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Ângelus: olhar para Quaresma como um itinerário luminoso para renovação interior

Ao meditar sobre o Evangelho das tentações de Jesus no deserto, o Santo Padre recordou que a Quaresma é um tempo de penitência, luta espiritual e renovação interior.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (22/02/2026 11:04, Gaudium Press) Ao comentar a passagem do Evangelho, deste 1º Domingo da Quaresma, sobre as tentações de Jesus no deserto, o Papa Leão XIV destacou que, após jejuar por quarenta dias, Cristo “sente o peso de sua humanidade”, tanto no aspecto físico, a fome, quanto no espiritual, as tentações do diabo. Jesus experimenta “o mesmo cansaço que todos nós vivenciamos no nosso caminho”. No entanto, ao resistir firmemente, Ele nos mostra como vencer os enganos e insídias do maligno.

Essa proximidade de Cristo com nossa condição humana ilumina o verdadeiro sentido da Quaresma: um tempo em que o fiel nunca enfrenta suas provações sozinho, mas é acompanhado por Aquele que já derrotou o mal de forma definitiva.

Quaresma: um caminho de renovação da vida

O Papa descreveu a Quaresma como um itinerário luminoso que nos permite “renovar nossa cooperação com o Senhor na realização da obra-prima única que é a nossa vida”. Por meio da oração, do jejum e da esmola, permitimos que Deus remova as manchas e cure as feridas que o pecado pode ter causado nela, e nos comprometemos a fazer a nossa vida florescer em toda a sua beleza até à plenitude do amor, única fonte da verdadeira felicidade.

Leão XIV reconheceu que esse percurso é exigente e pode trazer o risco do desânimo ou da busca por falsas seguranças. Referindo-se às tentações enfrentadas por Jesus, alertou contra “formas de gratificação menos árduas, como a riqueza, a fama e o poder”. Essas seduções, advertiu, são apenas “míseros substitutos da alegria para a qual fomos criados e, no final, deixam-nos inevitável e eternamente insatisfeitos, inquietos e vazios”.

Em contraste, a penitência cristã nos torna conscientes das nossas limitações, dá-nos a força para as superar e, com a ajuda de Deus, viver uma comunhão cada vez mais intensa com Ele e entre nós. Citando São Paulo VI, o Papa lembrou que a penitência “longe de empobrecer nossa humanidade, a enriquece, purificando-a e fortalecendo-a no seu movimento em direção a um horizonte que tem como finalidade o amor e o abandono no Senhor”.

Uma Quaresma concreta

Em um apelo prático e direto, o Santo Padre exortou os fiéis a praticarem generosamente a penitência por meio da oração e das obras de misericórdia. Ele convidou especialmente a “abrir espaço para o silêncio”, desligando ao menos um pouco as televisões, rádios e smartphones, para favorecer a meditação na Palavra de Deus, a participação nos Sacramentos e a escuta atenta à voz do Espírito Santo.

O Papa também destacou a importância da escuta mútua nas famílias, nos locais de trabalho e nas comunidades. Pediu atenção especial aos que vivem sozinhos — em particular os idosos, os pobres e os doentes — e à partilha concreta com quem carece do necessário, renunciando ao supérfluo.

Citando Santo Agostinho, Leão XIV recordou que “a oração, feita com humildade e caridade, com jejum e esmola, com temperança e perdão, distribuindo coisas boas e não retribuindo na mesma moeda as más, afastando-nos do mal e fazendo o bem” (cf. Sermão 206, 3), alcançará o Céu e nos dará paz.

Ao concluir, o Papa confiou o “nosso caminho quaresmal à Virgem Maria, a Mãe que sempre assiste seus filhos nos momentos de provação”.

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