Arautos do Evangelho: ordenação de 31 diáconos
Na alegria da Ressurreição do Senhor, os Arautos do Evangelho viveram um momento de graça singular com a ordenação de 31 diáconos.

Fotos: Sergio Cespedes
Redação (11/04/2026 16:47, Gaudium Press) Neste 11 de abril, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, Caieiras, São Paulo, um numeroso e devoto público acompanhou, com alegria e recolhimento, a ordenação de 31 novos diáconos da Sociedade Apostólica Virgo Flos Carmeli, conferida por Dom Fernando José Monteiro Guimarães, C.Ss.R., arcebispo militar emérito.
A palavra “diácono” provém do grego diákonos e significa “servidor”. Aquele que recebe a Ordem do Diaconado coloca-se inteiramente a serviço da Igreja: a serviço de Deus, a serviço dos irmãos e a serviço dos seus pastores. O diácono não é servo por imposição, mas por amor. Ser diácono é o primeiro passo dentro da ordem eclesiástica. Instituído pelos Apóstolos, este ministério foi sendo progressivamente enriquecido ao longo dos séculos pela Tradição viva da Igreja, tornando-se um serviço essencial à vida eclesial, marcado pela caridade, pela Palavra e pelo altar.
Homilia de Dom Guimarães na Cerimônia de Ordenação diaconal:
1. Há mais de vinte anos, no dia 15 de junho de 2005, na Basílica do Carmo, em São Paulo, foram ordenados os primeiros sacerdotes Arautos do Evangelho, entre eles o saudoso fundador, Monsenhor João Clá, de venerada memória. Cumpria-se assim um sonho acalentado pelo fundador.
Na ocasião, um sacerdote redentorista, que trabalhava na então Congregação para o Clero, teve a fortuna de participar do grupo de canonistas vaticanos que estudou atentamente a audaz proposta e encontrou as possíveis soluções canônicas, as quais possibilitaram ao querido e sempre venerado Santo Padre João Paulo II atender aos anseios do fundador dos Arautos do Evangelho, que via, no ministério conferido a seus filhos, a possibilidade de irradiar em todo o mundo o carisma de anunciadores do Evangelho que ele desejava infundir na família que, inspirado por Deus, havia fundado.
“Digitus Dei hic est”.
Foi o início de uma série ininterrupta, ao longo dos anos, de ordenações diaconais e sacerdotais, com as quais a Providência Divina enriquecia a família dos Arautos do Evangelho, possibilitando uma fervorosa e autêntica nova evangelização, não somente no Brasil, mas também em muitos países do mundo.
Fidelidade ao que a Igreja propunha como ideal para a formação sacerdotal, extremo cuidado com a formação intelectual e teológica de seus seminaristas, sólida vivência espiritual e vivo empenho apostólico dos futuros diáconos e presbíteros foram, durante os anos seguintes, o empenho da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli, oferecendo à Igreja levas sucessivas de diáconos e presbíteros segundo o Coração de Cristo.
“Digitus Dei hic est”.
Por misteriosa graça divina, o então sacerdote redentorista, que assessorou São João Paulo II para a ordenação dos primeiros Arautos, hoje, ancião provecto e arcebispo militar emérito, tem a alegria e a honra de ordenar diáconos transitórios, em vista da ordenação presbiteral, a esses 31 Arautos do Evangelho, após um longo período de provas e sofrimentos que tiveram como resultado o sólido amadurecimento de sua vocação e a certeza de sua fidelidade a toda prova a Cristo e à sua santa Igreja.
2. A liturgia da Palavra deste dia nos fala da Ressurreição do Senhor e da reação de seus discípulos, que vai da incredulidade inicial à profissão de fé, autêntica e destemida.
O Evangelho nos relata a série de aparições do Ressuscitado: a Maria Madalena, a primeira testemunha, que inicialmente o confundiu com o jardineiro, mas que depois abriu seu coração com um expressivo “Rabbuni!”, Mestre; aos dois discípulos a caminho de Emaús, que só o reconheceram na fração do pão; e, por fim, aos onze discípulos, repreendidos por sua falta de fé: “repreendeu-os por causa da falta de fé” (Mc 16, 14). Mas a todos eles o Senhor glorioso deixou um mandato: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). A todos transformou em pregadores e arautos do Evangelho!
A missão, porém, não é fácil. A leitura do livro dos Atos nos apresenta a saga dos primeiros cristãos: Pedro e João foram perseguidos pelos chefes dos sacerdotes e anciãos, por causa da cura do cego e do anúncio do nome de Jesus. Quiseram proibi-los de pregar o Evangelho, ameaçando-os severamente. Mas a resposta de Pedro é firme: “Julgai vós mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! Quanto a nós, não podemos calar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4, 19-20). Anunciar a Cristo é missão divina.
3. Permitam-me agora dirigir-me aos que vão ser ordenados diáconos.
Queridos filhos. Estejam atentos à exortação do Apóstolo Paulo na segunda leitura: “Por misericórdia fomos revestidos de tal ministério”, portanto, não percam a coragem (cf. 2Cor 4, 1). Recebendo o ministério do serviço, da diaconia de Cristo Servo, os senhores devem identificar-se com Ele, que não veio para ser servido, mas para servir. Ajam como Paulo: “Não proclamamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, Senhor. Quanto a nós mesmos, apresentamo-nos como vossos servos por causa de Jesus” (2Cor 4, 5).
Servos do ministério da Palavra, anunciando o Evangelho de Jesus a toda criatura. Servos do ministério da caridade, sendo o coração do Bom Pastor junto aos mais desvalidos e abandonados. Servos do culto a Deus, prestando sua ajuda valiosa aos sacerdotes, na celebração da Sagrada Eucaristia e na confecção dos demais Sacramentos.
O diaconado que os senhores receberão será temporário e constituirá a sua última preparação para o sacerdócio católico, na ordem do presbiterado, que um dia receberão. Mas seja esse período vivido intensamente, sem concessões. Só é capaz de pastorear em nome de Cristo quem aprendeu com Ele a servir incondicionalmente os seus irmãos, na humildade do dom de si.
Tenham como máxima de vida a célebre estrofe de Santa Teresinha do Menino Jesus em uma de suas poesias: “Amar é tudo: doar-se, doar-se a si mesmo” (Obras completas, P 54, 22; Paulus 2016, p. 642).
4. Passemos ao eloquente rito da ordenação diaconal, onde símbolos e palavras, gestos e orações falam da misericórdia divina, que escolhe homens fracos e pecadores, limitados em suas capacidades humanas, para fortalecê-los com o Espírito de Cristo e assinalá-los com o selo do Espírito Santo, tornando-os capazes de agir em nome e na pessoa do Cristo Servo e Bom Pastor.
“Digitus Dei hic est”. Amém!









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