A vida pública de Jesus: paradigma de todo apostolado
O início da vida pública de Nosso Senhor reúne dois pontos essenciais para realizar um apostolado eficaz: um desejo ardoroso de fazer bem a todos, unido à vontade de Deus.

Foto: João Paulo Rodrigues
Redação (24/01/2026 17:28, Gaudium Press) O 3º Domingo do Tempo Comum aborda os primeiros episódios vividos por Nosso Senhor Jesus Cristo em sua vida pública: a viagem para Cafarnaum e suas primeiras pregações. Desta pequena narração, podem-se extrair dois princípios indispensáveis para a vida de apostolado.
Zelo por todas as almas
“A terra de Zabulon e de Neftali, […] que jazia nas trevas, viu resplandecer uma grande luz” (Mt 4,15-16).
Em primeiro lugar, Nosso Senhor Jesus Cristo nos dá mostras do seu desejo de fazer bem às almas, pois, até o nascimento do Salvador, todos os povos (incluindo os próprios judeus) viviam imersos em grandes trevas. Trevas da razão, porque ou não conheciam, ou se tinham esquecido do Deus verdadeiro, e trevas da vontade, devido à depravação dos costumes, que foram extintas com a manifestação da luz de Cristo.
Entretanto, a revelação dessa luz se dá de modo diverso ao ocorrido na Epifania. No presépio, os reis magos vêm adorar o Menino-Deus. Agora, porém, o próprio Salvador vai em busca das ovelhas extraviadas, incluindo mesmo os pagãos, representados por essas duas regiões: a terra de Zabulon e a de Neftali, tomadas pelos gentios e por isso chamadas de “Galileia dos pagãos” (Mt 4,15).
Bem antes dos apóstolos, o Divino Mestre já se adiantava na missão de anunciar a salvação aos outros povos, tarefa que os mesmos apóstolos demoraram em assumir, julgando que os gentios não eram dignos de participar do mesmo prêmio dos judeus.
Obediência à inspiração do Espírito Santo
Mas qual foi o motivo que levou o Mestre a deixar Nazaré? A resposta está na frase de Nosso Senhor aos escribas: “Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos” (Mc 2,17). Tal afirmação justifica seu percurso em direção à Galileia. Entretanto, conforme narrado no Evangelho, “Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia” (Mt 4,12). Essa passagem revela a personalidade divina de Nosso Senhor, que é a Sabedoria Eterna, pois poderia parecer que essa atitude teria sido uma fraqueza, uma fuga do domínio de Herodes (o mesmo que tinha matado São João Batista). Porém, Jesus não o fez por medo da morte, mas sim porque ainda não tinha chegado a sua hora[1].
Este é, portanto, o modelo de apóstolo que nos é apresentado na liturgia, porque todos, de alguma forma e em algum momento, devem exercer o papel de apóstolos para com os outros. De que forma? Pelo bom exemplo, afinal, não é à toa que as palavras movem e os exemplos arrastam. E este apostolado devemos fazer sempre, pois todos têm o direito de esperar de nós o bom exemplo em qualquer circunstância.
Além disso, ao longo do dia, em diversas ocasiões, se apresentam possibilidades de fazer bem a uma alma. Quando, por exemplo, a esposa diz uma palavra de ânimo ao esposo, que volta cansado do trabalho; quando o filho ajuda os pais nos afazeres domésticos; quando, num momento de cólera, ao invés de despejar minha indignação, eu trato os outros com delicadeza e respeito. Esses pequenos gestos podem, muitas vezes, realizar uma obra de evangelização muito grande, uma vez que quem distribui a graça é o Espírito Santo, que se vale de qualquer ato nosso como pretexto para agir.
Contudo, o único modo de obter um apostolado frutuoso é fazê-lo como Deus deseja: com despretensão, não por vanglória, sem esperar retribuição, movido pelo único anseio de salvar as almas para glória de Deus.
Por Vinícius Mendes
[1] Cf. CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O inédito sobre os Evangelhos: comentários aos Evangelhos dominicais. Città del Vaticano-São Paulo: LEV-Instituto Lumen Sapientiæ, 2013, v. 2, p. 28-29.





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