Audiência Geral: leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo
A catequese de hoje reforça que o apostolado de todos os batizados, e não apenas o dos clérigos, deve estender-se ao mundo inteiro, penetrado do espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim.
Redação (01/04/2026 09:31, Gaudium Press) Na audiência geral desta quarta-feira, 1º de abril, o Papa Leão XIV deu continuidade ao seu ciclo de catequeses sobre a constituição dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II. Diante de cerca de 15 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro — apesar do tempo primaveril instável —, o Pontífice refletiu sobre o papel dos leigos no Povo de Deus.
Após tratar, na semana anterior, da dimensão hierárquica da Igreja, o Santo Padre concentrou sua reflexão na missão específica dos fiéis leigos. Ele lembrou que, durante séculos, a Igreja os definiu de forma negativa, simplesmente como “aqueles que não são clérigos nem consagrados”. O Concílio Vaticano II mudou profundamente essa visão.
“Um só é, pois, o Povo de Deus: ‘um só Senhor, uma só fé, um só Batismo’ (Ef 4,5); comum é a dignidade dos membros pela regeneração em Cristo; comum a graça da adoção filial, comum a vocação à perfeição; um só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa”, afirmou o Papa, citando o número 32 de Lumen Gentium.
O Concílio não apenas reafirma a igualdade fundamental entre todos os batizados, como também destaca “a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus” (cf. LG 9).
Os leigos formam o Corpo de Cristo
O Papa perguntou: “onde se fundamenta esta missão [dos leigos] e em que consiste?” A resposta está no próprio Concílio:
“Por leigos entendem-se aqui todos os fiéis cristãos […] que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes a seu modo da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo” (LG 31).
Leão XIV enfatizou que o Povo de Deus não é uma massa informe, mas o Corpo de Cristo, uma “comunidade estruturada organicamente”, graças à relação fecunda entre duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial. Assim, em virtude do Batismo, os leigos participam verdadeiramente do mesmo sacerdócio de Cristo.
Uma Igreja em saída para o mundo
Desenvolvendo o tema, o Papa citou a exortação apostólica Christifideles laici, de São João Paulo II (1988), que chamou todos os leigos — homens e mulheres — a trabalhar na “vinha” do Senhor.
“O vasto campo do apostolado dos leigos não se limita ao espaço da Igreja, mas se estende ao mundo”, afirmou o Pontífice. A Igreja está presente onde quer que seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: nos locais de trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas. É ali, por meio de suas escolhas cotidianas, que os leigos mostram a beleza da vida cristã, antecipando já agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus.
O mundo precisa “ser penetrado do Espírito de Cristo para alcançar mais eficazmente o seu fim na justiça, na caridade e na paz” (LG 36). E isso só é possível, destacou Leão XIV, “com a contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos!”.
Ao final, o Papa retomou uma expressão do Papa Francisco — a de uma “Igreja em saída” — e a desenvolveu: trata-se de uma Igreja “encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus e portadores da alegria de Cristo que encontramos!”.






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