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Audiência Geral: Igreja é sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos

Nesta Quarta-feira de Cinzas, o Papa Leão XIV prosseguiu com sua série de catequeses sobre o Concílio Vaticano II, refletindo sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, destacando que a Igreja “é o mistério que se torna perceptível e é um sinal de reconciliação em meio a uma humanidade ainda fragmentada”. 

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Redação (18/02/2026 09:36, Gaudium Press) Na Audiência Geral desta Quarta-feira de Cinzas, realizada na Praça de São Pedro, Leão XIV prosseguiu o ciclo sobre os documentos do Concílio Vaticano II com a primeira catequese dedicada à Constituição Lumen Gentium sobre a Igreja, intitulada O Mistério da Igreja, sacramento da união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, depois de ter passado as últimas semanas refletindo sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina.

O Papa recordou como as últimas catequeses têm refletido sobre vários aspectos da Revelação Divina, observando que, em particular, vimos como Deus escolheu revelar-se, dando a conhecer o amoroso mistério do Seu plano divino de unir todas as pessoas a Si por meio de Seu Filho, Jesus Cristo.

A origem e a missão da Igreja só podem ser compreendidas dentro desse mistério do amor de Deus. E o Papa explica que falar do “mistério” da Igreja não significa expressar “algo obscuro ou incompreensível”, mas “uma realidade que antes estava escondida e agora foi revelada”.

Essa realidade é o plano de Deus: “unificar todas as criaturas graças à ação reconciliadora de Jesus Cristo, ação que se concretizou na sua morte na cruz”. E isso é vivenciado, antes de tudo, na assembleia reunida para a celebração litúrgica. “Ali”, disse ele, “as diversidades são relativizadas, o que importa é estar juntos porque atraídos pelo Amor de Cristo, que derrubou o muro de separação entre pessoas e grupos sociais”.

Para São Paulo, recordou o Papa Leão, “o mistério é a manifestação daquilo que Deus quis realizar para toda a humanidade” e se revela nas experiências locais, que gradualmente se ampliam para incluir todos os seres humanos e até mesmo o cosmos.

Atraída pela Cruz, suprema manifestação do amor de Deus, a humanidade é assim convocada à assembleia, ekklesia, por Deus. Este é o significado da palavra Igreja, ou seja, “assembleia de pessoas que reconhecem ter sido convocadas”. Assim, Leão XIV enfatizou que “há uma certa coincidência entre esse mistério e a Igreja: a Igreja é o mistério que se torna perceptível.”

Sob essa perspectiva, o Santo Padre refletiu sobre a Igreja como sacramento, ou sinal, e instrumento desse plano de salvação; um sinal porque a comunidade da Igreja torna visível ao mundo de hoje a unidade estabelecida por Cristo através da sua Cruz e Ressurreição, e também um “instrumento”, porque é através da Igreja que Deus alcança o seu objetivo de unir as pessoas a Si e reuni-las.

“O uso do termo ‘sacramento’ e a explicação que dele decorre visam indicar que a Igreja é, na história da humanidade, “a expressão daquilo que Deus deseja realizar; por isso, olhando para ela, compreende-se de certa forma o desígnio de Deus, o mistério: neste sentido, a Igreja é sinal. Além disso, ao termo “sacramento” acrescenta-se também o de “instrumento”, exatamente para indicar que a Igreja é um sinal ativo”. De fato, quando Deus age na história, envolve em sua atividade as pessoas que são as destinatárias de sua ação. É por meio da Igreja que Deus alcança seu objetivo de unir as pessoas a si e reuni-las.”

Assim, esta é a “experiência da salvação”. No n. 48 da Lumen Gentium, afirma-se que Cristo, “ressuscitado dentre os mortos (Rm 6,9), infundiu nos discípulos o seu Espírito vivificador e por Ele constituiu a Igreja, seu corpo, como universal sacramento de salvação; sentado à direita do Pai, atua continuamente na terra, a fim de levar os homens à Igreja e os unir mais estreitamente por meio dela e, alimentando-os com o seu próprio corpo e sangue, os tornar participantes da sua vida gloriosa”.

Este texto, para Leão XIV, permite-nos compreender “a relação entre a ação unificadora da Páscoa de Jesus, mistério de paixão, morte e ressurreição, e a identidade da Igreja”.

Papa Leão XIV concluiu, agradecendo a Deus “por pertencer à Igreja, corpo de Cristo ressuscitado e único povo de Deus peregrino na história, que vive como presença santificadora no meio de uma humanidade ainda fragmentada, como sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos”.

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