São Saturnino de Toulouse
São Saturnino, após ter ouvido a pregação de São João Batista, converteu-se e tornou-se discípulo de Cristo. Depois da Ascensão do Senhor, acompanhou o apóstolo São Pedro e, por ele sagrado bispo, foi enviado à Gália, sendo venerado como o primeiro evangelizador e apóstolo da cidade de Toulouse. Sua memória é celebrada no dia 29 de novembro.

Fotos: Wikipedia
Redação (29/11/2025 09:16, Gaudium Press) São Saturnino, um dos santos que a Igreja comemora hoje, 29 de novembro, chegou como estrangeiro à cidade que hoje é Toulouse, na França, por volta do ano 250. Ignora-se com certeza o seu lugar de nascimento, embora antigas tradições o apresentem como membro de uma família patrícia romana.
Décio e Grato eram cônsules naquela época. Saturnino (nome que é diminutivo do deus romano Saturno) já era bispo e a sua pregação começava a dar abundantes frutos na cidade, pela graça de Deus. Em contrapartida, os adoradores de Júpiter Capitolino diminuíam dia a dia, ao verificarem que as suas súplicas não eram atendidas, ao contrário das orações dos cristãos.
Conta a tradição que os sacerdotes de Júpiter – e nisto não se lhes pode negar certa lógica infernal – atribuíram a agonia do seu culto precisamente ao bispo cristão.
De fato, na cidade de Toulouse erguia-se um suntuoso templo, denominado Capitólio, diante do qual São Saturnino passava diariamente a caminho da assembleia onde os cristãos se reuniam para a oração. Os demônios, não suportando a presença do santo varão, abandonaram os ídolos, que desde então cessaram por completo de proferir oráculos, como até aí costumavam fazer. Em vão os sacerdotes pagãos multiplicaram os sacrifícios: nenhuma voz, nenhum sinal lhes foi dado em resposta.
Certo dia, porém, um inimigo declarado dos cristãos descobriu a causa daquele silêncio. Estando o povo reunido para assistir à imolação de um touro oferecido a Júpiter, o homem viu passar o bispo e exclamou em alta voz:
“Eis aí o inimigo dos nossos deuses! É ele quem os impede de falar! Mas os deuses no-lo entregaram hoje em nossas mãos, para que possamos vingar as afrontas que lhes fez!”
A multidão, enfurecida, arrastou imediatamente São Saturnino até o altar e exigiu que oferecesse o sacrifício. O santo, porém, erguendo a voz com intrepidez, respondeu:
“Eu adoro apenas um único Deus, único e verdadeiro, a quem ofereço louvores e sacrifícios espirituais. Quanto aos vossos pretensos deuses, não passam de demônios que se deleitam mais com a perdição das vossas almas do que com o sacrifício de vossos touros. Se assim não fosse, por que me temem eles? Por que tremem diante de mim?”
Enlouquecida com tais palavras, a turba amarrou o bispo ao próprio touro destinado ao sacrifício, irritou o animal com aguilhões e lançou-o a correr. O santo mártir teve assim o corpo horrivelmente dilacerado: sua pele foi-se rasgando e os ossos foram-se quebrando pelo caminho. Pouco depois, Saturnino entregou a alma a Deus.
O corpo desfeito ficou abandonado na rua. Duas jovens discípulas suas, damas de ilustre linhagem, que não hesitaram em enfrentar o furor popular para prestar ao mestre este último obséquio de piedade. Recolheram o seu corpo durante a noite e sepultaram-no numa fossa profunda, junto à estrada da Aquitânia. Como punição pela sua audácia, o pontífice pagão ordenou que fossem flageladas publicamente no interior do templo, obrigando-as a abandonar a cidade de Toulouse.
O martírio cruel e a coragem inabalável do bispo depressa ultrapassaram as muralhas de Toulouse.
No lugar onde repousavam aqueles restos sagrados, São Hilário ergueu primeiro uma pequena capela de madeira, que o tempo destruiu. Séculos mais tarde, após a descoberta das relíquias, o duque Leunebaldo mandou construir uma igreja que inicialmente se chamou Saint-Sernin-du-Taur (“São Saturnino do Touro”). Hoje é conhecida como Notre-Dame du Taur – Nossa Senhora do Touro.







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