Crimes de ódio anticristão são agora comuns na Europa
Há uma crescente agressão particularmente contra cristãos com convicções conservadoras, ressaltou a diretora do Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC Europa).

Foto: Cathopic/Kiki Garcia.
Redação (10/02/2026 09:44, Gaudium Press) A Alemanha enfrenta um crescimento preocupante nos crimes motivados por ódio ou intolerância contra cristãos. De acordo com as estatísticas oficiais da polícia alemã, em 2024, foram registrados 337 crimes anticristãos, o que representa um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Esse número inclui atos de vandalismo em igrejas, incêndios criminosos, intimidações e violências físicas. No entanto, especialistas alertam que o número real pode ser significativamente maior devido à subnotificação e ao baixo índice de resolução desses crimes. Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa
Anja Tang, diretora do Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC Europe), sediado em Viena, concedeu uma entrevista ao jornal Die Welt destacando essa preocupante tendência. Segundo ela, “o número de crimes anticristãos aumentou fortemente nos últimos anos”. Apenas no mês anterior à entrevista, quatro igrejas foram alvo de incêndios criminosos na Alemanha. O problema se agrava pelo fato de que o taxa de esclarecimento dos casos de vandalismo é de apenas cerca de 1%. Muitos incidentes nem chegam ao conhecimento público, e raramente se conhece o contexto ou os autores, exceto quando mensagens explícitas são deixadas pelos criminosos.
Relatórios complementares, como o do OIDAC Europa e do Centro Europeu para o Direito e a Justiça (ECLJ), confirmam o cenário. Em nível europeu, foram documentados 2.211 crimes de ódio anticristãos em 2024, incluindo 274 agressões físicas e 94 incêndios contra igrejas ou bens cristãos — quase o dobro do ano anterior. A Alemanha aparece entre os países mais afetados, com 33 incêndios registrados apenas nesse país, o maior número no continente. As estatísticas policiais alemãs focam em crimes com motivação política, o que exclui muitos atos de intolerância religiosa, levando a subcontagens. Organizações da sociedade civil registraram 134 casos adicionais no país em 2024.
Intolerância religiosa
Atualmente, existe uma ampla corrente social de atitudes hostis aos cristãos, como se pode ver nas pesquisas de opinião. Anja Tang vai além dos números e aponta para um problema mais profundo na sociedade alemã (e europeia): uma visão de mundo pós-cristã que valoriza a autonomia absoluta e rejeita qualquer opinião divergente. Isso gera ataques politicamente motivados, mas também leva à autocensura entre os cristãos. Muitos evitam expressar opiniões sobre temas como aborto, família ou casamento no ambiente de trabalho, ou em espaços públicos, por medo de consequências sociais ou profissionais.
A diretora do OIDAC destaca que os ensinamentos da Igreja Católica sobre a dignidade humana, a proteção da vida pré-natal e a família como melhor ambiente para as crianças permanecem inalterados há 2 mil anos. “Não é a Igreja que se deslocou para a direita; é a sociedade que mudou suas posições”, afirma. No entanto, quando a Igreja se posiciona, a mídia frequentemente retrata isso como um “deslize conservador” ou radicalização.
Viés na cobertura midiática
Tang critica duramente a representação negativa do cristianismo na mídia alemã, especialmente nas emissoras públicas. Ela cita títulos de documentários ou reportagens como “Cruzada da direita”, “Cristãos radicais” ou “Com Jesus contra a liberdade?”, que já revelam um viés antes mesmo do conteúdo. “Parece mais lobby militante do que jornalismo”, afirma.
Um exemplo marcante é a oração pública do ex-jogador de futebol brasileiro Kaká, apresentada como “proselitismo perigoso”. Em contraste, quando o jogador muçulmano Antonio Rüdiger fez um gesto interpretado por alguns como demonstração de força islâmica, o telejornal Tagesschau rapidamente convidou um especialista que afirmou que Rüdiger não era um radical, e que a situação precisava ser contextualizada para evitar qualquer “instrumentalização pela direita”. Tang frisa, assim, que as questões religiosas não são tratadas com a mesma sensibilidade.
Ataques políticos
Politicamente, Tang observa uma assimetria: cristãos que se engajam com base em valores tradicionais enfrentam questionamentos sobre sua legitimidade, enquanto aqueles com visões de esquerda não recebem a mesma crítica.
Ela destaca o crescimento de agressões por parte de militantes de esquerda contra cristãos conservadores nos últimos dez anos. Um caso emblemático é o café cristão Stay, em Leipzig, que sofreu 24 ataques de extrema-esquerda, incluindo alguns com ácido butírico. O pessoal agora teme pela segurança, e a situação não mostra sinais de melhora.
Tang acusa a esquerda de dogmatismo: “Enquanto critica o dogmatismo alheio, a esquerda recorre à violência contra quem discorda de suas convicções”. Isso se reflete em universidades, onde palestrantes cristãos são desconvidados ou eventos cancelados por defenderem visões tradicionais sobre casamento ou gênero.
O crescimento da intolerância anticristã na Alemanha e na Europa não é apenas estatística, mas representa um atentado à liberdade religiosa. Com efeito, em seu discurso de 9 de janeiro passado, aos membros do corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, o Papa Leão XIV denunciou a perseguição contra os cristãos:
“No entanto, não se pode ignorar que a perseguição aos cristãos continua a ser uma das crises de direitos humanos mais difundidas atualmente, afetando mais de 380 milhões de crentes em todo o mundo, os quais sofrem níveis elevados ou extremos de discriminação, violência e opressão devido à sua fé. O fenômeno afeta aproximadamente um em cada sete cristãos a nível global e, em 2025, agravou-se por causa dos conflitos em curso, dos regimes autoritários e do extremismo religioso. Infelizmente, todos estes dados mostram que, em muitos contextos, a liberdade religiosa é considerada mais um “privilégio” ou uma concessão do que um direito humano fundamental”.





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