Arcebispo de Caracas no centro de polêmica por suposta proximidade com o regime anterior
A Arquidiocese de Caracas está no centro de uma grave polêmica após negar categoricamente as acusações de chantagem política contra Mariana González de Tudares.

Dom Biord – Foto: Agência InfoSalesiana
Redação (22/01/2026 15:18, Gaudium Press) Mariana González de Tudares, filha do candidato presidencial da oposição Edmundo González Urrutia, denunciou publicamente ter sido vítima de três episódios de chantagem, “provenientes de pessoas ligadas às autoridades deste país, bem como de pessoas relacionadas à Igreja e de indivíduos que alegavam representar organizações importantes”. Segundo ela, em uma reunião coordenada pela Arquidiocese de Caracas, funcionários do regime pediram que ela convencesse seu pai a renunciar às suas aspirações políticas em troca da libertação de seu esposo, Rafael Tudares Bracho.
Rafael Tudares foi condenado a 30 anos de prisão por terrorismo e conspiração. Como Tudares não participava publicamente de atividades políticas, organizações de direitos humanos consideram uma forma de pressão política contra seu sogro, Edmundo González Urrutia, reconhecido por muitos como o vencedor das eleições presidenciais de 2024. A jovem mãe só conseguiu visitar o marido pela primeira vez na semana passada, após mais de um ano de detenção.
Resposta do Arcebispo Raúl Biord
Em um comunicado oficial divulgado em 20 de janeiro de 2026, o arcebispo metropolitano de Caracas, Dom Raúl Biord Castillo, rejeitou veementemente as acusações. “Em nenhum momento se realizou na arquidiocese qualquer ‘chantagem’ ou pressão a familiares de detentos nem a ninguém”.
A arquidiocese destacou sua tradição histórica de mediação em favor de presos políticos, ressaltando que “atendemos a numerosos familiares de presos políticos, aos quais acompanhamos pastoralmente, sem nenhum interesse além de procurar seu bem”. O texto expressou compreensão pelo sofrimento de Mariana González de Tudares e apoio ao seu pedido pela libertação do esposo, reafirmando que as portas do arcebispado permanecem abertas para quem precisar.
Contexto polêmico do atual arcebispo
O próprio nomeação de Dom Raúl Biord, ocorrida há cerca de um ano e meio, já vinha cercada de controvérsias. Fontes vaticanas consultadas pelo site The Pillar Catholic indicaram que sua escolha para a arquidiocese de Caracas teria sido para impedir que o governo venezuelano vetasse a nomeação e para evitar um impasse como o que ocorreu quando o Cardeal Baltazar Porras ocupou o cargo de administrador apostólico de Caracas por quase cinco anos até o regime venezuelano finalmente permitir sua nomeação como arcebispo.
O contraste com seu antecessor, o Cardeal Baltazar Porras — uma das vozes episcopais mais críticas ao regime chavista — é dramático. Fontes da arquidiocese apontam que Biord teria retirado o apoio financeiro e o direito de residência oficial de Porras como arcebispo emérito, forçando-o a morar em uma paróquia de Caracas. Recentemente, em dezembro passado, o Cardeal Porras teve seu passaporte confiscado no aeroporto de Maiquetía ao tentar viajar para a Espanha via Colômbia, ficando retido por várias horas — episódio interpretado por críticos como retaliação política.
Além disso, imagens de Dom Biord sorrindo ao lado de Nicolás Maduro em uma reunião, em agosto de 2024, somadas a uma missa recente na qual ele se rezou pela libertação do Maduro e uma diretriz interna de “política zero” em relação a denúncias sobre a situação do país, alimentam rumores de uma cooperação excessiva com o governo.
Um funcionário do Vaticano teria declarado ao The Pillar que “Biord foi nomeado em Caracas porque era um bispo jovem em uma diocese que há tempo não tinha um projeto de longo prazo e porque não seria vetado pelo governo venezuelano. Mas ele demonstrou não estar à altura das circunstâncias e não compreender a dimensão profética de seu ministério”.
Rafael Tudares Bracho libertado da prisão
Nesta quinta-feira, 22 de janeiro, após esta denúncia, Mariana González de Tudares, escreveu no X: “Informo que, após 380 dias de detenção arbitrária e injusta e após ter sofrido, durante mais de um ano, uma situação desumana de desaparecimento forçado, meu esposo Rafael Tudares Bracho voltou para casa esta madrugada“.
Com informações The Pillar





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