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Mãe protesta contra proibição da entrada de crianças em igrejas na China

Na voz de uma mãe, a dor das famílias cristãs na China diante da proibição das crianças assistiram à missa.  “Embora já existissem regras semelhantes anteriormente, as novas regulamentações agora são aplicadas com rigor”.

Redação (26/03/2026 16:37, Gaudium Press) Da agência Zenit chega o testemunho emocionante de Vivian Ren, uma mãe cristã chinesa que levanta a voz contra as restrições impostas pelo governo à participação de menores de 18 anos nas atividades religiosas. Em um país onde a fé é cada vez mais controlada, sua história revela a impotência e a tristeza de milhares de famílias que desejam transmitir a herança espiritual aos filhos desde cedo.

“Muitos fiéis esperam que seus filhos cresçam conhecendo a verdade do Senhor desde tenra idade e aprendam a seguir o caminho correto”, afirma Vivian. Para ela e para inúmeras famílias cristãs, a igreja não é apenas um lugar de culto, mas o espaço natural onde a fé se respira no dia a dia familiar.

Normas que separam religião e infância

Com base no Regulamento atualizado sobre Assuntos Religiosos, órgãos como os Departamentos de Trabalho da Frente Unida e as Escritórios de Assuntos Étnicos e Religiosos de várias províncias — entre elas Shandong, Mongólia Interior, Shanxi e Henan — emitiram regras que impõem uma separação rigorosa entre religião e menores de idade.

Essas normas proíbem expressamente:

– A entrada de crianças e adolescentes em igrejas ou locais de culto para participar de missas ou cultos;

– A organização, por parte das igrejas, de programas de formação juvenil, acampamentos de verão ou de inverno;

– A participação de menores em cerimônias ou debates religiosos em centros comunitários.

Os pais que desejam frequentar as reuniões religiosas são obrigados a organizar o cuidado dos filhos com antecedência. Em muitas igrejas, inclusive as oficialmente reconhecidas (as chamadas “igrejas patrióticas”), cartazes na entrada deixam claro: “Proibida a entrada de menores de 18 anos”.

O dia em que a fé familiar foi barrada na porta

Vivian Ren conta que sua filha demonstrou, desde muito pequena, um amor genuíno pelo Senhor — algo que absorveu naturalmente no ambiente de fé da casa. Animada, ela decidiu levar a menina à missa dominical. No entanto, foram impedidas logo na entrada.

“Detiveram-nos na porta da igreja e nos disseram: ‘As normas governamentais proíbem a entrada de crianças, e há equipes de vigilância instaladas no interior. Os irmãos e irmãs que desejam participar devem primeiro encontrar alguém para cuidar dos filhos’”, relata Vivian.

Naquele momento, toda a família sentiu uma profunda impotência e tristeza. O que deveria ser um momento de alegria e comunhão se transformou em frustração e dor.

Mais que uma simples proibição

O impacto vai além de impedir que as crianças entrem fisicamente nos templos ou participem de atividades. A medida aumenta a carga sobre as famílias, que precisam arranjar cuidados alternativos, e gera um sentimento de arrependimento em muitos pais. “As autoridades podem argumentar que essas medidas são para manter a ordem, mas quando vemos os olhos inocentes das crianças buscando a verdade, sentimos uma profunda tristeza e só podemos rezar por elas”, desabafa a mãe.

Especialistas e observadores da situação religiosa na China veem nessas restrições uma estratégia mais ampla de controle ideológico, que visa limitar a transmissão da fé às novas gerações e reforçar a educação “socialista” e secular promovida pelo Estado.

O desejo de uma mãe que ecoa o de muitos

Vivian Ren resume, com emoção, o anseio de milhares de pais cristãos chineses:

 “Que o farol resplandecente, a cruz bendita e a acolhedora casa do Pai se encham novamente com os risos puros e os cânticos das crianças.”

Seu apelo é simples e poderoso: que as igrejas possam voltar a ser espaços acolhedores para todas as idades, onde a fé seja vivida em família, sem medo ou separação artificial imposta pelo poder público.

Enquanto o governo chinês intensifica o controle sobre as atividades religiosas — especialmente após atualizações recentes no regulamento e novas regras sobre conteúdos online —, vozes como a de Vivian Ren lembram que, para muitos crentes, a liberdade de educar os filhos na fé não é apenas um direito religioso, mas uma responsabilidade sagrada transmitida por gerações.

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