México: Queda no assassinato de sacerdotes contrasta com alta em ataques a igrejas
Apesar de não haver uma perseguição oficial contra a Igreja Católica no México, 80% dos crimes apresentam “resultados nulos em termos de justiça e reposição de danos”.
Cidade do México (02/04/2026 14:15, Gaudium Press ) Apesar da queda no número de sacerdotes assassinados no México, em comparação com períodos mais violentos, houve um aumento na quantidade de ataques contra templos e locais de culto nos últimos anos. É o que informa o décimo relatório sobre a incidência de violência contra padres e instituições da Igreja Católica no México , apresentado no final de janeiro.
Desde a década de 1990, 66 sacerdotes e um Cardeal foram assassinados
Segundo o documento, elaborado pelo Centro Multimídia Católico (CCM), instituição que documenta ataques contra membros da Igreja Católica, o maior número de assassinatos de sacerdotes ocorridos durante o governo de Enrique Peña Nieto (2012–2018), com 19 casos registrados. Em contrapartida, desde 2018, foram documentados apenas 13 assassinatos. Desde a década de 1990, um total de 66 sacerdotes e um Cardeal foram assassinados.
O relatório revela ainda um crescimento nos ataques contra edifícios religiosos. Estima-se que, somente em 2025, aconteceram 1.400 ataques, por volta de 27 por semana. Esses ataques incluem “roubos, profanações, extorsão, incêndio e agressões”. Esse aumento é significativo, especialmente quando comparado a períodos como a década de 1990, quando foram registrados ‘apenas’ 208 ataques anuais, uma média de quatro por semana.
As roupas “não são apenas pedras”, mas “um lugar de refúgio”
Segundo os cálculos do CCM, dos 11 mil templos católicos do país, cerca de 12% sofreram ao menos um ataque por ano. O Padre Omar Sotelo, diretor do CCM, explicou, em entrevista à ACI Prensa, que atacar templos “é um sinal muito importante para desestabilizar uma comunidade, para incitar o medo, para incitar o terror, para manter uma comunidade em silêncio”. Ele destacou que as roupas “não são apenas pedras”, mas “um lugar de refúgio”.
Padre Sotelo ressaltou ainda que os templos representam um espaço para uma comunidade se reunir, não apenas para rezar, mas para se sentir seguro, colaborar, apoiar e ajudar os mais necessários. O diretor do CCM lamentou o fato de que nem todos os ataques sejam denunciados, pois os sacerdotes “sabem que as autoridades, infelizmente, não fazem nada nesses casos”.
A fé de um povo é um direito que exige ser protegido
Apesar de não haver uma perseguição oficial contra a Igreja Católica no México, o relatório destaca que 80% dos crimes apresentam “resultados nulos em termos de justiça e reparos de danos”. A Igreja tem sido “submetida ao reinado da impunidade e onde a perseguição contra ela é estratégica porque constitui um fator de estabilização social e, ainda assim, de contenção da violência”.
“A violência contra o sagrado foi, durante muito tempo, uma crise oculta. Hoje, ela surge impunemente diante de nossos olhos. A fé de um povo é um direito que exige ser protegido, antes que milhões de mexicanos não ofereçam mais segurança nem mesmo nos lugares onde se celebra o mistério do divino”, concluiu. O documento também oferece recomendações para prevenir novos ataques contra pessoas e espaços sagrados. (EPC)






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