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Santa Rosa de Lima impediu que protestantes invadissem o Peru

Colocando seu virginal corpo diante do sacrário, Santa Rosa obteve de Nosso Senhor a retirada dos hereges holandeses que assaltavam Lima.

Foto: Wikipedia

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Redação (05/01/2026 19:27, Gaudium Press) Proveniente de família de antiga nobreza espanhola empobrecida, Santa Rosa nasceu na capital do Peru, Lima, em 1586. Era a terceira dos onze filhos do casal. Nessa época, o Peru era um vice-reino integrante do Império espanhol. Seu pai exercia a profissão de arcabuzeiro nas tropas do Vice-Rei.

Aos três meses de idade, uma criada viu seu rosto transformar-se numa rosa. Seu nome era Isabel, mas depois disso passou a ser chamada Rosa. Sendo criança, aprendeu a ler e escrever ensinada pelo próprio Menino Jesus.

Pouco antes da adolescência, foi viver em uma cela no jardim de sua casa, fazia bordados e cuidava das flores que seus pais vendiam para ajudar o sustento da família. Tocava harpa cantando  com sua bela voz.

Desejando que ela se casasse, sua mãe a conduzia a residências de pessoas conhecidas. Mas Rosa passava no rosto casca de pimenta da Índia a fim de ocultar sua beleza. Queria se consagrar inteiramente a Deus; cortou seus cabelos e fez voto de virgindade.

Numa igreja de dominicanos próxima de sua casa, diariamente passava horas diante do sacrário. Impressionados por sua piedade, os sacerdotes davam-lhe a Eucaristia todos os dias, o que era raríssimo nessa época,

Movida pelo amor a Deus e à Igreja, rezava muito, jejuava três vezes por semana a pão e água e nos outros dias a ervas e raízes cozidas, dormia somente duas horas por dia. Foi crismada por São Toribio de Mogrovejo, Arcebispo de Lima.

Ajudava os trabalhos de São Martin de Porres

Almejava ardentemente ser religiosa da Ordem dos dominicanos. Mas, devido à forte oposição de sua progenitora, ela tornou-se terciária dessa Congregação e passou a usar um hábito na cela construída no jardim de sua residência.

Tendo conhecido São Martin de Porres, Irmão leigo dominicano célebre por seus portentosos milagres e virtudes, ela o consultava e ajudava em seus trabalhos junto aos pobres e doentes.

Deus lhe concedeu o dom dos milagres. Era constantemente visitada pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus, que quis certa vez repousar entre seus braços e a coroou com uma grinalda de rosas, a qual se tornou seu símbolo. Tinha constantemente junto a si seu Anjo da Guarda com quem conversava. Realizou curas de doentes e operou inúmeras conversões de pecadores.

Morte do comandante da frota holandesa

Em 1615, corsários holandeses queriam atacar a cidade de Lima, aproximando seus navios do porto do Callao, situado nas proximidades. Eles não visavam apenas roubar, mas eram protestantes e pretendiam implantar a heresia no católico Peru.

A notícia correu pela cidade, causando pânico na população.  Santa Rosa reuniu mulheres na Igreja Nossa Senhora do Rosário para orar pela salvação de Lima e derrota dos inimigos de Deus.

Tendo chegado a informação de que os hereges haviam desembarcado, ela subiu ao altar e se colocou diante do sacrário, disposta a derramar seu sangue em defesa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Apavoradas, muitas pessoas fugiram de Lima, mas as senhoras reunidas na igreja com a Santa continuaram firmes rogando a intervenção do Redentor. E foram atendidas pois o comandante da frota holandesa morreu em seu navio e os hereges invasores se retiraram.

 Todo o povo compreendeu que ocorrera um milagre realizado por Santa Rosa. Foram esculpidas imagens dela tendo nas mãos a maquete da cidade de Lima, segurada por uma âncora.

Desponsório místico

Um dos fatos mais importantes de sua vida é seu desponsório místico com Nosso Senhor, ocorrido no Domingo de Ramos de 1617, na Igreja São Domingos. Não tendo recebido a palma que deveria portar na procissão, pensou que fosse um aviso de Deus por alguma falta que tivesse praticado. Preocupada, dirigiu-se a uma capela do templo e se pôs a rezar diante de uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, portando em seus braços o Divino Infante.  Em certo momento, o Menino Jesus disse-lhe: “Rosa de meu Coração, Eu te quero por esposa”, e ela respondeu: “Eis aqui, Senhor, vossa humilde escrava”.

Tendo ficado gravemente enferma, foi levada à casa de um membro do Governo do Vice-Reinado para ser tratada. Atingida por tuberculose, depois de três meses entregou sua nobre a puríssima alma a Deus, em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos de idade.

Além de autoridades eclesiásticas e destacados personagens da esfera civil, o próprio Vice-Rei foi venerar seu corpo no qual, ao ser conduzido à Igreja Nossa Senhora do Rosário, multidões queriam tocar. Tornou-se necessária a presença da Polícia pois muitos desejavam obter pedaços de suas vestes, como relíquia.[1]

Foi canonizada por Clemente X, em 1671, e proclamada padroeira da América Latina e das Filipinas.

Missão de caráter universal

A respeito das duras penitências que ela fazia, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira comentou:

“A mortificação à qual se dedicava era particularmente preciosa para os tempos em que Santa Rosa viveu.

“A vinda dos ibéricos para a América colocava-os numa situação moral das mais perigosas. Encontrando aqui uma natureza tropical exuberante, com condições climáticas que infelizmente favoreciam a luxúria, muitos se deixavam dissolver num ambiente onde a vulgaridade e a corrupção moral debandavam.

“Ora, nestas circunstâncias, ela suscitava em torno de si o espírito de penitência e de mortificação. Com tal atitude, naturalmente ela freou em grande parte a corrupção dos costumes e criou condições menos favoráveis à Revolução, o que determinou, por sua vez, uma marcha mais lenta desta em nosso continente.

“O admirável é que Deus não suscitou para a América inteira um grande pregador — Ele pôs, nas mais variadas partes, grandes pregadores, porém de âmbito restrito —, mas sim uma mulher que tivesse uma missão de caráter universal. Santa Rosa de Lima fez, no plano da comunhão dos santos, o necessário para salvar a América.

“Vemos o poder de uma alma entregue a Nossa Senhora, à misericórdia de Deus e à penitência.”

Peçamos a Santa Rosa de Lima, cuja memória se celebra em 23 de agosto, que “interceda por nós, a fim de — à sua semelhança — termos a coragem de nos deixarmos fazer santos e assim realizarmos grandes obras”.[2]

Por Paulo Francisco Martos

Noções de História da Igreja


 [1] Cf. SCHAMONI, Wilhelm: El verdadero rostro de los santos. Barcelona, 1951; ROHRBACHER, René-François. Vida dos Santos. São Paulo: Editora das Américas. 1959, v. XV, p. 223-224.

[2] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Santa Rosa de Lima. In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XIII, n. 149 (agosto 2010), p. 14-15.

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