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O Sagrado Coração de Jesus tem sua casa também na China

Pequim – China (Sexta-feira, 27-06-2014, Gaudium Press) A Fé é uma ponte capaz de unir os seres humanos dos países mais distantes e as mais variadas culturas. É por isso que a imagem do Sagrado Coração de Jesus, entronizada nos lares dos fiéis nos países da Europa e América, pode encontrar-se também entre os fiéis da China. Apesar da forte perseguição de meados do século XX e as atuais restrições à liberdade religiosa, o Coração de Cristo tem seu lar e reina nos corações no gigante asiático.

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A agência informativa Asia News divulgou nesta semana um artigo escrito pelo Padre Wilhelm K. Müller, Svd, sobre a arraigada devoção ao Sagrado Coração, a partir da primeira igreja dedicada em sua honra em 1863 às práticas de Fé de nossos dias. “As expressões externas da devoção ao Sagrado Coração de Jesus são muitas”, comentou o sacerdote. “Nas famílias e nos Santuários está sempre um ícone do Sagrado Coração, encadeado pela coroa de espinhos, rodeado de chamas de amor, salpicado com gotas de sangue e a cruz plantada no centro”. Isto é notório, por exemplo em imagens das improvisadas capelas da comunidade católica “subterrânea” que vive sua Fé de maneira clandestina pela independência de seus sacerdotes e Bispo diante das autoridades.

O Padre Müller afirma que estas imagens recordam aos católicos o amor sofredor de Jesus Cristo que se sacrificou para salvar aos homens. Nesta devoção “segue havendo uma forte proclamação da fundação e o centro da Fé Cristã, um chamado urgente ao apostolado de todos os cristãos, para dar uma resposta de Fé e amor por nossa parte”. Uma Fé que na China participou com particularidade do sofrimento redentor de Cristo: a primeira igreja em honra ao Sagrado Coração, edificada em Zhangzhuangcun em 1863 foi destruída em 1976, no final da “revolução cultural” na qual foi proibido o apostolado da Igreja. O templo só pôde ser reconstruído em 1999. Nesta Diocese, há no dia de hoje 52 igrejas e capelas consagradas ao Sagrado Coração de Jesus, o qual dá testemunho de que a destruição do templo não acabou com a devoção.sagrado_coracao_de_jesus_1.jpg

Segundo o sacerdote, a amplitude desta devoção é herança da comunidade de padres jesuítas, mas nela participam ativamente todas as comunidades religiosas. “Os missionários das ordens clássicas, os franciscanos, os dominicanos e as congregações mais recentes se nutrem da rica espiritualidade do Sagrado Coração, uma espiritualidade que cresceu substancialmente a partir da teologia do Evangelho de comunidades missionárias, entre as quais se conta a Sociedade do Verbo Divino a qual pertence o Padre Müller, se inspiram diretamente nesta devoção para animar sua vocação evangelizadora.

O Sagrado Coração na vida comunitária

“Entre as comunidades católicas na China as práticas da devoção ao Sagrado Coração de Jesus estão muito estendidas”, descreveu o sacerdote. Os fiéis se congregam para rezar nas manhãs convocados pelo som dos sinos, especialmente nas zonas rurais. “É uma oração longa, abundante, generosa, com muitas intenções e invocações. Pelo menos no mês de junho dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, se reza as Ladainhas do Sagrado Coração, seguida por um par de páginas com diferentes orações dirigidas ao Sagrado Coração”, acrescentou. “Depois destas orações, que duram mais ou menos uma hora, se houver um sacerdote se celebra a Santa Missa. Aos poucos, os fiéis seguem com a meditação da Via Sacra”.

Esta vida de piedade comunitária, destacável em comparação com a prática em outros países, era ainda notória anteriormente, mas continua conservando muitas de suas expressões. “No último domingo estava totalmente dedicado a oração em comum e se passava mais tempo na igreja que em casa”, recordou o Padre Müller. “A oração da tarde, novamente em comum, retoma o tema do Sagrado Coração e de novo recitam orações e ladainhas”.

Estas orações recitadas resultam às vezes complexas por terem sido escritas em formas verbais já em desuso e que às vezes resultam praticamente incompreensíveis para os mais jovens ou menos letrados. “No passado, inclusive quando éramos crianças, memorizamos todas as orações. Gostaria de ver se algum de nós seria capaz de recitar orações apenas compreensíveis e por mais de uma hora!”, expressou o sacerdote. “A falta de compreensão literal dos textos não diminui a Fé e o fervor dos fiéis”, esclareceu o missionário, que descreveu esta forma piedosa como uma “oração e abundância de canto fervente do coração, sem estar limitado pelas formas de idioma”.

Uma devoção com linguagem própria

sagrado_coracao_de_jesus_3.jpgO Padre Müller destacou também que os fiéis chineses aceitem a iconografia do Sagrado Coração apesar de que culturalmente os corpos devem sempre manter-se intactos e se compreende menos a veneração de uma parte específica do corpo como se costuma realizar no Ocidente com as relíquias dos Santos. “Com toda probabilidade, não há na arte chinesa uma representação do coração físico”, explicou o sacerdote, “mas temos que destacar que o conceito do ‘coração’ ocupa um lugar muito importante e central no pensamento e no sentimento”.

“Falar do ‘Coração de Jesus’ é falar sobre o lugar mais profundo, mais íntimo, mais real de Deus, origem, condição de vida, finalidade da existência”, expressou o missionário, que sugeriu que uma forma autenticamente chinesa de expressar essa ideia poderia se encontrada não só na pintura ou na escultura, mas na caligrafia: “Por ocasião da canonização de 120 mártires chineses em 2000, se apresentou ao Santo Padre uma caligrafia impressionante: (…) na China foi composto uma caligrafia do ideograma “amor” com 120 símbolos, um pouco diferentes uns dos outros, e em meio um ideograma para ‘amor’ de tamanho aproximado de quatro símbolos. O pictograma “amor” tem em sua raiz ou chave o símbolo do ‘coração’. Os 120 símbolos estão cada um por um mártir, o grande símbolo no centro representa a Jesus. Então são 120 símbolos de um amor cordial para um coração todo inflamado de amor”. Um trabalho desta natureza poderia chegar a explicar a grande riqueza da Fé Católica e “a colaboração alegre de todos os crentes no projeto salvífico do Sagrado Coração de Jesus”. (GPE/EPC)

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