Coreia: avança a causa de beatificação do Venerável Thomas Choe Yang-eop
Pe. Thomas Choe Yang-eop foi o segundo sacerdote coreano, e seguiu os passos de São André Kim Tae-gon. Ele é o primeiro não-mártir da Coreia a caminho da canonização.
Redação (02/04/2026 15:13, Gaudium Press) A Igreja na Coreia do Sul vive um momento de grande esperança e alegria. Recentemente, o Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano, reconheceu como milagrosas as curas atribuídas à intercessão do Venerável Thomas Choe Yang-eop, o segundo padre coreano da história. Com efeito, sete especialistas médicos reconheceram, “após longas discussões, que os casos apresentados constituíam curas milagrosas alcançadas por intercessão do Pe. Choe Yang-eop. Essa aprovação, anunciada pela Conferência dos Bispos Católicos da Coreia (CBCK) no final de março de 2026, representa um passo importante rumo à sua beatificação.
Nascido em 1º de março de 1821, na província de Chungcheong, na Coreia, da dinastia Joseon, Thomas Choe Yang-eop veio de uma família profundamente marcada pelo sangue dos mártires. Seu pai, São Francisco Choe Gyeong-hwan, foi martirizado em 1831 e canonizado por São João Paulo II em 1984. Sua mãe, Beata Maria Yi Seong-rye, foi beatificada pelo Papa Francisco em 2014. Crescer em um lar católico clandestino, sob constante ameaça de perseguição, moldou desde cedo sua vocação.
Ainda adolescente, Thomas foi escolhido para estudar no seminário. Em 1836, partiu com outros jovens, entre eles o futuro São André Kim Tae-gon (o primeiro padre coreano e mártir), rumo a Macau, então um importante centro missionário. A jornada foi cheia de dificuldades: viagens por mar, estudos interrompidos, mudanças forçadas para Manila e para a Manchúria, na China, por causa de instabilidades políticas e perseguições. Ordenado diácono em 1844, ele só recebeu a ordenação sacerdotal em 15 de abril de 1849, em Xangai, pelas mãos do bispo Francesco Xavier Maresca.
De volta à Coreia em dezembro de 1849, o Padre Thomas dedicou os 12 anos seguintes de sua vida ao cuidado das comunidades católicas clandestinas. Naquela época, missionários estrangeiros tinham grande dificuldade de entrar no país, e os fiéis viviam na clandestinidade, sujeitos a prisões, torturas e execuções. Sozinho, o sacerdote coreano percorria vilarejos remotos, muitas vezes a pé, caminhando em média 2.800 quilômetros por ano. Ele visitava mais de 120 comunidades, atendia confissões, celebrava sacramentos, ensinava a doutrina e fortalecia a fé de milhares de cristãos. Por esse incansável esforço apostólico, ganhou o título de “Mártir do Suor” – um mártir não pelo sangue derramado, mas pelo suor derramado no serviço generoso a Cristo e à Igreja.
Além do ministério itinerante, o Padre Thomas deixou um legado intelectual: traduziu livros de catecismo do chinês para o coreano e adaptou ensinamentos católicos em versos para facilitar o aprendizado dos fiéis. Escreveu também cartas em latim, que revelam sua profunda vida espiritual e seu amor pela Igreja nascente na Coreia.
Sua saúde, porém, não resistiu ao esgotamento. Em junho de 1861, aos 40 anos, contraiu febre tifoide e faleceu em Jincheon, na província de Chungcheong. Seus restos mortais repousam hoje na colina atrás do seminário de Baeron, um lugar significativo para a Igreja coreana.
A causa de beatificação e canonização do Venerável Thomas Choe Yang-eop começou oficialmente em 2004. Em 2016, o Papa Francisco reconheceu suas virtudes heroicas, concedendo-lhe o título de Venerável. Diferentemente da maioria dos mártires coreanos (como os 103 canonizados em 1984), sua causa exige a comprovação de milagres, pois ele não morreu em martírio sangrento, mas como confessor da fé. A recente aprovação médica sobre as curas atribuídas a ele é, portanto, um marco histórico: trata-se dos primeiros milagres oficialmente reconhecidos em processos de canonização na Igreja coreana para um não-mártir.
Dom Simon Kim Jong-kang, bispo e presidente da Comissão Especial de Beatificação e Canonização da CBCK, convidou todos os católicos coreanos a intensificarem as orações para que o Papa aprove os milagres e o declare Beato o quanto antes.
Em um mundo que ainda hoje persegue cristãos em muitas regiões, seu exemplo de pastor itinerante, disposto a caminhar quilômetros para levar Cristo, inspira sacerdotes, seminaristas e leigos a viverem com generosidade a própria vocação.
Que o Venerável Thomas Choe Yang-eop interceda pela Igreja na Coreia e no mundo inteiro, especialmente pela evangelização em terras onde a fé precisa ser vivida na clandestinidade.






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