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Luís XIII, varão casto e combativo

Luís XIII, casto e pugnaz, opôs sérios obstáculos à Revolução que corrompia a sociedade de alto a baixo.

Foto: Wikipedia

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Redação (12/02/2026 15:10, Gaudium Press) Filho de Rei Henrique IV e Maria de Médicis, Luís XIII nasceu no Castelo de Fontainebleau, nas cercanias de Paris, em 27 de setembro de 1601. Desde a infância, muito apreciava a caça e a exercia com frequência.

Tendo nove anos de idade, seu pai faleceu vítima de um assassinato. Pouco depois, foi sagrado rei na Catedral de Reims e sua mãe declarada regente. Esta se deixou dominar por um casal de italianos, que causaram grandes males à França e acabaram sendo executados.

Franceses católicos fundaram no Estado do Maranhão – Brasil – a vila de São Luís, que recebeu esse nome em homenagem ao Rei São Luís IX e a Luís XIII, o qual contava onze anos. No dia 8 de setembro de 1612 – festa da natividade de Nossa Senhora –, frades capuchinhos ali rezaram a primeira Missa.

Em 1614, Luís XIII foi declarado maior de idade e Maria de Médicis convocou os Estados Gerais, isto é, reunião dos deputados das três classes que compunham a sociedade: clero, nobreza e povo.

Na assembleia realizada em Paris, no convento dos agostinianos, houve manifestações contrárias à Igreja e à ordem social hierárquica, que preludiavam os Estados Gerais de 1789, no início da Revolução Francesa.

Luís XIII se casou com Ana d’Áustria, filha do Rei Felipe III de Espanha e da Arquiduquesa Margarida d’ Áustria, em novembro de 1615. Era Infanta de Espanha e Portugal, arquiduquesa da Áustria, princesa da Borgonha e dos Países Baixos.

Após 22 anos de matrimônio, tiveram um filho que recebeu o nome Luís Dieudonné – dado por Deus –, o qual se tornou Luís XIV, o Rei Sol.

Protestantes perseguem violentamente a Igreja

O rei Henrique IV, que era protestante e se “converteu” para ocupar o trono de França, assinou, em 1598, o Edito de Nantes que dava liberdade religiosa aos calvinistas.

Eles, que tantos males haviam praticado contra os católicos, continuaram suas perseguições à Igreja. Por exemplo, através de um decreto, ordenaram: “a demolição de todas igrejas, conventos, campanários e outras construções eclesiásticas. Que a celebração de Missas seja proibida em todas as cidades de nosso departamento, principalmente em Montpellier” – Sul da França.

“É assim que os protestantes praticavam a liberdade de cultos!”[1]

No início de sua juventude, Luís XIII “concebeu uma paixão pela guerra e julgou que um grande rei deveria fazer tremer seus inimigos”.[2]

Em 1620, à frente de seu exército, invadiu a capital de Bearn – Sudoeste da França –, dominada pelos calvinistas. Restabeleceu os bens e direitos dos bispos e párocos e dissolveu a milícia composta de hereges.

Capitulação de La Rochelle

Situada às margens do Oceano Atlântico, a cidade de La Rochelle era governada por hereges. Em 1621, proclamou sua independência da França e passou a chamar-se “Nova república de La Rochelle”.

Luís XIII, com seu exército, avançou contra localidades protestantes do Sul de França. Percebendo que o rei queria investir contra La Rochelle, seus chefes pediram auxílio à Inglaterra que enviou grande número de navios para blindá-la.

Em setembro de 1627, o Rei da França, acompanhado de seu exército, iniciou o cerco de La Rochelle a qual capitulou após 14 meses. Flagelados pela fome, de seus 30.000 habitantes restaram somente 5.000.

Richelieu aliou-se a príncipes hereges

O Cardeal Richelieu, ministro de Luís XIII durante vinte anos, favoreceu o absolutismo régio incrementando assim a Revolução.

 “O absolutismo monárquico tende a pôr os súditos, mesmo os mais categorizados, num nível de recíproca igualdade, numa situação diminuída que já prenuncia a aniquilação do indivíduo e o anonimato que chegam ao auge nas grandes concentrações urbanas da sociedade socialista”.[3]

A Guerra dos trinta anos, que retalhou a Europa de 1618 a 1648, foi causada sobretudo pela revolta armada de príncipes hussitas da Checoslováquia contra o Catolicismo estabelecido no Sacro Império Romano Alemão, governado pela Casa de Habsburg.

Durante esse conflito, Richelieu aliou-se a príncipes protestantes da Holanda e Alemanha, rebelou-se contra os Habsburg, traindo a Igreja e a Rainha Ana d’Áustria que pertencia a essa família real.

Financiou o rei protestante da Suécia Gustavo Adolfo e um exército calvinista de Saxe-Weimar – centro da Alemanha. Foi chamado “cardeal dos hereges”.[4]

Consagração da França à Santíssima Virgem

Luís XIII e Ana d’Áustria estavam casados há 22 anos, mas não haviam tido nenhum filho o que causava preocupação quanto ao futuro do país. Em 15 de agosto de1638 – solenidade da Assunção de Nossa Senhora –, o rei consagrou a França à Virgem Maria e ordenou que anualmente nesse dia se fizesse, em todo o país, uma procissão em honra da Mãe de Deus.

Três semanas depois, nasceu o menino que seria o Rei Luís XIV.

Encontrando-se no Castelo de Saint Germain-en-Laye – próximo a Paris –, Luís XIII sofreu fortes ataques de hemoptise e foi visitado por São Vicente de Paulo com o qual manteve conversas durante seis semanas.

Em 14 de maio de 1643, tendo recebido os Sacramentos, entregou sua alma a Deus.

Bom general e valente na guerra

A respeito desse monarca, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira comentou:

“Houve um Rei da França, Luís XIII, que passou à História com o bonito nome de Luís, o Casto, por sua enorme pureza de costumes. Era casado, aliás, com uma das mais nobres e belas princesas da Europa do seu tempo, Ana d’Áustria, Infanta da Espanha, Arquiduquesa d’Áustria e Rainha da França — não se pode possuir mais altos títulos! — e dela teve dois filhos: Luís XIV e Felipe de Orléans.

“Além disso, era um bom general e homem valente na guerra. Não só capaz na direção das tropas, mas desses homens que se expõem, lutam e sabem ser os primeiros na hora do perigo, dando com isso exemplo aos seus soldados.

“É muito bela a conjunção dessas duas virtudes: a castidade e o heroísmo. A maior beleza dessa união de virtudes nós a temos em Santa Joana d’Arc, a virgem guerreira heroica, nascida na Lorena. A castidade é uma virtude cheia de delicadeza e de fragilidade. A coragem é uma virtude plena de fortaleza e de intrepidez. A junção desses opostos forma uma verdadeira maravilha! São como duas partes de uma ogiva que se unem para constituir um todo harmônico muito bonito”.[5]

Sendo a sensualidade uma das causas da Revolução gnóstica e igualitária, a virtude da castidade é fundamental característica da Contra-Revolução. Luís XIII, casto e pugnaz, opôs sérios obstáculos à Revolução que corrompia a sociedade de alto a baixo.

Por Paulo Francisco Martos

Noções de História da Igreja


[1] DARRAS, Joseph Epiphane. Histoire Génerale de l’Église. Paris: Louis Vivès. 1885, v. 36 , p. 541-542.

[2] WEISS, Johann Baptist. Historia Universal. Barcelona: La Educación. 1930, v. X, p. 659.

[3] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Revolução e Contra-Revolução. 10. ed. em português.  São Paulo: Associação Brasileira Arautos do Evangelho. 2024, p. 97-98.

[4] Cf. DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). São Paulo: Quadrante. 1996, v. VI, p. 151-152.

[5] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Estilo “condeano”: força e leveza. In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XVIII, n. 213 (dezembro 2015), p. 30.

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