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Papa Leão XIV visita a Mesquita Azul de Istambul em silêncio, sem rezar

Papa Leão XIV visita a Mesquita Azul de Istambul em silêncio respeitoso, mas opta por não rezar — ao contrário de Bento XVI e Francisco —, enfatizando o encontro em vez do gesto simbólico.

Fotos: Vatican News

Fotos: Vatican News

Redação (29/11/2025 09:16, Gaudium Press) No terceiro dia da sua primeira Viagem Apostólica à Turquia, o Papa Leão XIV realizou, nesta manhã, uma breve visita à Mesquita do Sultão Ahmed – mais conhecida como Mesquita Azul –, onde percorreu a obra-prima do século XVII, mas, ao contrário dos seus dois predecessores, não fez qualquer pausa para oração.

O Pontífice foi recebido pelo Ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, pelo mufti provincial de Istambul, Emrullah Tuncel, e pelo Grande Imã da mesquita, Kurra Hafız Fatih Kaya. Após descalçar os sapatos – deixando à vista as meias brancas, o Papa Leão entrou na mesquita, contemplando os 21.043 azulejos de cerâmica turquesa.

A visita decorreu em silêncio contemplativo. Segundo o Gabinete de Imprensa da Santa Sé, o Papa vivenciou o momento “em silêncio, em espírito de recolhimento e escuta, com profundo respeito pelo local e pela fé daqueles que ali se reúnem em oração”.

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O episódio trouxe, contudo, uma diferença significativa em relação às visitas papais anteriores. Quando Bento XVI entrou na mesma mesquita, em novembro de 2006 – apenas dois meses após o polêmico discurso em Regensburg –, deteve-se ao lado do grão-mufti num célebre momento de oração silenciosa, amplamente interpretado como gesto de reconciliação.

Também o Papa Francisco, para quem o diálogo com o Islã foi marca distintiva do pontificado, observou um instante de oração silenciosa no interior da Mesquita Azul, durante a sua visita à Turquia em 2014.

Leão XIV optou por outro caminho. O muezim (o muçulmano que recita o adhan, a chamada para a oração) Aşkın Musa Tunca, que acompanhou o Pontífice em sua visita, revelou depois aos jornalistas do Vaticano que convidara expressamente o Papa a rezar ali, dizendo que também era a sua casa para orar, se assim o desejasse.

Segundo Tunca, o Papa respondeu “esta é a casa de Allah! Não é a minha casa, nem a tua casa, é a casa de Allah”, ao que Tunca retrucou: “Se o senhor quiser, pode orar aqui”, e Leão disse: “that’s okay”, manifestando antes o desejo de ver a mesquita e sentir a sua atmosfera”. O muezzin sublinhou que ninguém rezou durante a curta visita, mas enfatizou o profundo significado do simples encontro.

“Somos todos filhos de Adão e Eva”, afirmou Tunca, citando o Alcorão: “Eu vos criei a partir de um único homem e uma mulher, e vos fiz povos e tribos, para que se unissem e se conhecessem”.

“Isso é muito importante”, disse Tunca, acrescentando: “Eu vejo a questão desse ponto de vista, devemos nos encontrar, devemos nos conhecer. Por isso estou muito feliz por recebê-lo aqui”.

Concluída em 1617 pelo sultão Ahmed I no local do antigo Grande Palácio de Constantinopla e adornada com mais de 21 mil azulejos de Iznik em tons azul e turquesa, e ostentando um teto altíssimo iluminado por 260 janelas, a Mesquita Azul continua a ser um dos locais religiosos mais carregados de simbolismo de Istambul.

Após a visita, que durou cerca de 15 minutos, o Papa Leão XIV seguiu para a Igreja Ortodoxa Siríaca Mor Ephrem, localizada em Yeşilköy, no lado europeu de Istambul, onde se reuniu em particular com líderes e representantes de Igrejas e comunidades cristãs, alguns dos quais estiveram presentes este sábado em Iznik na cerimônia que comemorou o 1700º aniversário do Concílio de Niceia.

Ali foi recebido pelo Patriarca Ecumênico Bartolomeu I de Constantinopla e pelo Patriarca Sírio-Ortodoxo Inácio Afrém II de Antioquia.

Depois de uma fotografia de grupo e de um hino inicial, invocando o Espírito Santo, cerca de 20 a 25 representantes participaram nas conversações privadas. No final, procedeu-se à troca de presentes e o Papa assinou o livro de honra, escrevendo:

“Nesta ocasião histórica em que celebramos os 1700 anos do Concílio Ecumênico de Niceia, reunimo-nos para renovar a nossa fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, celebrando a fé que partilhamos juntos. Desejo muitas bênçãos a todos os que aqui se reuniram e a todas as comunidades que representam”.

Concluiu invocando a bênção de Deus “sobre todos os aqui reunidos e sobre todas as comunidades que representam”.

Mais tarde, o Papa se reuniu com o Patriarca Bartolomeu para uma doxologia na Igreja de São Jorge, sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), no bairro de Fanar: “Somos encorajados no nosso compromisso de buscar a restauração da plena comunhão entre todos os cristãos, uma tarefa que empreendemos com a ajuda de Deus”, disse o Papa.

Embora a decisão de não rezar na Mesquita Azul marque uma mudança de tom em relação aos gestos altamente simbólicos de Bento XVI e Francisco, a imprensa do Vaticano descreveu a visita como totalmente coerente com o estilo do Papa Leão XIV: encontro respeitoso, escuta atenta e fraternidade, sem que isso implique reproduzir exatamente a coreografia dos antecessores.

Com informações Crux Now e Vatican News

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