"É importante que haja um dia especial para lembrar os mortos", diz o Bispo de Novo Hamburgo
Novo Hamburgo – Rio Grande do Sul (Terça-Feira, 28/10/2014, Gaudium Press) Dom Zeno Hastenteufel, Bispo da Diocese de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, escreveu um artigo em que ele afirmou que, neste ano, celebramos na liturgia católica a festa de todos os santos, no sábado, e finados, no domingo, voltando ao que era antigamente, celebração de todos os santos e finados nos dois primeiros dias de novembro.
Segundo o Prelado, a celebração de todos os santos é sempre uma solenidade de primeira grandeza, dado que ela nos abre um horizonte de esperança, manifestando claramente que há muito mais santos do que aqueles que são realmente canonizados.
Dom Zeno ainda afirma que o Apocalipse não deixa por menos: “Eu vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém poderia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mãos” (Apoc.7,9), referindo-se aos mártires e a todos aqueles que já foram santificados pelo sangue derramado na cruz de Jesus.
“A celebração de Finados começou no Mosteiro de Cluny, no século XI, quando o Abade Odilon, ordenou um Ofício pelos defuntos para a tarde do dia 1º de novembro, que já era então o dia de Todos os Santos. Esta ideia foi bem acolhida em Roma, e logo se tornou uma prática da Igreja Universal. Escolher um dia para ser aquele em que se deveria rezar pelos falecidos”, explica o Bispo.
Ele também salienta que em pouco tempo o dia 2 de novembro passou a ser chamado “Dia de Finados”, um dia especial para se visitar os cemitérios e para abençoar as sepulturas. O Prelado lembra que em todas as cidades acontecerão muitas celebrações nos cemitérios e, certamente, muita ocasião para se rezar pelos nossos falecidos.
“É importante que haja um dia especial para lembrar os mortos e a nossa futura morte. O cemitério é o lugar apropriado para essas reflexões. No mundo atual, pensa-se muito na vida, nas formas de prolongar a vida e procura-se de todas as formas fazer seguros de vida, porque sabemos que a morte é inevitável.”
Outra questão abordada pelo Bispo é que se evita pensar na morte e poucos conseguem encarar a morte com a suficiente naturalidade, e o Dia de Finados é um dia apropriado para uma reflexão sobre o sentido da vida e a certeza da morte.
Para Dom Zeno, a fé numa outra vida, entre o povo de Israel, já aparece no livro dos Macabeus, que poderia ser lido nestas celebrações, mas neste ano a Igreja preferiu trazer o testemunho de Jó, que lá no Antigo Testamento, já tinha convicções sobre a vida e a morte. Ele afirma: “Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos dos outros” (Jó, 19,27).
Por fim, o Prelado destaca que o Evangelho nos traz a cena da ressurreição de Lázaro que no leva ao grande diálogo da fé: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição do último dia” (Jo 11,21-24). (FB)
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