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Eutanásia: o suicídio é a solução para os problemas?

A jovem espanhola declarou antes de ser submetida à eutanásia: “Não quero que ninguém siga meus passos. Não acho que seja um exemplo de nada”.

Foto: screenshot/ antena3

Foto: screenshot/ antena3

Redação (27/03/2026 08:51, Gaudium Press) Noelia Castillo, de Barcelona, sofreu uma violação coletiva aos 13 anos. Depois do trauma, tentou se suicidar, mas sobreviveu e ficou paraplégica. No dia 26 de março, aos 25 anos, ela foi submetida à eutanásia.

A jovem confirmou em entrevista à emissora espanhola Antena 3 que passaria pelo procedimento, contra a vontade do pai e da mãe, que lutaram na Justiça por cerca de 600 dias:

“Vou ser submetida à eutanásia no dia 26 de março. Ninguém na minha família é a favor, mas a felicidade dos pais não deve vir antes da vida de uma filha. Eu só quero partir em paz e parar de sofrer”, declarou ela em um trecho da entrevista.

A Conferência Episcopal Espanhola divulgou um comunicado se posicionando contra o caso: “Hoje, na Espanha, a morte é apresentada como solução para o sofrimento. Uma dignidade infinita é conduzida à morte por uma ‘sociedade assistencialista’ incapaz de cuidar e amar. Diante disso, surge a esperança do encontro com a Vida.”

A entrevista foi concedida após o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) rejeitar, no início deste mês, os recursos do pai de Noelia para impedir a eutanásia. Ele havia esgotado todas as instâncias judiciais na Espanha.

Com o apoio da Fundação de Advogados Cristãos, o pai tentou barrar o procedimento desde julho de 2024, quando a Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha autorizou a eutanásia após pedido da própria Noelia.

A autorização foi suspensa imediatamente como medida cautelar, depois que o pai argumentou que o ato causaria “danos irreparáveis”. Seus recursos se baseavam no diagnóstico da filha de transtorno de personalidade, transtorno obsessivo-compulsivo e ideia fixa suicida de longa data, o que, segundo ele, comprometeria a capacidade dela de tomar decisões.

Ele e a fundação alegavam que Noelia precisava de acompanhamento psiquiátrico e que seus distúrbios psicológicos lhe conferiam uma incapacidade de 67%, que subiu para 74% após a tentativa de suicídio.

No entanto, os tribunais entenderam que o pai não tinha legitimidade para recorrer, pois Noelia era maior de idade e não apresentava incapacidade mental. Os juízes concluíram que ela tinha plena capacidade para solicitar a eutanásia e que todas as condições legais estavam preenchidas.

O pai recorreu da decisão ao Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, que reconheceu seu direito de recorrer, mas rejeitou o pedido por falta de comprovação da incapacidade da filha. Em seguida, ele levou o caso ao Supremo Tribunal, ao Tribunal Constitucional e, por fim, ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos — todos mantiveram a autorização.

Nesta quarta-feira, foi feita uma última tentativa de suspender o procedimento: pediram a um juiz de Barcelona que exigisse tratamento psiquiátrico antes de permitir a eutanásia, mas o pedido foi negado.

O Arcebispo Luis Argüello, de Valladolid e presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), afirmou que oferecer a eutanásia em um caso como o de Noelia mostra que “tudo é permitido”.

“Se a morte provocada é a solução para os problemas, tudo é permitido. Um médico não pode ser o executor de uma sentença de morte, por mais legal, justificada e compassiva que pareça. Oremos por Noelia; seu sofrimento é comovente, mas seu verdadeiro alívio não está no suicídio”, declarou o arcebispo.

O bispo José Ignacio Munilla, de Orihuela-Alicante, também comentou o caso nas redes sociais: “Algumas pessoas confundem acompanhamento com aprovação” e “quando a lei apoia o ato de tirar uma vida, algo essencial na lei foi violado”.

A eutanásia foi realizada pelo médico que estava sozinho na sala com ela, um procedimento de 15 minutos que envolve três medicamentos e um sedativo principal.

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