Bullying
Os agressores excluem ou isolam a vítima do grupo, impedindo-a de participar de atividades em grupo; utilizam apelidos pejorativos, insultos, zombaria, agressões verbais, emocionais, simbólicas ou físicas, inclusive danificam objetos pessoais da vítima.

Foto: Unplash / La Fabbrica dei Sogni
Redação (01/03/2026 10:36, Gaudium Press) O bullying, uma das mais graves formas de violência no convívio humano, afeta especialmente crianças e adolescentes em idade escolar. Esse assédio contínuo ganhou proporções alarmantes com a expansão das redes sociais nos últimos anos. Antigamente, o fim das aulas representava um alívio psicológico para as vítimas, um momento de pausa no sofrimento. Hoje, o assédio se estende pelas 24 horas do dia, todos os dias da semana, eliminando qualquer refúgio. Ele se estabeleceu na sociedade e na mídia de maneira definitiva.
As consequências psicológicas são devastadoras: baixa autoestima, depressão, ansiedade, autolesões e, em casos extremos, tentativas de suicídio. Além disso, há impactos diretos no desempenho escolar. O aluno começa a faltar às aulas com frequência, o que, na maioria das vezes, evolui para o abandono definitivo dos estudos. A criança ou adolescente que antes demonstrava entusiasmo e disposição para frequentar a escola passa a rejeitar completamente esse ambiente. Ele evita sair de casa, isola-se cada vez mais e adota uma postura retraída, fechada e distante.
A reconhecida organização Libres de Bullying, fundada pela psicopedagoga argentina María Zysman com o propósito de prevenir, detectar e intervir em casos de bullying no ambiente escolar, alerta que essa forma de violência pode ocorrer em qualquer espaço de convívio entre crianças e jovens: na escola, no clube esportivo, em centros de educação não formal ou mesmo online. “Crianças ou adolescentes decidem, de forma mais ou menos explícita, isolar um colega. Para alcançar esse objetivo, buscam, e conseguem, humilhá-lo por meios emocionais, verbais, simbólicos ou físicos”.
Os agressores excluem ou isolam a vítima do grupo, impedindo-a de participar de atividades coletivas; utilizam apelidos pejorativos, insultos, zombaria, agressões verbais, emocionais, simbólicas ou físicas, inclusive danificam objetos pessoais da vítima.
Cyberbullying
Com o avanço da tecnologia, surge o cyberbullying, que amplifica o problema: por meio de chats, e-mails, redes sociais ou sites, os agressores espalham rumores falsos, fotos ou vídeos humilhantes. Diferentemente do bullying presencial, o cyberbullying deixa marcas permanentes — o conteúdo fica registrado na internet, acessível a qualquer momento, prolongando o sofrimento da vítima indefinidamente e intensificando o dano psicológico.
Essa violência, exercida de maneira intencional, gera profundos danos emocionais, psicológicos e até físicos. A intimidação constante do agressor, somada à passividade ou cumplicidade silenciosa dos espectadores (que, por omissão ou aprovação indireta, reforçam o ciclo destrutivo), agrava a situação. As vítimas perdem sua vitalidade, andam deprimidas, de cabeça baixa, com depressão, dores de cabeça ou estômago decorrentes do estresse psicológico, e escondem o problema por medo ou vergonha. Sem deixar de considerar a perda de amigos…
Meninos tendem a sofrer mais bullying físico, enquanto meninas enfrentam com maior frequência o psicológico. Os motivos variam: aparência física, nacionalidade, gênero, deficiência, religião ou qualquer característica que os agressores usem para justificar a perseguição. Trata-se de uma conduta repetida e intencional de um ou mais alunos contra outro, que não consegue se defender sozinho, gerando os efeitos negativos já mencionados.
O bullying é muito mais comum do que se imagina e representa, no âmbito educacional, um dos maiores desafios da atualidade. Focar apenas no rendimento acadêmico, sem priorizar a formação em valores como respeito, solidariedade e caridade fraterna, resulta em uma visão limitada da situação atual da educação e do convívio entre crianças e adolescentes.
De acordo com dados recentes da UNICEF e da Organização Pan-Americana da Saúde, um em cada quatro adolescentes na América Latina sofre bullying escolar, tornando a região uma das mais afetadas pelo problema. Estudos anteriores, como os da ONG Plan International, já apontavam a América Latina como a área com maior prevalência média de casos de bullying. Especializada em direitos da criança, ela estima que 70% das crianças sofreram, direta ou indiretamente, com bullying nos últimos anos. Muitas vítimas tentam esconder a situação, sentindo-se impotentes, envergonhadas, e não querem tornar seu sofrimento público porque temem ser ridicularizadas ou sofrer algo pior.
A UNICEF lista alguns sinais de alerta que podem indicar que uma criança ou adolescente está sendo vítima de bullying:
– Marcas físicas inexplicáveis;
– Medo de ir à escola ou participar de eventos escolares;
– Ansiedade frequente;
– Poucos amigos ou isolamento social;
– Queda no rendimento escolar;
– Busca constante pela proximidade de adultos;
– Dificuldades para dormir;
– Queixas frequentes de dores físicas sem causa aparente;
– Uso excessivo do celular ou internet, com comportamento reservado sobre o que vê;
– Irritabilidade, agressividade ou explosões de raiva.
Apoio familiar e aproximar-se de Deus
María Zysman, fundadora da Libres de Bullying, destaca com preocupação o aumento de casos de suicídio entre crianças e adolescentes, um tema ainda tratado como tabu. Especialistas em saúde mental observam, há anos, um crescimento alarmante de tentativas de suicídio nessa faixa etária. “Muitas vezes pensa-se que o suicídio de uma criança não é possível, mas está aumentando de forma alarmante. Existem várias causas. O bullying pode ser um fator desencadeante, tal como outros, para trazer à tona algo que já estava latente”, afirma María Zysman. Ela também alerta para o cuidado ao divulgar esses tristes casos, “considerando o impacto na vida dos colegas dessas crianças”.
Diante dessa realidade que pode surgir em nosso próprio entorno, o primeiro passo é o apoio familiar: fazer com que a criança ou jovem sinta que não está sozinho. Incentive-o a seguir em frente. Ouvir, conversar e confiar um no outro gera um espaço para o diálogo.
Em muitos casos, é essencial buscar ajuda profissional: acompanhamento psicológico e, se necessário, médico. Quando confirmado o bullying, deve-se informar imediatamente à direção da escola para que medidas sejam tomadas.
Quando os homens se afastam de Deus, pior ainda, quando viram as costas a Deus, as consequências são o desastre que vivemos, e o bullying é uma delas. A humanidade entrou num precipício que, sem a graça de Deus, sem santidade, parece que ninguém poderá deter o seu caminho fatídico.
Que a Virgem Santíssima, Mãe da Misericórdia, proteja todas as crianças, adolescentes e jovens dessa triste “epidemia” do bullying.
Por Pe. Fernando Gioia, EP.
(Publicado originalmente na La Prensa Gráfica de El Salvador, 1º de março de 2026)





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