Pó
Leiamos algumas palavras do Pe. Antônio Vieira a respeito da frase que inaugura a Quaresma: “Lembra-te, homem, que és pó e ao pó hás de voltar”.
Redação (25/02/2026 14:59, Gaudium Press) Desde o primeiro instante da vida até o último nos devemos persuadir, e assentar conosco, que não só somos e havemos de ser pó, senão que já o somos. […] Suposto que já somos pó, e não pode deixar de ser — pois Deus o disse — perguntar-me-eis, e com muita razão, em que nos distinguimos os vivos dos mortos? Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros?
Distinguimo-nos os vivos dos mortos assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído: os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz: Hic iacet. […] O pó somos nós: o vento é a nossa vida. Deu o vento, levantou-se o pó: parou o vento, caiu. Deu o vento; eis pó levantado: estes são os vivos. Parou o vento; eis o pó caído: estes são os mortos. Os vivos, pó; os mortos pó. Os vivos, pó levantado; os mortos pó caído. Os vivos, pó com vento, e por isso vãos; os mortos pó sem vento, e por isso sem vaidade. Esta é a distinção e não há outra.
Extraído, com adaptações ao português atual, de: VIEIRA, Pe. Antônio, S.J. Sermões. Lisboa: João da Costa, 1679, v. 1 col. 105-107.






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