São Roque Gonzalez, fundador de reduções jesuíticas
Foi na Redução de Caaró, em território brasileiro, que o Padre Roque González e seus companheiros foram barbaramente assassinados em 15 de novembro de 1628.

Foto: jesuits.global
Redação (26/03/2026 11:51, Gaudium Press) Nascido na capital do Paraguai, Assunção, em 1576, São Roque Gonzalez era filho de um nobre espanhol e de uma paraguaia, que lhe proporcionaram educação católica.
Ordenado sacerdote aos 22 anos, tornou-se pároco da Catedral de Nossa Senhora da Assunção. Logo depois, o Bispo ofereceu-lhe o cargo de vigário geral da diocese, mas ele não aceitou porque desejava ser missionário junto aos índios. Seu irmão, governador do Rio da Prata e Paraguai, dispôs-se a ajudá-lo em seu nobre desejo.
No meio do fogo, seu coração permaneceu intacto
Entrou para a Companhia de Jesus e foi designado para evangelizar indígenas. Operou muitas conversões e fundou reduções jesuíticas em regiões do Paraguai, Argentina e Brasil.
Em 1628, estava ele com dois padres jesuítas na redução localizada na atual cidade de Ijuí, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Instigado pelo demônio, um cacique, desejoso de continuar praticando seus vícios libidinosos e dominar totalmente os silvícolas, mandou mensagem a outros caciques para reunirem seus subordinados a fim de matarem os sacerdotes, pois ensinavam o contrário de suas vidas devassas.
Após celebrar Missa na igreja, Padre Gonzalez mandou tocar o sino. Os índios invadiram o recinto sagrado e o massacram bem como outro sacerdote que o assessorava. Profanaram o cálice e os paramentos, quebraram uma imagem de Nossa Senhora e incendiaram o templo.
Queimaram os cadáveres de ambos, mas o coração de São Roque Gonzalez permaneceu intacto. Ele foi canonizado por João Paulo II e sua memória é celebrada em 19 de novembro. Seu coração encontra-se na capela do Colégio Cristo Rei, em Assunção. No local onde foi martirizado, há uma placa de mármore com as palavras emanadas de seu coração: “Por que fizeram isto? Eu os amava tanto! Mataram meu corpo, mas eu vivo no Céu. Por que quebraram a imagem da Mãe de Deus? Todos serão presos e castigados. Mas eu voltarei e não os abandonarei.”
Cristianizar e civilizar são termos correlatos
Os indígenas das regiões acima referidas eram polígamos, antropófagos, matavam seus filhos gêmeos ou que nasciam com defeitos físicos. Muitos realizavam rituais onde ofereciam vítimas ao demônio e praticavam orgias.
Tendo se propalado a ideia de que os índios eram animais, o Papa Paulo III, em 1537, escreveu uma bula declarando serem homens, com todos os direitos de criaturas de Deus e, se batizados, de filhos do Criador.
Os jesuítas dessa época foram verdadeiros missionários que lutaram para salvar as almas dos índios e também civilizá-los. Escreveu Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:
“Enquanto é próprio ao homem cristianizado e civilizado progredir sempre no reto e livre exercício de suas atividades intelectuais e físicas, o índio é escravo de uma imobilidade estagnada, a qual de tempos imemoriais lhe tolhe todas as possibilidades de reto progresso.
“Cristianizar e civilizar são, pois, termos correlatos. É impossível cristianizar seriamente sem civilizar. Como, reciprocamente, é impossível descristianizar sem desordenar, embrutecer e impelir de volta, rumo à barbárie.” [1]
Reconduzidos à Fé cristã e à vida civilizada
Unidos ao seu Fundador Santo Inácio de Loyola, os jesuítas, com espírito de oração, amor à Cruz de Nosso Senhor e ardente devoção à Santíssima Virgem, enfrentaram terríveis dificuldades para evangelizar os silvícolas.
Transpuseram montanhas abruptas, selvas intrincadas, desertos sinistros e rios caudalosos; padeceram calor, chuvas torrenciais, insetos, pragas, fome, enfermidades. Ajudados por índios jovens catequizados, defenderam-se de feras e tribos inimigas.
Pela intercessão de Nossa Senhora, obtiveram graças divinas que operaram a conversão de muitos índios, os quais foram reunidos em estabelecimentos chamados “reduções”.
Essa palavra provém do latim reductio, ação de tornar a trazer, reconduzir. Ou seja, os indígenas eram reconduzidos da existência selvagem “à Fé cristã e à vida civilizada”[2].
Esplendor e grandiosidade das igrejas
A redução era composta da seguinte forma:
Uma grande praça rodeada de árvores, na qual havia a igreja ladeada pelo cemitério, residência dos padres, escola e orfanato. No centro, uma imagem de Nossa Senhora ou de algum Santo, sustentada por uma coluna. Na parte detrás, uma horta e ruas paralelas onde estavam as casas dos índios.
As igrejas das reduções, construídas em estilo barroco, “se destacavam por seu esplendor, grandiosidade e grande ornamentação” [3].
Cada família monogâmica possuía sua moradia e seus chefes recebiam o Sacramento do matrimônio. Se alguém vivesse amancebado era castigado com perpétuo desterro.
Nas escolas, ensinava-se Catecismo, ler, escrever, cantar e tocar algum instrumento musical. Os guaranis tinham pendor para a música e aos poucos foram fabricando instrumentos para esse fim. As mulheres aprendiam tecer, bordar e se vestiam com modéstia.
Tribalismo indígena no mundo atual
Graças aos esforços dos jesuítas, vieram da Europa arquitetos e artesãos que instruíram os nativos para exerceram ofícios de escultores, pintores, pedreiros, carpinteiros, tecelões, ferreiros. Pelas ruínas, vê-se que eles fizeram belas construções, com distribuição harmoniosa das ruas e praças.
Na Praça central, frequentemente havia apresentações musicais, teatrais e de exercícios militares.
Devido a ataques de tribos hostis que rejeitavam a Fé católica, bem como de bandeirantes provenientes da cidade de São Paulo, Brasil, os jesuítas direcionaram o caráter guerreiro dos índios para defenderem a igreja, onde estava o Santíssimo Sacramento, e suas famílias. E investiam vigorosamente contra os inimigos.
Instruídos pelos padres, os silvícolas tinham grande devoção a Mãe de Deus e rezavam diariamente o Rosário.[4]
Carcomido pela Revolução gnóstica e igualitária, o mundo atual vai se precipitando no tribalismo indígena, conforme afirma Dr. Plinio Corrêa de Oliveira:
“A derrocada das tradições indumentárias do Ocidente, corroídas cada vez mais pelo nudismo, tende obviamente para o aparecimento ou consolidação de hábitos nos quais se tolerará, quando muito, a cintura de penas de ave de certas tribos, alternada, onde o frio o exija, com coberturas mais ou menos à maneira das usadas pelos lapões.
“O desaparecimento rápido das fórmulas de cortesia só pode ter como ponto final a simplicidade absoluta (para empregar só esse qualificativo) do trato tribal”.[5]
Peçamos a São Roque Gozalez que nos obtenha de Nossa Senhora torrentes de graças para combatermos esses males, através de orações bem como pelos nossos costumes e modos de ser, tendo sempre em vista os acontecimentos previstos pela Santíssima Virgem em Fátima e a implantação de seu Reino.
Por Paulo Francisco Martos
Noções de História da Igreja
[1] CORRÊA DE OLIVEIRA Plinio. Tribalismo Indígena, ideal comuno-missionário
para o Brasil no século XXI. São Paulo: Editora Vera Cruz. 7 ed.1979, p. 6.
[2] HAUBERT, Maxime. La vida cotidiana de los índios y jesuítas en las misiones del Paraguay. Madrid: Editiones Temas de hoy. 1991, p. 15.
[3] HERRAYS, Carmen Labrador. Las reduciones del Paraguay, una experiencia educativa singular. Revista galega de ensino. Ano 14, n. 48 ((março 2006). p. 340.
[4] Cf. IRABURU, José María. Hechos de los apóstoles de América. Pamplona: Fundación Gratis dati. 3. ed., 2003, p. 202.
[5] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Revolução e Contra-Revolução. São Paulo: Associação Brasileira Arautos do Evangelho. 10. ed. em português, 2024, p. 283.





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