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Papa à Rota Romana: estreito nexo entre verdade da justiça e virtude da caridade

Ao abrir oficialmente o Ano Judicial do Tribunal da Rota Romana que analisa os pedidos de nulidade matrimonial, Leão XIV fez um discurso sobre o serviço dos juízes eclesiásticos à verdade da justiça que é uma contribuição de amor para a salvação das almas.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Redação (27/01/2026 15:31, Gaudium Press) As palavras do Papa Leão XIV aos cerca de 400 prelados auditores do Tribunal Apostólico da Rota Romana, proferidas ontem na abertura do Ano Judicial, seguem gerando grande repercussão. Trata-se de um discurso tradicional na agenda papal, mas que marca a estreia de Leão XIV (Robert Prevost) nessa ocasião.

Após elogiar o trabalho realizado por esse tribunal, que zela pela unidade da jurisprudência, o Papa centrou-se na profunda relação que existe entre a verdade da justiça e a virtude da caridade, que em alguns âmbitos se procura apresentar de forma separada e até contraditória.

Não se trata, sublinhou, de “princípios opostos nem de valores a serem equilibrados segundo critérios puramente pragmáticos, mas de duas dimensões intrinsecamente unidas, que encontram a sua harmonia mais profunda no próprio mistério de Deus, que é Amor e Verdade”.

Leão XIV lembrou aos prelados que sua missão consiste em orientar a atividade judicial de acordo com esses critérios, insistindo que a verdade e a caridade não podem caminhar separadamente”.

O Pontífice também advertiu contra a relativização da verdade no exercício da atividade judicial:

“Essa correlação exige uma exegese crítica constante e atenta, pois no exercício da atividade jurisdicional não é raro que sobressaia uma tensão dialética entre as instâncias da verdade objetiva e as solicitudes da caridade. Às vezes, sente-se o risco de que uma identificação excessiva com as vicissitudes – muitas vezes conturbadas – dos fiéis possa levar a uma perigosa relativização da verdade. Com efeito, uma compaixão mal interpretada, embora aparentemente motivada pelo zelo pastoral, corre o risco de ofuscar a necessária dimensão de averiguação da verdade própria do ofício judicial. Isto pode ocorrer não só no âmbito das causas de nulidade matrimonial – onde poderia induzir a deliberações de índole pastoral desprovidas de sólido fundamento objetivo – mas também em qualquer tipo de processo, comprometendo o seu rigor e equidade”, frisou o Papa.

Mas a manifestação da verdade deve levar “em consideração tudo o que exige o amor pelas pessoas”.

Crescer no amor a Cristo

Entretanto, como se alcança esse equilíbrio entre verdade e amor: “uma orientação clara advém do ensinamento do apóstolo Paulo, que exorta assim: ‘Agindo segundo a verdade na caridade, procuremos crescer em tudo, tendendo para aquele que é a cabeça, Cristo’ (Ef 4, 15). Veritatem facientes in caritate: não se trata apenas de se adaptar a uma verdade especulativa, mas de “cumprir a verdade”, ou seja, uma verdade que deve iluminar todo o agir. E isto deve ser feito “na caridade”, o grande motor que leva à verdadeira justiça. Com outra frase bíblica, desta vez de São João, estais chamados a ser ‘cooperadores da verdade’” (3 Jo 8).

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