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Ângelus: “que a Igreja seja para todos uma escola de humildade”

O Santo Padre convida-nos à humildade, sinal da liberdade máxima, e exorta a Igreja a ser “uma casa onde as pessoas são sempre bem-vindas, onde os lugares não são para ser conquistados”.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (31/08/2025 10:46, Gaudium Press) Em sua catequese que antecedeu a recitação do Ângelus no domingo, 31 de agosto, o Papa Leão XIV meditou sobre o Evangelho do dia, segundo São Lucas, no qual Jesus é convidado a comer na casa dos fariseus e observa que há uma competição para ocupar “os primeiros lugares”.

O Papa Leão XIV lembrou às centenas de fiéis reunidos na Praça de São Pedro a importância de se reunirem em torno da mesma mesa nos dias de descanso e de festa; “é um sinal de paz e comunhão, em todas as culturas”.

No Evangelho de hoje, segundo São Lucas (Lc 14,1.7-14), Jesus é convidado para almoçar por um dos chefes dos fariseus. ” Receber convidados amplia o espaço do coração e ser convidado requer a humildade de entrar no mundo do outro, “, enfatizou o Papa, afirmando que “uma cultura do encontro se alimenta desses gestos que aproximam”.

No entanto, o Sumo Pontífice reconhece que nem sempre é fácil “encontrar-se”. Ele lembra que, segundo São Lucas, “os convidados ‘observavam’ Jesus, que era geralmente visto com certa desconfiança pelos intérpretes mais rigorosos da tradição”. Apesar disso, Jesus consegue aproximar-se e tornar-se um verdadeiro hóspede, “com respeito e autenticidade”, e renuncia às boas maneiras “que são meras formalidades para evitar o envolvimento mútuo”. Observando que há uma “competição” entre os convidados para ocupar “os primeiros lugares”, Jesus descreve o que vê por meio de uma parábola, a fim de convidar aqueles que o observavam à reflexão. “Isso ainda acontece hoje, não na família, mas nas ocasiões em que é importante ‘ser notado; então, o estar juntos transforma-se em uma competição”, lamenta Leão XIV.

Com a sua Palavra, Jesus chama à liberdade

“Sentarmo-nos juntos à mesa eucarística no dia do Senhor significa também deixar Jesus falar”, continua o Papa, convidando os fiéis a se verem através do seu olhar, a fim de “repensar a maneira como muitas vezes reduzimos a vida a uma competição, a maneira como nos degradamos para obter um certo reconhecimento, a maneira como nos comparamos inutilmente aos outros”. Cristo convida a “parar para refletir”, a “deixar-se abalar por uma Palavra que questiona as prioridades que ocupam o nosso coração” e oferece, assim, a cada um uma experiência de liberdade.

A humildade, forma plena de liberdade

O Sucessor de Pedro prossegue sua catequese destacando o uso da palavra “humildade” no Evangelho para descrever “a forma plena da liberdade” (cf. Lc 14, 11). Essa humildade, assegura Leão XIV, “nasce quando o Reino de Deus e a sua justiça despertam verdadeiramente o nosso interesse e nos permitem olhar para longe: não para as pontas dos nossos pés, mas para longe!  Quem se exalta, em geral, parece não ter encontrado nada mais interessante do que si mesmo e, no fundo, é muito inseguro. Aqueles que compreenderam que são preciosos aos olhos de Deus, aqueles que sentem profundamente que são filhos ou filhas de Deus, possuem coisas maiores das quais se podem gloriar e uma dignidade que brilha por si mesma. Esta passa para o primeiro plano, ocupa o primeiro lugar sem esforço e sem estratégias, quando, em vez de se servirem das situações, aprendem a servir”.

O Sumo Pontífice concluiu exortando os fiéis a pedir “hoje que a Igreja seja para todos um lugar de aprendizagem da humildade, essa casa onde todos são sempre bem-vindos, onde os lugares não precisam ser conquistados, onde Jesus ainda pode falar e nos educar em sua humildade, em sua liberdade”.

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