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Cristãos perseguidos do Japão terão museu que celebrará o seu heroísmo

Nagasaki – Japão (Quarta-feira, 21-05-2014, Gaudium Press) A Arquidiocese de Nagasaki (Japão) está planejando criar em janeiro de 2015 um museu em honra dos cristãos japoneses que viveram de forma clandestina sua Fé durante mais de 200 anos, fenômeno conhecido sob o nome de Kakure Kirishitan. O objetivo é recuperar a memória do heroísmo dos católicos locais diante da terrível perseguição dos séculos XVII ao XIX e destacar a importância da livre manifestação e prática da Fé.

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“Muitos católicos morreram durante o bombardeio, e isto criou uma dispersão da memória do Kakure Kirishitan”, explicou Chiyoko Iwanami, promotor da iniciativa, fazendo referência a bomba atômica de 1945, que caiu sobre Nagasaki, uma das cidades com maior população cristã. “Queremos mostrar para as pessoas o quanto é difícil proteger sua Fé se não há liberdade religiosa”, manifestou o empresário de 66 anos que destinará uma parte de um edifício para albergar o museu. A Arquidiocese contribuirá com as peças históricas que serão exibidas.

A inauguração do museu ocorrerá em janeiro de 2015, ano em que se celebram os 150 anos do descobrimento da comunidade cristã clandestina e a recuperação de sua liberdade religiosa. Sua sede estará localizada no distrito de Heiwamachi Nagasaki, relativamente próximo à Catedral de Urakami e ao Museu do Bombardeio.

A arte cristã da perseguição japonesa tem características únicas. Para poder manter oculta a prática da Fé Católica, as imagens de Cristo e da Santíssima Virgem foram disfarçadas sob a aparência de motivos budistas, das mesma forma que as orações, transformadas em cantos tradicionais que preservavam as palavras do latim, o português e o espanhol de forma velada. Alguns dos elementos que poderão ser observados no museu encontram-se atualmente no Museu Nacional de Tóquio e incluem esculturas, medalhas e ícones.

Perseguição e Igreja Clandestina

A comunidade cristã clandestina surgiu após a expulsão dos missionários e a proibição da Fé Católica por parte do shogum Tokugawa em 1603. Qualquer prática cristã era proibida e a desobediência a esta norma era castigada com a morte, motivo pelo qual se produziu o martírio de milhares de fiéis. Os que conseguiram sobreviver decidiram preservar sua Fé de forma oculta e transmiti-la de geração em geração. O Evangelho era relatado oralmente, já que não se conservavam escritos que pudessem delatar os crentes.

O único sacramento com o qual contavam os cristãos era o do Batismo, que era ministrado às crianças, e as práticas de culto local aos ancestrais foram dirigidas a veneração de seus próprios mártires cristãos. Ainda que com as notáveis carências desta situação, uma comunidade de cerca de 30 mil fiéis logrou manter sua Fé Católica, e saiu à luz na segunda metade do século XIX, quando se permitiu aos missionários franceses edificar um templo em Oura.

No dia 17 de março de 1865, o Padre Petitjean se encontrava orando no templo, quando habitantes locais se aproximaram para “saudar a Jesus e Maria”. A surpresa do missionário foi enorme, porque acreditava ser impossível encontrar uma comunidade de fiéis depois de mais de dois séculos e meio sem a presença de sacerdotes. A imensa maioria de crentes se tornou católica após deixar as práticas cristãs que haviam sido misturadas durante a longa ausência dos pastores e a religião católica viveu um notável florescimento. (GPE/EPC)

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