A boa e a má tristeza
O demônio se empenha muito para nos encher da má tristeza e, para nos desanimar e desesperar, começa a perturbar a alma.
Redação (22/02/2026 10:21, Gaudium Press) “A tristeza que é segundo Deus, afirma São Paulo, produz um arrependimento que leva à salvação; ao passo que a tristeza do mundo produz a morte (2Cor 7,10). A tristeza do arrependimento pode, pois, ser boa ou má, conforme os efeitos que produz em nós. Mas, em geral, produz mais efeitos maus que bons, porque os bons são apenas dois: a misericórdia – o pesar pelo mal dos outros – e a penitência – a dor de ter ofendido a Deus –; ao passo que os maus são seis: medo, preguiça, indignação, ciúme, inveja e impaciência. Por isso diz o sábio: ‘A tristeza mata a muitos e nela não há utilidade alguma’ (Eclo 30,25), já que, para dois riachos de águas límpidas que nascem do manancial da tristeza, nascem seis águas poluídas. É por isso que o demônio faz grandes esforços para produzir em nós essa má tristeza, e, a fim de desanimar e desesperar a alma, começa a perturbá-la. Não lhe custa muito sugerir pretextos para isso. Ora, não deveríamos afligir-nos por ter ofendido a Majestade divina, ultrajado a Beleza infinita e ferido o coração de Deus, o mais terno dos pais? Com certeza, responde São Francisco de Sales, devemos entristecer-nos, mas com um verdadeiro arrependimento, não com uma dor aflita, cheia de mágoa e indignação”.
FRANCISCO DE SALES, São. Introdução à vida devota, IV, 12. In: TISSOT, Joseph. Arte de aproveitar as próprias faltas. São Paulo: Cultor de livros, 2022, p. 27.






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