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Prior Geral dos Camaldulenses: uso da internet representa um desafio para os mosteiros

“A internet, o uso de smartphones e redes sociais, vídeos e filmes online, além do WhatsApp sem regras claras, representam um desafio real para a vida monástica e religiosa. Não podemos fingir que esse desafio não existe”.

Êremo da Camáldula, Italia

Êremo da Camáldula, Itália

Redação (14/02/2026 15:13, Gaudium Press) A carta do sacerdote Dom Matteo Ferrari, prior geral da Congregação Camaldulense da Ordem de São Bento, dirigida aos priores, vice-priores, responsáveis pelas residências, mestres de noviços e formadores dos professos simples, está causando grande repercussão. O principal motivo é que o documento aborda um tema extremamente atual e urgente: o uso de internet, smartphones e redes sociais nas comunidades religiosas.

Datada de 2 de fevereiro de 2026, a carta alerta que “a internet, o uso de smartphones e redes sociais, vídeos e filmes online, além do WhatsApp sem regras claras, representam um desafio real para a vida monástica e religiosa. Não podemos fingir que esse desafio não existe” — ou seja, é uma questão que precisa ser abordada, e não podemos ignorar os problemas que ela acarreta.

Uma reflexão especialmente necessária para as novas gerações

O texto trata da formação monástica em suas diversas etapas, do postulantado à profissão simples, e estabelece critérios claros para o uso das tecnologias digitais. Citando as Constituições da Congregação, Dom Matteo recorda que “o postulantado visa favorecer nos jovens um gradual ajuste psicológico e espiritual à nova realidade”.

As Constituições estabelecem que “o noviciado tem por objetivo principal fazer o candidato conhecer e experimentar as exigências fundamentais da vida monástica”. Nesse período, explica o prior geral, é essencial viver uma verdadeira separação, suspendendo o uso de redes sociais, o acesso à internet na cela, a visualização individual de vídeos ou filmes, assinaturas de plataformas como Netflix e disciplinar a comunicação com a família e amigos via WhatsApp.

Responsabilidade na profissão simples

Para os professos simples, Dom Matteo destaca que “nesse período de formação, as pessoas precisam aprender a fazer um uso sábio da internet e das redes sociais, inclusive optando conscientemente por não usá-las, quando não houver necessidade comunitária”.

Ele cita a Regra de São Bento: “Os monges devem guardar sempre o silêncio com amor, mas sobretudo à noite” (RB XLII,1). E acrescenta: “Creio que, hoje, essa custódia amorosa do silêncio também — e sobretudo — se refere às redes sociais, à internet e aos filmes. Os professos simples devem se habituar a usar esses meios de forma responsável, como instrumento de trabalho e com sabedoria no gerenciamento do tempo, e não como ocasião de dispersão, fuga e ‘ócio’, inimigo da alma (cf. RB LVIII,1)”.

Um convite ao discernimento

São Romualdo, fundador dos camaldulenses, escreve na Pequena Regra: “Sê na tua cela como no Paraíso. Esquece o mundo e deixa-o para trás”. Refletindo sobre isso, Dom Matteo questiona: “É possível viver esse ‘esquecimento do mundo’, referido na Pequena Regra, sem prestar nenhuma atenção às redes sociais e à internet, com tudo o que isso implica?”.

O prior geral adverte sobre o risco de que “a cela, em vez de ser um crisol de escuta, oração e vida de sabedoria, se transforme de fato em lugar de dispersão, perda de tempo, fuga de si mesmo e das próprias tensões interiores”.

Ele afirma ainda: “Penso que a cela monástica não deve ser o lugar para assistir filmes individualmente. É muito mais saudável prever momentos comunitários, que podem ter valor formativo para todos, além de favorecer o crescimento na comunhão e na fraternidade”.

Ao convidar a uma reflexão concreta sobre a aplicação desses princípios, Dom Matteo alerta que “o uso das redes sociais e da internet corre o risco de transformar a prática da cela (do recolhimento) em mero formalismo”. Ele sugere buscar o auxílio de especialistas em comunicação digital para aprofundar esse tema.

“Escrevi essas coisas para promover uma reflexão comum e para não fingir que esse desafio para a vida monástica de hoje não existe”, finaliza o prior geral. 

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