Após escutar as palavras do Papa, família católica compra um barco e se dedica a salvar náufragos migrantes
Redação (Quarta-feira, 10-09-2014, Gaudium Press) “Neste mundo da globalização temos caído na globalização da indiferença. Temos nos acostumado ao sofrimento do outro, não tem a ver conosco, não nos importa, não nos concerne! (…) A globalização da indiferença nos faz ‘inomináveis’, responsáveis anônimos e sem rosto (…) a globalização da indiferença nos tirou a capacidade de chorar!”, estas palavras do Papa Francisco pronunciadas em julho de 2013 durante a Missa que presidiu na ilha italiana de Lampedusa -que nos últimos anos foi testemunha de inumeráveis naufrágios de imigrantes procedentes da África- tocaram o coração de Regina Catrambone, uma italiana católica, que junto com seu esposo, Christopher -dono de uma empresa em Malta-, decidiram comprar um Barco para salvar aos náufragos migrantes no Mediterrâneo.
Segundo relata ‘Religión em Libertad’, tempos atrás, Regina, durante um cruzeiro pelas costas de Túnez viu como um abrigo flutuava sobre a água. Imediatamente avisou ao capitão que lhe disse: “Pertencia a alguém que provavelmente já não está conosco”, palavras que tocaram o mais profundo de seu coração e que foram “como um soco no estômago”, segundo relatou a italiana.
Pouco depois, o casal Catrambone escutou as palavras pronunciadas pelo Santo Padre em Lampedusa e disseram: “Façamos algo”, e veio a ideia de comprar um barco de busca, com seu próprio equipamento de salvamento e material moderno. De onde nasceu também MOAS, uma associação dedicada a salvar vidas no Mediterrâneo.
“Se podíamos comprar outra casa em Saint-Tropez, podíamos comprar nosso próprio barco. Podíamos ter comprado um bonito iate de luxo com este dinheiro, mas decidimos não fazer isso, porque cremos que a vida das pessoas que morrem no mar é mais importante”, acrescentou Regina.
O barco “Phoenix 1” conta com 40 metros de largura e um grupo de especialistas médicos e técnicos que vão a bordo, além de duas lanchas para uma rápida intervenção. Adicionalmente, possui dois drones, com os quais é possível detectar embarcações em perigo.
Para realizar sua primeira missão salvando vidas, a grande embarcação recebeu a bênção com água de Lourdes e se celebrou a bordo uma Santa Missa com toda a equipe técnica e médica, além da família Catrambone. Uma bênção que já deu resultados em agosto, quando o barco resgatou a 20 migrantes, procedentes da Síria e Palestina, que estavam a ponto de naufragar próximo do sul de Malta.
A família Catrambone também está animando a outras famílias ricas para que, como eles, se envolvam com esta ação humanitária e rompam, como disse o Santo Padre, com a “globalização da indiferença”. “Colaboremos nas missões de busca e resgate assim como qualquer outro barco de pesca ou de mercadorias”, acrescentou Christopher. (GPE/EPC)





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