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França: paroquiano constrói réplica em tamanho real do túmulo de Cristo

Em Lisieux, um paroquiano constrói, em dois meses e meio, uma réplica em tamanho real do túmulo de Cristo usando poliestireno.

Foto: Diocèse de Bayeux-Lisieux/ Facebook

Foto: Diocèse de Bayeux-Lisieux/ Facebook

Redação (07/04/2026 09:57, Gaudium Press) Na cidade de Lisieux, no departamento do Calvados (Normandia, França), uma impressionante estrutura vem chamando a atenção de quem entra na Catedral Saint-Pierre. O que parece, à primeira vista, um bloco maciço de pedra antiga é, na verdade, uma réplica em tamanho real do túmulo de Cristo, inspirada no sepulcro venerado na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém — o coração da memória cristã há quase 17 séculos.

O responsável por essa iniciativa singular é François-Régis Lansen, um simples paroquiano da cidade, que realizou o projeto ao lado da esposa, Annie. Em entrevista ao jornal Ouest-France, ele contou que aceitou o desafio imediatamente: “Eu aceitei na hora”. Em apenas poucos meses — cerca de dois meses e meio, segundo relatos—, o casal de voluntários conseguiu dar forma à réplica em tamanho real.

Contrariando a aparência robusta, a obra não é feita de pedra. “É uma base em poliestireno reforçado, sobre a qual aplicamos um cimento-cola, remodelado em seguida”, explica François-Régis Lansen. A escolha desse material leve permitiu superar as dificuldades técnicas do projeto, mantendo ao mesmo tempo a ilusão de um túmulo antigo de pedra.

A réplica segue fielmente o modelo do túmulo venerado desde os primeiros séculos do cristianismo. De acordo com os Evangelhos, Jesus foi depositado em um sepulcro novo, talhado na rocha, localizado em um jardim próximo ao local da crucificação e fechado por uma grande pedra rolante. Esse túmulo, tradicionalmente atribuído a José de Arimateia, corresponde ao estilo das sepulturas judaicas da época: uma pequena câmara funerária precedida de um espaço onde o corpo era preparado.

A história do Santo Sepulcro de Jerusalém

O túmulo original está localizado no centro da Igreja do Santo Sepulcro, dentro de uma pequena construção chamada edícula. O local foi identificado no século IV, sob o imperador Constantino, após o Edito de Milão que concedeu paz aos cristãos. Desde então, o lugar foi destruído, reconstruído e reformado diversas vezes ao longo dos séculos — por causa de invasões, incêndios e terremotos —, mas nunca perdeu sua continuidade de veneração.

 Edícula, erguida para proteger o Santo Sepulcro Foto: Wikipedia

Edícula, erguida para proteger o Santo Sepulcro Foto: Wikipedia

No Idade Média, o Santo Sepulcro tornou-se o principal destino dos peregrinos ocidentais, apesar das dificuldades impostas pelas sucessivas dominações. As Cruzadas tiveram, em parte, o objetivo de garantir o acesso aos Lugares Santos. No século XX, uma estrutura metálica foi necessária para sustentar a edícula, que passou por uma grande restauração concluída em 2017, ocasião em que parte da rocha original foi novamente redescoberta.

O túmulo propriamente dito possui dois espaços: um vestíbulo (chamado tradicionalmente de Capela do Anjo) e a câmara funerária, onde o corpo de Cristo teria sido colocado sobre uma laje de pedra. Hoje coberta de mármore e cercada de lâmpadas votivas, esse local continua sendo um dos pontos mais sagrados do cristianismo.

Embora historiadores e arqueólogos ainda debatam a precisão exata da localização, a tradição cristã vê ali, há séculos, o túmulo vazio — o grande sinal da Ressurreição.

Uma iniciativa pedagógica e espiritual

Instalada na entrada da catedral de Lisieux, a réplica impressiona pelas dimensões e pelo realismo. Ela reproduz as proporções do original, especialmente o espaço estreito onde o corpo de Jesus teria sido depositado, permitindo que os visitantes tenham uma percepção mais concreta dos relatos evangélicos.

A estrutura, composta por três volumes desmontáveis, foi inaugurada recentemente, justamente no período da Páscoa. Ela se insere em uma abordagem ao mesmo tempo pedagógica e espiritual: compreender melhor o local do túmulo de Cristo, no centro do Mistério Pascal, a passagem da morte para a Vida, e convida os visitantes a uma meditação mais profunda sobre a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Com informações Tribune Chrétienne

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