Papa Leão XIV lava os pés de doze sacerdotes na Missa da Ceia do Senhor
Em sua homilia, o Pontífice convidou os fiéis para que participem da solene liturgia “não como meros espectadores ou por inércia, mas como convidados para a Ceia”.
Cidade do Vaticano (02/04/2026 15:20, Gaudium Press) Nesta quinta-feira, 02 de abril, o Papa Leão XIV iniciou as celebrações do Tríduo Pascal presidindo à Santa Missa da ‘Ceia do Senhor’, na Basílica de São João de Latrão. A cerimônia litúrgica, iniciada às 17h30 (horário de Roma), contou com o tradicional rito do Lava-pés, durante o qual o Santo Padre lavou os pés de 12 sacerdotes: 11 deles foram ordenados pelo próprio Pontífice em 2025; o 12º foi o Padre Renzo Chiesa, diretor espiritual do Pontifício Seminário Romano Maior.
Participar da liturgia como convidados para a Ceia
Durante esta celebração, se recorda a instituição da Eucaristia e da Sagrada Ordem, dois sacramentos que representam a entrega perfeita de Jesus, Sumo Sacerdote e Eucaristia presente por toda a eternidade. Em sua homilia, Leão XIV convidou os fiéis para que participem da solene liturgia “não como meros espectadores ou por inércia, mas como convidados para a Ceia em que o pão e o vinho se tornam para nós Sacramento de salvação. O amor de Cristo torna-se gesto e alimento para todos, revelando a justiça de Deus”.
Tratando sobre o gesto de Nosso Senhor Jesus Cristo de lavar os pés de seus apóstolos durante a Última Ceia, o Papa explicou que este fato sintetiza a revelação de Deus, pois ao assumir a condição de servo, o Filho revela a glória do Pai, derrubando os critérios mundanos que mancham a nossa consciência. Recordando as palavras de Bento XVI, ele afirmou que “devemos ‘aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza. […] desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão’”.
A onipotência de Deus está em nos servir com a sua verdade
Leão XIV comentou que somos sempre tentados a procurar um Deus que “nos sirva” e nos faça vencer, que seja prestativo como o dinheiro e o poder. Porém, a onipotência de Deus está em nos servir com a sua verdade. “Jesus purifica a nossa imagem de Deus das idolatrias e blasfêmias que a mancharam. Purifica também a nossa imagem do homem, que se considera poderoso quando domina, que quer vencer matando quem lhe é igual, que se considera grande quando é temido”, frisou.
Nosso Senhor Jesus Cristo nos dá “um exemplo de dedicação, serviço e amor. Precisamos do seu exemplo para aprender a amar, não porque sejamos incapazes disso, mas precisamente para nos educarmos a nós próprios, e uns aos outros, no amor verdadeiro. Aprender a agir como Jesus, Sinal que Deus imprime na história do mundo, é tarefa para a vida inteira”.
Quinta-feira Santa: dia de fervorosa gratidão e de autêntica fraternidade
Este exemplo de Cristo não é dado quando todos estão felizes e o amam, mas na noite em que foi traído, na escuridão da incompreensão e da violência, para que fique bem claro que o Senhor não nos ama porque somos bons e puros. Ele ama-nos e, por isso, nos perdoa e purifica. “Aprendamos de Jesus este serviço recíproco”, exortou. Seu exemplo não pode ser imitado por conveniência, de má vontade ou com hipocrisia, mas apenas por amor. Portanto, deixar-nos servir pelo Senhor é condição para servir como Ele serviu.
“Ao lavar a nossa carne, Jesus purifica a nossa alma. Nele, Deus deu o exemplo não de como se domina, mas de como se liberta; de como se doa a vida e não de como se a destrói”, comentou. “A Quinta-feira Santa é, portanto, um dia de fervorosa gratidão e de autêntica fraternidade. Que a Adoração Eucarística desta noite, em todas as paróquias e comunidades, seja um momento para contemplar o gesto de Jesus, ajoelhando-nos como Ele fez e pedindo-Lhe a força para, com o mesmo amor, O imitarmos no serviço”, concluiu. (EPC)










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