Se Cristo é o Senhor de todos, é a Ele que todos devem servir
Pode alguém agradar ao Pai, se não cumpre a vontade do Filho?

Batismo de Cristo – Igreja de Notre Dame, Vitré (França) Foto: Francisco Lecaros
Redação (11/01/2026 10:35, Gaudium Press) A liturgia da Solenidade do Batismo do Senhor oferece uma reflexão: embora Jesus tenha vindo para tirar os cativos da prisão e livrar do cárcere os que vivem nas trevas, há quem prefira manter os encarcerados entre grilhões, caminhando em meio às sombras.
O Evangelho é para todos
“Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: ‘De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença”. (At 10,34-35)
Chegando à casa do centurião Cornélio, o primeiro Papa compreendeu que Deus chama a todos. Com efeito, ele estava habituado à concepção judaica de que a salvação pertencia exclusivamente aos judeus. Mas os sinais com que Deus manifestou paulatinamente seu desígnio de salvar a todos os homens, independentemente da nação a que pertencessem, lhe fizeram entender qual era a vontade divina.
Tal passagem revela que todas as pessoas têm dois direitos: primeiro, o de receber a instrução da fé e, segundo, o de seguir o exemplo de Cornélio que, alguns versículos antes, disse: “Agora, pois, eis-nos todos reunidos na presença de Deus para ouvir tudo o que Deus te ordenou de nos dizer” (At 10,33).
Ora, o próprio Cristo, antes de subir aos Céus, enviou os apóstolos ao mundo a fim de batizarem todas as nações, ensinando-as a observar todos os mandamentos que Ele prescreveu (Cf. Mt 28,19). O que é isto senão libertar as almas da prisão do pecado? Logo, se um membro da Igreja, sobretudo se investido de uma missão evangelizadora, se recusa a transmitir os ensinamentos recebidos de Nosso Senhor aos povos ainda não evangelizados, priva as almas que vivem nas trevas da luz de Cristo.
Seguindo a leitura dos Atos dos Apóstolos, São Pedro afirma ainda que:
“Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos”. (At 10,36)
Sendo Senhor de todos, Jesus deve por todos ser servido. A obediência é um requisito do serviço. Deste modo, pode alguém querer agradar ao Pai, se não obedece aos mandatos do Filho?
Descaso sacramental
No Evangelho, São Mateus narra a grandiosa cena em que São João Batista, interpelando a Jesus, pede para ser batizado por Ele, mas o Salvador lhe diz ser necessário que a justiça se cumpra por inteiro. Então, no momento em que o Redentor imergia nas águas do Jordão, deu-se a prodigiosa manifestação da Santíssima Trindade, em que o Pai fez ouvir sua voz e o Espírito Santo desceu em forma de pomba. Jesus, que não precisava ser batizado, quis nos dar o exemplo.
Não é verdade que, em nossos dias, dói dizer, os Sacramentos são tão pouco valorizados?
O mandato da evangelização universal não se restringe ao clero e aos religiosos, se estende também aos fiéis. Quantas vezes encontra-se aqui, lá e acolá jovens oriundos de famílias católicas que ainda não receberam as águas purificadoras do batismo? Com efeito, o Batismo é vilipendiado. Quantos pais, quiçá por vergonha diante de certos círculos que frequentam, ou por puro descaso, negligenciam a evangelização do lar e retardam à sua prole o maior benefício que lhes podem conceder?
Vale lembrar que o Batismo confere ao ser humano a natureza divina. Portanto, quem ainda não foi batizado está privado da herança eterna e as portas do Céu lhe estão fechadas. Esta pessoa não pode ser chamada filha de Deus.
Ademais, não é raro encontrar casos de pessoas que acorrem ao Sacramento do Crisma não com o intuito de receberem o Espírito Santo e seus sete dons, mas para ganharem um novo padrinho e despacharem mais um “X” na tabela de obrigações sociais.
E o que dizer da Eucaristia?
A educação manda que uma visita seja bem recebida. Quanto maior a dignidade do visitante, tanto mais o visitado deve se esmerar nos preparativos da recepção.
Vê-se, infelizmente, que em muitas missas a preparação para a comunhão se dá em meio a um ruído de cochichos. Sim, o Filho de Deus irá entrar em almas dissipadas, preocupadas com as coisas corriqueiras do dia a dia, ou com algum comentário supérfluo sobre os defeitos de outrem. Como Jesus lhes falará ao coração? Ele sempre fala. Será que sempre estamos prontos para ouvir sua voz?
Neste mundo de confusão, de excesso de informações inúteis e de uma vertiginosa inversão de valores, saibamos dar o devido valor aos dons sobrenaturais com os quais Nosso Senhor quis santificar e salvar os membros da Igreja. Que a Virgem Santíssima nos preserve da indiferença para com o sagrado e nos ensine a cumprir a cada instante da vida a vontade de seu Filho Divino.
Por André Felipe Lopes





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