Gaudium news > São Devasahayam Pillai: de hindu ao primeiro leigo mártir indiano canonizado

São Devasahayam Pillai: de hindu ao primeiro leigo mártir indiano canonizado

São Devasahayam (Lázaro) Pillai foi morto em Aral Kurusady, Índia, por ter se convertido à Fé Católica. Sua vida inspira milhões, mostrando que a santidade pode florescer em meio à perseguição e ao testemunho corajoso em qualquer época. A Igreja celebra sua memória no dia 14 de janeiro.

Foto: Wikipedia

Foto: Wikipedia

Redação (14/01/2026 09:32, Gaudium Press) Devasahayam Pillai, nascido Neelakanta Pillai em 23 de abril de 1712, na vila de Nattalam, no antigo Reino de Travancore (atual distrito de Kanyakumari, Tamil Nadu, Índia), veio ao mundo em uma família hindu abastada da casta Nair, considerada superior na sociedade da época. Fluente em sânscrito, tâmil e malaiala, e treinado em artes marciais, ele ascendeu rapidamente na corte real, tornando-se um oficial de confiança próximo ao rei Marthanda Varma, soberano de Travancore.

Sua vida mudou drasticamente em 1741, após a Batalha de Colachel, quando conheceu Eustachius Benedictus de Lannoy, um comandante naval holandês capturado e posteriormente integrado ao exército de Travancore como oficial-chefe. A amizade com Lannoy introduziu Devasahayam à fé cristã, despertando nele um profundo interesse pela mensagem de caridade e amor divino do catolicismo, em contraste com o rígido sistema de castas.

Em 1745, ele foi batizado pelo padre jesuíta R. Bouttari Italus, adotando o nome Lázaro — conhecido em malaiala como Devasahayam, que significa “Deus ajudou”. Sua esposa, Bhargavi Ammal, também se converteu, recebendo o nome de Gnanapu Ammal (equivalente a Teresa). A conversão de um homem de alta casta e posição influente gerou forte oposição na corte e entre as autoridades hindus. Ademais, em sua vida pessoal, Devasahayam convivia com pessoas de todas as classes sociais e castas, inclusive aquelas de nascimento “inferior”.

Acusado falsamente de traição, de divulgar segredos de Estado a europeus e rivais, e de promover a apostasia, Devasahayam foi preso em 1749. Durante três anos, sofreu torturas brutais: era espancado diariamente com oitenta açoites, tinha pimenta esfregada nas feridas e no nariz, era exposto ao sol escaldante e recebia apenas água estagnada para beber. Em meio ao sofrimento, conta a tradição que, atormentado pela sede, ele rezou ajoelhado (ainda hoje existe a marca de seus joelhos na pedra), e um milagre ocorreu: água jorrou de um pequeno buraco em uma rocha. Esse poço milagroso ainda existe hoje no complexo da igreja em Puliyoorkurichi, atraindo devotos.

Em 1752, foi banido para as colinas de Aralvaimozhy. No dia 14 de janeiro daquele ano, em Kattadimalai, foi executado a tiros após várias tentativas dos soldados. Seu corpo foi jogado em uma pilha de rochas, mas posteriormente recuperado e sepultado na Catedral de São Francisco Xavier, em Kottar, Nagercoil, onde seu túmulo continua sendo local de peregrinação.

Canonização

O processo de canonização começou formalmente na década de 1990, impulsionado pela Diocese de Kottar. Em 28 de junho de 2012, o Papa Bento XVI declarou-o Venerável e reconheceu seu martírio. Ele foi beatificado como mártir em 2 de dezembro de 2012, em Nagercoil, tornando-se o primeiro leigo indiano beatificado.

O milagre reconhecido para a canonização ocorreu em 2013 e envolveu uma mãe católica devota de Lázaro (nome de batismo de Devasahayam). Seu feto de 24 semanas teve os batimentos cardíacos interrompidos e foi declarado sem vida. A mulher começou a rezar intensamente pela intercessão do beato, inclusive bebendo água do poço associado a ele. Em poucas horas, sentiu o bebê se mexer novamente; exames confirmaram a retomada dos batimentos, e a criança nasceu saudável, sem complicações.

Em 21 de fevereiro de 2020, o Papa Francisco reconheceu oficialmente esse milagre, abrindo caminho para a canonização. Em 15 de maio de 2022, Devasahayam Pillai foi proclamado santo na Praça de São Pedro, no Vaticano, pelo Papa Francisco, tornando-se o primeiro leigo, casado e mártir indiano a ser canonizado pela Igreja Católica.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas