judas saiu imediatamente. Era noite.” A noite exterior era imagem da noite que escurecia a alma do discípulo apóstata. Entretanto, no caso de Santa Maria Madalena, “ainda estava escuro”, pois em breve não estaria mais.
Não somente a alma dela, mas o mundo encontrava-se numa densa noite, sem Aquele que de Si mesmo dissera: “Eu vim como luz ao mundo; assim, todo aquele que crer em mim não ficará nas trevas” (Jo 12,46).
A Páscoa à luz de Maria
Ninguém acreditava? A chama da fé, da esperança e da caridade teria desaparecido do mundo? Não. Ela ardia mais que nunca na alma de Maria Santíssima. Para compreendermos bem o mistério pascal, é necessário, pois, contemplá-lo à luz de Maria.
Madalena errava angustiada em busca do seu Mestre. Por que não O procurou através da luz que emanava de Maria Santíssima? Ela é aquela a quem a piedade cristã invoca sob o título de Estrela da Manhã, a luz que precede a aurora do Sol de Justiça, a vitória de seu Divino Filho. Enquanto o mundo encontrava-se imerso na escuridão do pecado e da confusão, Ela conferia as profecias em seu Imaculado Coração.
Unidos na dor, inseparáveis na vitória
O coração padecente da Mãe Dolorosa acompanhou toda a Paixão do Divino Salvador. Neste coração, traspassado pelo gládio da dor, conservava-se intacta e inabalável a esperança que sustentava a Santa Igreja.
Ao depararem-se com o túmulo vazio, até mesmo São Pedro e São João enxergaram apenas a realidade concreta. E mesmo quando os pilares da Igreja se abalavam pelo cruel desmentido da Cruz, a fé ardia no Coração Doloroso da Santíssima Virgem.
Se os corações de Jesus e Maria estiveram unidos nos sofrimentos da Paixão, porque não estariam juntos nas consolações da Ressureição? Estas considerações nos levam, quase inevitavelmente, a conjecturar que foi Nossa Senhora a primeira a encontrar com Nosso Senhor naquela madrugada entre todas jubilosa.
Quando a luz da fé não ilumina as almas, tudo se escurece e nenhum poder terreno é capaz de dissipar as sombrias tristezas dos corações. Viver sem fé significa encerrar a humanidade em uma nova “era das cavernas”, onde se crê na ilusão implícita de uma vida em que Deus não existe.
Penhor do nosso triunfo
Hoje celebramos o triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo! É em vista desta vitória que somos chamados a abandonarmos os apegos deste mundo, fixando a nossa atenção na eternidade: “aspirai as coisas celestes e não às coisas terrestres” (Col 3,2).
Maria Madalena foi no “primeiro dia da semana” procurar Jesus. Símbolo da eternidade, este dia nos ensina que a beatitude celestial consiste em um dia único, cujo brilho noite alguma poderá interromper; ali, Deus é o verdadeiro Sol que nunca se põe, e que, assumindo um corpo incorruptível, conquistou para os que n’Ele confiam a coroa da incorruptibilidade.
Peçamos a Maria, Estrela que nos conduz ao Sol Eterno, nesta data em que celebramos o mais belo domingo da História, que nos conceda a perseverança na luta, pois quanto mais árduos forem os sofrimentos presentes, tanto maior será o prêmio e a alegria que nos esperam na eternidade!
Por Marcus Yip






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