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Penitenciária Apostólica do Vaticano organiza Curso sobre “Foro Íntimo”

Cidade do Vaticano (Terça-feira, 25-03-2014, Gaudium Press) A Penitenciária Apostólica do Vaticano, localizada no Palácio do Tribunais, na Praça da Chancelaria, organiza desde segunda-feira, 24, até sexta-feira, 28, o Curso sobre “Foro Íntimo”, com a presença de mais de 500 sacerdotes e seminaristas próximos à ordenação, que participam dos dias de aprofundamento sobre o Sacramento da Reconciliação.cardeal-mauro-piacenza.jpg

Organizado há mais de 25 anos, o Curso sobre Foro Íntimo é direcionado aos presbíteros novos ou mesmo recém ordenados e seminaristas próximos da ordenação sacerdotal.

No dia 28, às 12h locais, o Papa Francisco preside o tema intitulado “dom da audiência”, direcionado aos penitenciários ordinários e extraordinários pertencentes às quatro basílicas papais, sendo a audiência estendida aos participantes do curso.

Mais tarde, às 16h30, na Basílica de São Pedro, haverá uma celebração penitencial presidida pelo Santo Padre.

Na ocasião, o Papa ouvirá a confissão de alguns fiéis que estiverem presentes na igreja.

Entrevistado pela Rádio Vaticano, o Penitenciário Mor, Cardeal Dom Mauro Piacenza, afirmou que, na Quaresma, a Igreja não somente anuncia a conversão e o perdão, mas ao mesmo tempo, é sinal de reconciliação com Deus e com os irmãos, sendo sinal de paz eficaz no mundo.

“A celebração do Sacramento da Reconciliação insere-se no contexto de toda a vida eclesial, sobretudo em relação ao mistério pascal celebrado na Eucaristia e – eu diria – fazendo referência ao Batismo vivido, à Confirmação e às exigências do mandamento da caridade, do amor. É sempre uma celebração alegre do amor de Deus que doa a si mesmo, destruindo o nosso pecado quando estamos dispostos a reconhecê-lo com humildade”, explicou.

Segundo Dom Piacenza, a reconciliação plena segundo a lógica do ‘Pai Nosso’, as Bem-aventuranças e o mandamento do amor são “um caminho de purificação dos pecados e também um itinerário para a identificação com Cristo”, pois “este caminho penitencial é hoje, como sempre, de extrema importância, como fundamento para construir uma sociedade que viva a comunhão”.

Para ele, “quando se entra na dinâmica evangélica do perdão, fica fácil compreender a importância de confessar também os pecados leves e as imperfeições”, e assim, passando a existir “uma decisão de progredir na imitação de Cristo, em percorrer a via do Espírito e com o desejo de transformar verdadeiramente a própria vida em expressões da misericórdia divina para com os outros”.

Deste modo, continuou, entramos em sintonia com os sentimentos de Cristo, “que sozinho, expiou pelos nossos pecados”. “Portanto, certo, os pecados graves devem ser confessados; as imperfeições e todo o resto, é bom confessá-los”, esclareceu.

E como deve ser a confissão? Dom Piacenza ressaltou que deve ser da maneira mais clara e simples, “íntegra dos próprios pecados”, pois a “conversão”, como retorno ao projeto do Pai, implica o arrependimento sincero, e portanto, a acusação clara e a disposição em reparar a própria conduta.

Quando perguntado sobre a afirmação do Papa Francisco, que exortou os sacerdotes a serem misericordiosos, o Penitenciário Mor destacou ser importante o confessor saber acolher o penitente. “E a primeira acolhida é anterior e é constituída pela oração e pela penitência que o sacerdote deve fazer por aqueles que se aproximarão da Confissão”.

“É necessário, após, ‘habitar o confessionário’, ou seja, estar ali em horários que vão de encontro aos fiéis e com um coração incandescente de paternidade. A ajuda, durante a confissão, tende ao verdadeiro conhecimento de si mesmo, à luz da Fé, em vista de uma atitude de contrição e de propósito de conversão permanente, íntima, para superar a insuficiente resposta ao infinito amor misericordioso de Deus”, assinalou.

Sobre qual deve ser a formação de um confessor para atender os fiéis, Dom Piacenza instruiu:

“Se pede uma cuidadosa formação para exercitar proficuamente o ministério de confessor. É necessário uma delicada sensibilidade espiritual e pastoral, uma preparação teológica, moral e pedagógica de modo a permitir uma verdadeira compreensão do que é vivido pelo penitente. Portanto, é necessário saber ver onde vive o penitente, a sociedade onde está inserido, o contexto familiar.”

Ainda segundo o cardeal, “o Sacramento da Reconciliação é um grandíssimo dom, um dom também para nós sacerdotes que, mesmo chamados a exercitar este ministério, temos as nossas faltas a serem perdoadas; portanto, somos penitentes e confessores ao mesmo tempo”.

Dom Piacenza acredita que a alegria de perdoar e a alegria de sermos perdoados caminham sempre juntas. “Portanto, nesta sede auguro a todos: confessores e penitentes de poder experimentar esta alegria cristalina. É o meu mais cordial auguro pascal!”. (LMI)

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