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Sal e luz: a definição do católico

Com a utilização de dois elementos tão simples, Nosso Senhor Jesus Cristo ensina qual é a missão de seus discípulos no mundo: estimular a virtude e irradiar a luz de Cristo.

Fotos Wikipedia

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Redação (08/02/2026 10:42, Gaudium Press) O Evangelho deste 5º Domingo do Tempo Comum apresenta duas imagens que, apesar de singelas, contêm em si um universo de simbologias e de ensinamentos: o sal e a luz.

Por que o sal?

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos?” (Mt 5,13).

A representação é claríssima. De fato, desde tempos imemoriais, os povos antigos já se serviam deste elemento, e o seu consumo hoje certamente não é menor do que então. Além disso, o sal era muito representativo sobretudo para os judeus, em função de duas finalidades pelas quais era utilizado. Em primeiro lugar, a conservação dos alimentos; e depois, como era costume no Antigo Testamento, as vítimas escolhidas para serem sacrificadas só eram oferecidas depois de serem temperadas com sal, por ordem do próprio Deus: “Salgarás todas as tuas oblações; não deixarás faltar à tua oferta o sal da aliança de teu Deus. Porás, pois, sal em todas as tuas ofertas” (Lv 2,13); e ainda servia de perfume do incenso, que poderia ser, “segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo” (Ex 30,34).[1]

Ou seja, a escolha do Divino Mestre em empregar o sal como símbolo da missão dos seus discípulos de “salgar a terra” se mostra, na verdade, muito mais sapiencial do que aparenta à primeira vista, pois, desta forma, assim como o sal preserva os alimentos contra a corrupção, assim também deve o católico trabalhar pelo requinte da virtude e lutar contra a depravação dos costumes.

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A luz de Cristo

“Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha” (Mt 5,13).

Outro elemento importante: a luz. Junto à afirmação “Vós sois a luz do mundo”, Nosso Senhor emprega duas metáforas também representativas. Ao dizer que uma cidade construída sobre um monte não pode ficar escondida, percebe-se uma alusão feita à vigilância de Deus em relação às ações dos homens, sempre atento a tudo, inclusive aos atos mais escondidos, que, como sabemos, nunca estão verdadeiramente escondidos, pelo que diz o Apóstolo: “fomos entregues em espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens” (1Cor 4,9). Ao mundo, sim, pois nossos pecados ou virtudes atingem a ordem do universo; aos anjos — incluindo os demônios —, que estão sempre nos acompanhando, embora não os vejamos; e aos homens que terão conhecimento de todos os nossos atos no dia do Juízo Final.

Por outro lado, a metáfora da lâmpada também se mostra cogente, porque, com ela, o Salvador mostra que o católico deve irradiar a luz de Cristo — seja por palavras, seja pelo simples bom exemplo. Ademais, ele deve ser coerente no pensar, no dizer e no agir, pois é tão ridículo um católico que não pratica o que professa como quem coloca uma lâmpada debaixo da vasilha. E não é só ridículo como também é prejudicial, segundo a versão de São Marcos, que acrescenta: “debaixo do alqueire ou debaixo da cama” (4,21), pois além de não iluminar, ainda enfrenta o risco de incendiar a casa.[2] Esta é a imagem do católico que dá mau exemplo, não ilumina e desacredita a Palavra de Deus (cf. Tt 2,5).

Desta forma, a liturgia relembra-nos, a nós, católicos, a missão que temos no mundo: ser, de um lado, sal da terra que santifica e renova as almas e, de outro, ser luz para um mundo cada vez mais imerso nas trevas.

Tal missão, entretanto, excedendo nossas faculdades humanas, reclama o auxílio sobrenatural, de modo que apenas àqueles que de joelhos no chão oferecerem suas lágrimas à Santíssima Virgem e elevarem seu clamor aos Céus serão conferidas as graças que os transformarão em instrumentos de salvação nas mãos do Redentor.

Por Vinícius Mendes


[1] Cf. CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos: comentários aos Evangelhos dominicais. Città del Vaticano-São Paulo: LEV-Instituto Lumen Sapientiæ, 2013, v. 2, p. 61-62.

[2] Cf. CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos: comentários aos Evangelhos dominicais. Città del Vaticano-São Paulo: LEV-Instituto Lumen Sapientiæ, 2013, v. 2, p. 66.

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