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A contribuição da Igreja Católica na conformação da Civilização ocidental

A moral cristã reelaborou os parâmetros comportamentais do império falido e também, à luz do Evangelho, descortinou metas novíssimas, aptas a construir um mundo com vida abundosa para todos.

ujucasp 2025

Redação (21/01/2026 11:42, Gaudium Press) “Conta o Cardeal Gasquet que um catecúmeno perguntou a um padre qual a posição do leigo na Igreja. ‘É dupla’, respondeu o padre, ‘de joelhos diante do altar e sentado diante do púlpito’. Ajunta o cardeal: ‘esqueceu outra, puxando a carteira’” (Os leigos na Igreja. Editora Herder: São Paulo, 1966, p. 1.).

O título deste artigo corresponde também ao nome de um livro que acaba de sair pela editora Noeses, fruto do labor de alguns membros da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp). Difícil negar o contributo da Igreja católica no ocidente. Deveras, a moral cristã reelaborou os parâmetros comportamentais do império falido e também, à luz do Evangelho, descortinou metas novíssimas, aptas a construir um mundo com vida abundosa para todos (Jo 10,10).

Nada obstante, quando se fala de contribuição da Igreja, pensa-se apenas na hierarquia, isto é, nos bispos e padres principalmente. Por este motivo, a convite de meu grande amigo, Dr. Ives Gandra, redigi para o livro supramencionado um capítulo intitulado “A contribuição evangelizadora dos leigos”. Com efeito, os leigos compõem a maior parte dos membros da Igreja de Cristo. Mas faz-se mister conceituar o fiel que integra o laicato. Quem é ele? Ora, “leigo é o membro da Igreja Católica que vive plenamente a secularidade, de modo próprio e peculiar e, em virtude do Sacramento do Batismo, participa dos múnus sacerdotal, profético e régio de Jesus Cristo” (Sampel, Edson Luiz. “Definição teológica e canônica positiva da palavra ‘leigo’”, revista científica Lumen Veritatis, n. 61, p. 437).

       A partir daí, então, elegi dois eminentes leigos, quase contemporâneos entre si, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira e Tristão de Athaíde. Demonstrei como cada um desses egrégios fiéis logrou pôr em prática o Evangelho de Nosso Senhor. O progressismo de um e o conservadorismo de outro não empeceram a mantença do essencial da doutrina católica. Trata-se de dois homens assaz piedosos, os quais envidaram esforços em prol da evangelização da sociedade, não de maneira decorativa, “como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade, e até as raízes das culturas do homem” (Evangelii Nuntiandi, n. 20). Assim procederam Dr. Plinio e Tristão de Athaide, cada qual a seu modo.

       O Concílio Vaticano II, graças a Deus, distanciou-nos sobremaneira daquele tipo de leigo descrito na anedota que enceta este texto, partilhada por Ives Congar, na sua monumental obra sobre os leigos. Hoje em dia, o leigo atua inclusive no exercício do poder na Igreja. O clérigo não é superior ao leigo. Ambos se encontram no mesmo patamar de dignidade espiritual por conta do Sacramento do Batismo. Os dois conspícuos leigos por mim retratados no capítulo do livro em apreço constituem exemplos de fiéis que, em nome da Igreja (como Igreja), efetivamente contribuíram na estruturação da Cristandade, que se derrui paulatinamente e suplica, com urgência, a intervenção nobilitante dos leigos austeros e ortodoxos.

Por Edson Luiz Sampel

Professor do Instituto Superior de Direito Canônico de Londrina.

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