Em breve, haverá mais católicos do que evangélicos nos EUA
O motor do crescimento é uma fé vivida de forma renovada pelos jovens.

Interior da Catedral de Green Bay
Redação (24/03/2026 09:29, Gaudium Press) Enquanto muitos analistas falam em declínio da religião no Ocidente, um novo relatório revela uma realidade diferente nos Estados Unidos: a fé não está desaparecendo, mas se reconfigurando. Segundo Pablo Mariñoso, pesquisador do CEU-CEFAS, na Espanha, o país vive um verdadeiro renascimento religioso, marcado por um retorno às raízes tradicionais. “Mais além das modas culturais, as pessoas estão voltando a crer”, afirma o investigador.
De acordo com os dados analisados, o cristianismo continua sendo a crença majoritária, professada por cerca de 62% da população adulta americana. No entanto, a composição interna desse grupo está mudando de forma significativa.
Católicos em ascensão, evangélicos ainda na frente (por enquanto)
Dentro do cristianismo, os evangélicos representam atualmente 23% da população, enquanto os católicos já chegam perto dos 20% e seguem em crescimento constante. Mariñoso arrisca uma previsão ousada: “Em muito pouco tempo, vamos ver como nos Estados Unidos vai haver mais católicos que evangélicos”.
O relatório compara dados entre 2007 e 2023 e mostra uma clara tendência: as denominações que crescem são exatamente aquelas que mantêm uma identidade mais tradicional. Igrejas e grupos que preservam a liturgia, valorizam a formação doutrinal e oferecem uma mensagem clara e sem concessões ao espírito da época são os que se mantêm firmes e atraem novos fiéis.
Já as denominações mais progressistas ou acomodadas aos “sinais dos tempos” registram queda. “As que são mais progressistas, as que são mais acomodatícias com os sinais dos tempos… estão caindo”, observa Mariñoso. Em contrapartida, “aquelas que mantêm uma identidade opcional clara, um apreço pela liturgia e pela formação se mantêm e crescem”. Para o pesquisador, esse renascimento tem um “nome”: tradição.
Os jovens são os protagonistas da mudança
Um dos aspectos mais marcantes do fenômeno é o papel dos jovens. Mariñoso destaca que, entre os jovens, já se consolidou a ideia de que eles não são o futuro da Igreja, mas sim o presente.
Segundo o pesquisador, os jovens norte-americanos perceberam que, ao viverem sua fé com naturalidade, podem ser “agentes de mudança”. Isso se reflete no crescimento de movimentos universitários como o FOCUS (Fellowship of Catholic University Students) ou na alta participação em congressos eucarísticos e em peregrinações.
Esse crescimento não é tanto “horizontal” (com conversões em massa), mas sim “vertical”, uma conversão interior profunda. Mariñoso descreve como “um crescimento para baixo, que, no fundo, é um crescimento para cima”. Os jovens estão aprofundando sua fé, vivendo-a de forma mais plena e autêntica.
Nesse contexto, o papel dos leigos ganha uma dimensão nova e decisiva, liderando grupos de estudo bíblico, ou atuando como referências intelectuais, eles assumem protagonismo na evangelização. Segundo os especialistas, esse modelo pode chegar em breve à Europa.
Fatores que impulsionam o renascimento
O fenômeno não surge do nada. Mariñoso aponta uma confluência de elementos favoráveis:
– A forte imigração hispana, que traz consigo uma vitalidade católica renovada;
– A maior presença de católicos na vida pública, como o Tribunal Supremo e as câmaras legislativas;
– E a esperança de que o primeiro Papa norte-americano poderia dar “uma voz nítida” aos fiéis de um país que ele conhece bem.
O relatório de Pablo Mariñoso serve de alerta e de esperança: em tempos de secularização acelerada, a tradição não é um peso do passado, mas a chave para o futuro da fé.
Com informações COPE





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