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África: novos massacres no Congo e Nigéria

A região é habitada majoritariamente por comunidades cristãs, católicas e protestantes, que convivem há anos sob constante pânico devido à repetição desses atos violentos.

Foto: screenshot/ Facebook

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Redação (08/02/2026 11:32, Gaudium Press) Um novo massacre voltou a deixar o leste da República Democrática do Congo em luto. No sábado, 7 de fevereiro, entre 25 e 35 civis foram mortos de forma brutal em um ataque atribuído às Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo armado que atua há anos na região oriental do país e que jurou lealdade ao Estado Islâmico em 2009.

O ataque ocorreu nas proximidades do vilarejo de Gelumbé, perto de Beni-Oicha, na parte mais ao norte da província de Kivu do Norte, bem próximo à fronteira com a província de Ituri. As ADF são as mesmas responsáveis por outros episódios recentes de violência extrema na área, como o massacre em Byambwe, no final de 2025, também no território da diocese de Butembo-Beni, e o atentado no final de julho contra a igreja católica de Komanda, que deixou mais de 40 civis mortos.

Em um relatório publicado na última terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, a coordenação provincial da sociedade civil em Kivu do Norte relatou que pelo menos sessenta e três civis foram mortos desde o início do ano.

Uma violência planejada e contínua

O sacerdote italiano Giovanni Piumatti, missionário Fidei Donum na diocese de Butembo-Beni, descreveu a cena como “uma verdadeira barbárie planejada que continua no silêncio do Ocidente”. Em declarações à imprensa do Vaticano, ele relatou corpos decapitados e cadáveres espalhados pelas estradas. A região é habitada majoritariamente por comunidades cristãs, católicas e protestantes, que convivem há anos sob constante pânico devido à repetição desses atos violentos.

Segundo o sacerdote, esse “horror sem fim” já se transformou em algo rotineiro, ocorrendo praticamente toda semana nos últimos dois ou três anos. Ele destaca o clima de insegurança permanente na área e aponta que muitos moradores suspeitam de cumplicidade ou ineficácia das Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC), já que o problema persiste apesar da presença de tropas ugandenses na fronteira.

Contexto de instabilidade e interesses econômicos

A violência em Beni faz parte de um quadro mais amplo de instabilidade que afeta toda a região dos Kivus. Áreas como Goma e Bukavu, ricas em minerais estratégicos e terras raras, permanecem sob controle de milícias pró-ruandesas do M-23 há mais de um ano. O Pe. Piumatti denuncia que “a guerra em Kivu já causou 10 milhões de mortes ao longo dos anos, em meio ao silêncio cúmplice do Ocidente”.

Para ele, o objetivo claro é manter o caos na região, motivado por interesses na posse de terras férteis, recursos minerais valiosos e, possivelmente, disputas tribais. Enquanto isso, a população civil continua pagando o preço mais alto, vivendo em terror constante diante da falta de proteção efetiva.

Violência na Nigéria

“É com dor e preocupação que tomei conhecimento dos recentes ataques contra várias comunidades na Nigéria, que causaram graves perdas de vidas humanas”, declarou Leão XIV, neste domingo após o Ângelus, ao se referir a um dos piores massacres dos últimos meses, quando 175 pessoas foram mortas na última terça-feira, no estado de Kwara, Nigéria.

Pelo menos 51 pessoas foram sequestradas e seis foram mortas nos últimos três dias, em ataques realizados contra quatro vilarejos diferentes no estado de Kaduna, no norte da Nigéria.

De acordo com fontes dos serviços de segurança nigerianos citadas pela agência de notícias AFP, os episódios ocorreram na parte sul do estado — uma região de maioria cristã. Essa mesma área já havia sido alvo de um grande sequestro em massa no mês de janeiro, quando mais de 180 indivíduos foram levados e só foram libertados nos últimos dias.

Esses novos ataques fazem parte de um padrão preocupante de violência na região, marcado por sequestros em larga escala e assassinatos, frequentemente atribuídos a grupos armados e bandidos que atuam na zona rural nigeriana. A violência atinge comunidades locais de forma indiscriminada, agravando a sensação de insegurança em uma das regiões mais afetadas por esse tipo de crime no país.

Ataque à comunidade católica de Karku

Homens armados sequestraram 11 pessoas, incluindo um sacerdote, e mataram outras três durante um ataque na área do governo local de Kauru, no estado de Kaduna, na Nigéria.

A Arquidiocese Católica de Kafanchan confirmou o sequestro do Padre Nathaniel Asuwaye, pároco da Igreja da Santíssima Trindade (Holy Trinity Catholic Church), na comunidade de Karku. De acordo com um comunicado oficial da arquidiocese, o ataque aconteceu por volta das 3h20 da madrugada de sábado (horário local), na residência do sacerdote.

Testemunhas descreveram a ação como uma invasão brutal realizada por um grupo de terroristas ou bandidos armados. Além do padre, outras dez pessoas da comunidade foram levadas pelos agressores. Três moradores foram mortos no local: Jacob Dan’azumi, Maitala Kaura e Alhaji Kusari.

Esse episódio se soma à onda de violência que tem atingido o norte da Nigéria, especialmente em regiões de maioria cristã como o sul de Kaduna, onde sequestros em massa e ataques armados se tornaram frequentes. A arquidiocese expressou profunda tristeza e pediu orações pela libertação segura das vítimas e pelo repouso eterno dos falecidos.

Com informações Vatican News

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