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Bispo norte-americano exorta a uma urgente evangelização da cultura

Lincoln – Estados Unidos (Quarta-feira, 09-11-2016, Gaudium Press) Dom James Conley, Bispo de Lincoln, Estados Unidos, apresentou uma conferência sobre a necessidade de evangelizar a cultura atual em um congresso organizado pela plataforma ‘Catholic Answers’ e ‘Spirit Catholic Radio’, segundo informou Zenit. O prelado alertou que a cultura norte-americana “está chegando a ser definida por uma espécie de gnosticismo utilitário e tecnocrático” e exortou aos fiéis a serem “sinais de contradição”, ainda que isto leve a enfrentar perseguição.

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O prelado destacou o testemunho e a herança dos católicos de tempos anteriores, mas alertou que as condições atuais não permitem que os católicos vivam como uma “Igreja de sustento” na qual se conservam as conquistas dos antepassados. No disso lugar, os fiéis devem assumir sua vocação à santidade e sair adiante a um mundo que necessita do Evangelho, em um momento em que “ninguém mais o fará”. Para levar a cabo esta missão, aconselhou “conhecer nosso território”, pelo qual descreveu o panorama cultural atual.

A cultura se aparta do Evangelho

Dom Conley começou por denunciar que a moralidade dos líderes culturais e políticos foi alterada pela convicção de que “podemos definir a realidade de acordo com as nossas preferências”, assim como alterar “todas as relações humanas de acordo com a nossa vontade”. A isto se soma a crença de que existe um “direito incondicional de uso da tecnologia e a riqueza para superar as limitações de nossa humanidade ou obter o que seja que pensamos que nos fará felizes”.

Esta mudança de pensamento foi potencializada segundo o Bispo pela revolução sexual, na qual “a liberdade significa definir os limites da realidade por nós mesmos, no lugar de encontrar, entender e aceitar a realidade como é”. A contracepção e o aborto alteraram o “significado biológico básico” da sexualidade humana e a técnica se pôs a serviço de satisfazer os desejos por cima das limitações naturais, deixando de lado as considerações morais. As vítimas deste processo são os débeis e os vulneráveis como acontece com as vítimas de eutanásia. O transformar a visão das pessoas como objetos permite também considerá-los como meios ou como obstáculos. “O fruto da revolução sexual é uma cultura que nos diz que nossos avós são um peso”, denunciou o prelado.

Como evangelizar

Para enfrentar esta realidade, Dom Conley propôs três conceitos chave para evangelizar: o primeiro deles é a necessidade de seguir ao Senhor. “Antes de ser americanos, antes de ser missionários, antes de qualquer outra coisa, necessitamos fazer-nos discípulos de Jesus Cristo e portanto amigos verdadeiros de Jesus e de sua Igreja”, aconselhou. O seguimento de Cristo se dá através da Igreja, com uma vida sacramental “na qual a Missa e a Confissão e a vida espiritual da Igreja formem os contornos de nossas mentes e corações”.

O segundo aspecto é que os fiéis devem ser sinal de contradição, abraçando “o que o mundo rejeita: a amizade, a beleza, a bondade, a verdade, a debilidade, o sofrimento, a alegria e a esperança”. No lugar de pensar nesta expressão como um contradizer por contradizer, o Bispo aconselhou interpretá-lo como “dar testemunho de algo mais agradável, algo mais profundo e muito mais significativo que o que nosso mundo oferece”.

Finalmente, Dom Conley advertiu que este testemunho enfrentará a resistência, a oposição e os obstáculos advertidos pelo próprio Cristo. “Enfrentamos ameaças à liberdade religiosa neste país porque nossa voz profética incomoda o pecado”, indicou. “A confiança dos fiéis na verdade do Evangelho é uma afronta aos tiranos. Nosso testemunho de caridade inclusive, quando se contrapõem à ambição e maldade neste mundo, é uma ameaça aos que avançam através da imoralidade e egoísmo”.

O Bispo relatou que esteve em Rouen, França, uma semana antes do martírio do Padre Jacques Hamel. “É fácil acreditar que os cristãos neste país poderiam logo enfrentar a Cruz do martírio. Não somos imunes à perseguição que a Igreja enfrentou durante 2000 anos”, comentou. “Não podemos temer essa perseguição. Vivemos para a eternidade. E sabemos que por causa da Cruz de Cristo, quando a Igreja é perseguida, a graça abunda”.

“Deus nos chamou para uma missão. Nos chamou a sermos os Santos do nosso tempo. Nos chamou a proclamar o Evangelho a um mundo que clama pelo amor e a verdade do Senhor”, concluiu Dom Conley. “Nos chamou a ser alegres, fiéis, sinais sagrados de contradição, sinais da misericórdia de Deus. Somos necessários para os propósitos do Senhor. Que façamos o trabalho do Senhor. Que façamos discípulos nesta nação”. (GPE/EPC)

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