Ângelus: aqueles que vivem as Bem-aventuranças são como “o sal da terra” e “a luz do mundo”
Leão XIV comentou a passagem do Evangelho de São Mateus em que Jesus descreve aqueles que vivem as Bem-aventuranças como “o sal da terra” e “a luz do mundo” (5,13-14). “Jesus diz que, graças a eles, a terra já não é a mesma e o mundo já não está nas trevas. De fato, é a verdadeira alegria que dá sabor à vida e traz à luz o que antes estava oculto.
Foto: Vatican news/ Vatican Media
Redação (08/02/2026 11:32, Gaudium Press) Em sua exortação que antecedeu a oração mariana do Ângelus, deste domingo, 8 de fevereiro, Leão XIV convidou os fiéis a reacenderem a alegria por meio de “gestos concretos de abertura e atenção aos outros”.
Após proclamar as Bem-aventuranças, Jesus se dirige àqueles que as vivenciam, dizendo que, graças a eles, a terra não é mais a mesma e o mundo não está mais em trevas. “Vós sois o sal da terra. […] Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14).
Partindo dessa metáfora, que se concentra em duas imagens poderosas — o sal e a luz — Leão XIV indicou inicialmente que “é a verdadeira alegria que dá sabor à vida e revela o que antes não existia”. Essa alegria, afirmou ele, “irradia de um estilo de vida, de uma maneira de habitar a terra e de conviver que deve ser desejada e escolhida. É a vida que resplandece em Jesus, o novo sabor de seus gestos e palavras”. E o Papa prosseguiu: “Depois de encontrá-Lo, parece insípido e opaco tudo o que se afasta da sua pobreza de espírito, da sua mansidão e simplicidade de coração, da sua fome e sede de justiça, que despertam misericórdia e paz como dinâmicas de transformação e reconciliação”.
Ser a luz do mundo nos compromete a viver em justiça e verdade. Esta foi uma oportunidade para o Papa recordar os gestos concretos mencionados pelo profeta Isaías que põem fim à injustiça: “partilhar o pão com o faminto, acolher em casa os miseráveis, os sem-abrigo, vestir quem vemos nu, sem esquecer os vizinhos e as pessoas da nossa casa”. O profeta continua: “a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. Por um lado, a luz, aquela que não se pode esconder, pois é tão grande como o sol que, todas as manhãs, dissipa as trevas; por outro, uma ferida que antes ardia e agora está cicatrizando”, observou Leão XIV.
Deus jamais nos descartará
O Santo Padre convidou ainda os fiéis a reacender esta alegria por meio de gestos concretos de abertura e atenção ao próximo, mas sobretudo, a rejeitar qualquer caminho que nos faça perder o nosso sabor. Leão XIV recordou que “o próprio Jesus foi tentado no deserto por outros caminhos: afirmar a sua identidade, ostentá-la, ter o mundo a seus pés”. Contudo, “ele rejeitou os caminhos que o teriam feito perder o seu verdadeiro sabor, o sabor que encontramos todos os domingos no Pão partido: a vida doada, o amor que não faz barulho”.
Continuando a sua exortação, o Papa sublinhou a advertência de Jesus para “não renunciarmos à alegria”, pois, “o sal que perdeu o seu sabor não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisoteado”. Contudo, caso alguma vez nos sintamos descartados, imperfeitos, “Jesus anuncia-nos um Deus que nunca nos descartará, um Pai que guarda o nosso nome, a nossa singularidade. Qualquer ferida, mesmo a mais profunda, será curada ao acolhermos a palavra das Bem-aventuranças e ao voltarmos a caminhar pela via do Evangelho”, assegurou-nos o Papa.
“Deixemo-nos alimentar e iluminar pela comunhão com Jesus. Sem qualquer ostentação, seremos então como uma cidade no alto de um monte, não apenas visível, mas também acolhedora e hospitaleira: a cidade de Deus onde, no fundo, todos desejam habitar e encontrara a paz. Voltemos o nosso olhar e a nossa oração para Maria, Porta do Céu, para que Ela nos ajude a tornarmo-nos e a permanecermos discípulos do seu Filho”, concluiu Leão XIV.





Deixe seu comentário