Princesa católica japonesa Nobuko Mikasa: entre o dever e a fé
A vida da princesa católica Nobuko foi guiada pela nobreza, pelo serviço e pela dor, mas acima de tudo por sua fé inabalável que a sustentou em todas as provações.

Foto: Wikipedia
Redação (29/11/2025 09:16, Gaudium Press) Nobuko Tomohito de Mikasa nasceu no dia 9 de abril de 1955, em Tóquio, Japão. Desde muito jovem destacou-se por uma elegância natural, uma distinção que não exige esforço: traços delicados, olhar sereno, sorriso afável e sempre impecavelmente elegante. Frequentemente era vista com chapéus cuidadosamente escolhidos, penteados clássicos e uma maquilhagem suave que realçava a doçura da sua expressão.
Mas o que verdadeiramente a torna singular é ser uma princesa católica numa família imperial tradicionalmente ligada ao xintoísmo. O seu estilo – sóbrio, refinado e impregnado de uma nota caritativa claramente inspirada pela fé – converteu-a numa das figuras mais admiradas da Casa Imperial, símbolo de graça e bom gosto tanto dentro como fora do rigoroso protocolo.
Uma família ligada ao poder
Filha mais nova de uma linhagem influente, o seu pai, Takakichi Asō, foi presidente de uma das maiores companhia de cimento, Aso, do Japão, e a sua mãe, Kazuko Yoshida era filha do primeiro-ministro Shigeru Yoshida. O seu irmão mais velho, Tarō Asō, também viria a ocupar o cargo de primeiro-ministro. Nobuko cresceu num ambiente onde se conjugavam a distinção aristocrática e a sobriedade familiar, valores que moldariam o seu carácter: elegante no exterior, profundamente humana no íntimo.
Educação, fé e opção de vida
Parte da sua formação realizou-a em Inglaterra, tendo-se diplomado no Rosslyn House College em 1973. Foi durante a estadia na Europa que, segundo várias fontes fidedignas, abraçou a fé católica. Essa decisão marcaria para sempre a sua história: ao ingressar na Família Imperial japonesa, tornou-se a primeira princesa católica da história moderna da instituição, introduzindo uma novidade religiosa num meio tradicionalmente xintoísta. A fé passou a ser o eixo silencioso da sua existência, fonte de equilíbrio tanto na vida pública como na privada.
Casamento, títulos e maternidade
Em 7 de novembro de 1980, casou-se com o príncipe Tomohito de Mikasa, passando a ser conhecida como Sua Alteza Imperial a Princesa Tomohito de Mikasa. Assumiu com naturalidade as responsabilidades protocolares e sociais de seu novo papel. Teve duas filhas, as princesas Akiko e Yōko, que herdaram da mãe não apenas a elegância, mas também a simplicidade e o sentido de serviço. Nobuko foi, acima do título, um exemplo de harmonia entre a nobreza e a vida familiar.
Cozinheira apaixonada
Apesar da sua alta posição, Nobuko sempre foi uma mulher próxima. Via beleza nas coisas simples e cultivou uma verdadeira paixão pela cozinha, publicando dois livros de receitas (1992 e 2013) nos quais partilhava a sua visão do lar como lugar de união e afeto. Para ela, cozinhar era “um diálogo sem palavras em que o amor se transforma em alimento”.
Presidiu ainda a Japan Rose Society, promovendo a cultura das rosas como símbolo de esperança, e dedicou-se intensamente a instituições de beneficência e projetos de saúde, revelando a faceta mais humana de uma princesa que preferia servir e acompanhar.
Doença e luto
A vida não lhe poupou provações. Em 2006 sofreu um acidente vascular cerebral e, mais tarde, o agravamento da asma obrigou-a a afastar-se temporariamente dos atos oficiais. Em 2012 perdeu o marido, vítima de um câncer na laringe, enfrentando o luto com serenidade, sustentada pela oração e pelo carinho das filhas.
Em novembro de 2022, voltou a ser notícia ao ser-lhe diagnosticado um câncer de mama, em fase inicial, descoberto por ressonância magnética após uma fratura lombar. Submeteu-se a cirurgia com êxito e sem metástases. A sua reação foi um testemunho de fé: “Encomendo-me à vontade de Deus e sigo adiante, passo a passo”.
Mais do que ser nobre
A história de Nobuko recorda-nos que os títulos não definem a profundidade da alma. Ela soube unir mundos aparentemente distantes – o empresarial, o aristocrático, a fé cristã e o dever para com o povo. Como mãe e como figura pública, construiu pontes de humanidade. Com os seus livros de culinária e sua sensibilidade, ela visava trazer, com simplicidade, as realidades da vida ao mundo da nobreza. Sua vida nos ensina que fé, humildade, solidariedade e resiliência são valores que transcendem a nobreza.
Nobuko de Mikasa é um retrato de uma princesa que fez da fé um estilo de vida, e da fragilidade uma fortaleza; uma mulher de sangue nobre que escolheu viver, acima de tudo, como filha de Deus.





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