Papa Leão XIV escreve carta refletindo sobre o valor do esporte
Segundo o Pontífice, “o esporte pode tornar-se verdadeiramente uma escola de vida, onde se aprende que a abundância não nasce da vitória a qualquer custo, mas da partilha, do respeito e da alegria de caminhar juntos”.
Cidade do Vaticano (06/02/2026 10:18, Gaudium Press ) Por ocasião do início da XXV edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, que estão sendo realizados neste mês de fevereiro em Milão e Cortina d’Ampezzo, o Papa Leão XIV inveja uma mensagem destacando o esporte como caminho de formação humana, fraternidade e paz, e alertando para os riscos da lógica do lucro e do desempenho a qualquer custo.
Unidade entre corpo, mente e espírito
Intitulada ‘A vida em abundância, sobre o valor do esporte’, a carta do Santo Padre é dividida por temas ligados ao mundo esportivo, desde sua história até os desafios atuais, propondo uma reflexão que une dimensão humana, educativa e espiritual da prática esportiva. Segundo o Pontífice, apesar de suscitar “admiração e entusiasmo no coração de muitos, que vibram ao ritmo das vitórias ou das derrotas dos atletas”, a prática esportiva profissional é uma vocação para poucos. Porém, “a prática esportiva é uma atividade comum, aberta a todos e saudável para o corpo e para o espírito, a ponto de constituir uma expressão universal do ser humano”.
Percorrendo a história do esporte e registrando seu valor formativo ao longo do tempo, Leão XIV destacou a tradição cristã que sempre conheceu a unidade entre corpo, mente e espírito. Ele também ressaltou que a atividade esportiva favorece a disciplina, a moderação e o desenvolvimento integral da pessoa, tornando-se um caminho privilegiado de educação humana. O Papa sublinhou ainda que o esporte é um espaço de encontro e de relação, capaz de promover a fraternidade, o respeito às regras e a superação do individualismo. Quando vivido de forma moderna, ensina a lidar com a vitória sem arrogância e com a derrota sem desespero, contribuindo para a construção de comunidades baseadas na cooperação, na solidariedade e na cultura da paz.
Perigos que ameaçam os valores do esporte
Em seguida, chamou a atenção para os perigos que ameaçam os valores do esporte, especialmente quando ele é orientado à lógica do lucro, do sucesso a qualquer custo e da exploração econômica. Nessas situações, o atleta corre o risco de ser reduzido a mercadorias e a competição perde seu caráter educativo, abrindo espaço para práticas como o doping, a corrupção e outras formas de manipulação. Além disso, alertamos para distorções como a instrumentalização política das competições, o culto excessivo da imagem e do desempenho e o impacto de tecnologias que podem desumanizar a experiência esportiva. Ele reforçou a necessidade de proteger o esporte como instrumento de inclusão, diálogo entre culturas e promoção da paz, especialmente entre os jovens e os mais vulneráveis.
Leão XIV afirmou ser uma tarefa segura “pensar e implementar a prática esportiva como um instrumento comunitário aberto e inclusivo” e que “o esporte pode e deve ser um espaço de acolhimento, capaz de envolver pessoas de diferentes origens sociais, culturais e físicas. A alegria de estar juntos, que nasce do jogo partilhado, do treino comum e do apoio mútuo, é uma das expressões mais simples e profundas da humanidade reconciliada”.
Libertar o esporte de lógicas redutoras
Dentro deste panorama, os esportistas são vistos como modelos que são reconhecidos e acompanhados. Suas experiências diárias envolvem ascese e sobriedade, trabalho paciente sobre si mesmos, equilíbrio entre disciplina e liberdade, além de respeito pelos tempos do corpo e da mente. “Estas qualidades podem iluminar toda a vida social. A vida espiritual, por sua vez, oferece aos esportistas uma visão que vai além do desempenho e do resultado. Ela introduz o sentido do exercício como prática que forma a interioridade. Ajuda a dar significado ao esforço, a viver a derrota sem desespero e o sucesso sem presunção, transformando o diz treino em disciplina do humano”, outro trecho da mensagem.
O Papa garante que tudo isso encontra o seu horizonte último na promessa bíblica que dá o título a esta Carta: ‘a vida em abundância’. Não se trata de uma acumulação de sucessos ou desempenhos, mas de uma plenitude de vida que integra corpo, relações e interioridade. Segundo o Pontífice, a vida em abundância convida a libertar o esporte de lógicas redutoras que o transformam em mero espetáculo ou consumo. Ele também faz um convite para que a Igreja se torne uma presença capaz de acompanhar, discernir e gerar esperança. “O esporte pode tornar-se verdadeiramente uma escola de vida, onde se aprende que a abundância não nasce da vitória a qualquer custo, mas da partilha, do respeito e da alegria de caminhar juntos”, conclui. (EPC)





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