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São José de Anchieta ou ‘Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus’

Redação (Quinta-feira, 03-04-2014, Gaudium Press) – Foi canonizado Beato José de Anchieta! Nascido em Tenerife, Espanha, é brasileiro por adoção. Talvez tenha sido o maior missionário dos primeiros tempos da colonização do Brasil: não teve medo de evangelizar. Ele catequizou uma nação inteira, plantou-a no seio da Igreja Católica; deu-lhe bases para crescer, facilitou a unidade dos “Brasis” e forjou a nacionalidade de seu povo.

São José de Anchieta, varão digno de ser elevado aos altares por causa de suas virtudes e infatigáveis obras de apostolado, atingiu a glória da santidade enfrentando desafios, vencendo as dificuldades com uma vida voltada para os mais necessitados, servindo a todos no exercício pleno da entrega aos irmãos por amor a Deus.

E sua entrega a Deus vinha de longe, desde muito cedo. Quando tinha 16 anos nasceu em sua alma o desejo de servir a Deus inteiramente. Para chegar a seu objetivo, ele julgou que deveria oferecer-se a Deus dando-lhe o que de melhor tinha: consagrar-se à sabedoria eterna e incriada por meio de um voto feito à Santíssima Virgem.
E este voto aproximava e assemelhava-o mais à Santa Mãe de Deus. Consciente do que isto significava e auxiliado pela graça de Deus ofereceu guardar a castidade de corpo e de alma com uma promessa de viver virginalmente todos os dias de sua vida.

E isto ele praticou eximiamente, pois com esta sua resolução queria estar livre de qualquer dificuldade que o afastasse do serviço total a Deus; para que pudesse, de maneira radical, unir-se “ao coro daquelas almas privilegiadas que seguem o Cordeiro por onde seja que ele for”.

Incompreensível seria pensar que a Rainha dos Anjos não aceitasse tal oferecimento com verdadeiro contentamento…

O próprio Anchieta conta que, depois de seu voto, as dúvidas e provações que o assaltavam constantemente em relação à vida religiosa, dissiparam-se de maneira extraordinária sucedendo-se a elas uma era de consolações que marcaram sua vida e que o prepararam para enfrentar provas ainda maiores.

De fato, depois de ter recebido uma exímia formação nas fileiras da Companhia de Jesus, a voz da obediência enviou-o para terras longínquas, desconhecidas. E esta obediência não deixou de ser uma cruz em sua vida. Mas, confiando na graça de Deus, as cruzes se converteriam em luzes. Luzes para si, luzes para os que a ele foram confiados pela Providência Divina.

As graças recebidas com o voto de virgindade mantinham-se intactas e resplandecentes como pedras preciosas na sua alma virginal. Mas chegou a hora quando, mais que nunca, o Padre José de Anchieta devesse cuidar daquelas pedras preciosas:

O demônio, aproveitando-se da triste situação moral em que se encontravam as populações indígenas e do afastamento dos preceitos divinos que era comum entre os colonizadores, faria de tudo, até o impossível, para corromper aquele varão que guardou a inocência como sendo o seu mais valioso tesouro.

Filho devoto de seu Fundador Santo Inácio, o Padre Anchieta, conhecia as artimanhas do demônio, sabia perfeitamente que as tentações contra a pureza não são combatidas como as demais tentações pecaminosas. Pelo contrário, das tentações contra a virtude angélica deve-se fugir, sem demora.

Por isso, desconfiado de suas próprias forças e apoiando-se plenamente na Virgem Imaculada, o Padre Anchieta procurava a solidão das praias onde, inspirado pela graça, escrevia poemas de louvor à Mãe de Deus e dos homens. E em vários trechos deles sobressaia rutilante seu amor à pureza:

TESOURO DO JUSTO

Bem-aventurados aqueles,
cujo peito e aspirações todas vai devorando
o fogo de teu amor!
Bem-aventurado quem
na solidão bendita de uma noite serena
de tanto te amar, em ti medita,
e de tanto meditar mais te ama!
Bem-aventurado quem
se assenta ao limiar de tua virgindade
e vigia de continuo às tuas portas.
Quem no peito amante
revolve as altas glórias de tua conceição ,
que é a porta de ouro de tua vida.
Ele experimentará
o carinho inefável do teu amor
e envolverá num corpo casto uma alma pura. (…)

E outros versos mais, escritos não se sabe com que dificuldades e em meio a quantos trabalhos, mostram a alma do nosso Santo e suas aspirações:

BELO ENCONTRO

Apenas teu semblante
assoma no limiar do lar paterno
todas as cercanias da cidade rescendem
do mais suave aroma.
Senti este perfume, talvez julguei senti-lo:
o certo é que me pus a correr
seguindo o caminho por onde os pés me arrastavam.
Perguntei a mim mesmo: “Alma que fazes?
Vamos, apressa-te, talvez ainda chegues
a contemplar seu semblante virginal.
Saio como centelha em corrida vertiginosa,
quando de repente, ó Virgem,
te avisto ante os degraus sagrados do templo.
Vê-la, foi tombar trespassado
por um dardo de amor!
Como tua beleza me seduziu os olhos!
O amor da encantadora virgindade
explodiu-me no mais íntimo do peito,
em densas labaredas.
Resolvi vestir de aço a cândida pureza,
cercá-la de trincheiras eternamente trancadas
com férreas traves,
e abrasar-me, ó Virgem, recalcando tuas pegadas
no itinerário feliz de tua vida…

Estas eram as castas considerações em que o Pe. José de Anchieta encontrava seu paraíso e consolação. Refugiado no Senhor e com a ajuda de Maria Santíssima nenhuma tentação o abalou, conquistando assim as almas que se encontravam perdidas e abandonadas no pecado para levá-las até Deus.

Maximiliano M. / JSG

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