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A Igreja subterrânea de Xangai se despede de seu Bispo

Xangai – China (Terça-feira, 25-03-2014, Gaudium Press) Desafiando a proibição estatal, cerca de 5 mil católicos, entre eles 70 sacerdotes das comunidades católicas subterrâneas e aberta, se despediram do Bispo de Xangai, recentemente falecido, chamando-o de “Bispo” em várias oportunidades. Dom Joseph Fan Zhongliang nunca pôde exercer plenamente o seu ministério por disposição governamental e mantêm retido quem seria o seu sucessor, o Bispo coadjutor de Xangai, Dom Thaddeus Ma Daqin.dom_joseph_fan_zhongliang.jpg

A Missa exequial foi presidida pelo Padre Zhu Yude, que também exerce o seu ministério de maneira clandestina por sua obediência à Dom Fan. Os 70 concelebrantes utilizaram paramentos litúrgicos vermelhos, os empregados para celebrar o martírio, em reconhecimento aos 20 anos de prisão e posterior detenção domiciliar do prelado falecido. De acordo com fontes locais, uma estreita vigilância impediu a assistência de Dom Thaddeus Ma Daqin, cuja presença era esperada pelos fiéis e sacerdotes até o último momento.

Na Oração Eucarística, os sacerdotes rezaram por “nosso Bispo Thaddeus”, reconhecendo a autoridade legítima do prelado retido e desafiando novamente as políticas das autoridades, que despojaram Dom Ma Daqin de qualquer sinal externo de sua autoridade episcopal. Por disposição governamental, no funeral foi substituída a palavra “Bispo” pela palavra “Pastor” em todos os impressos alusivos a Dom Fan Zhongliang. No entanto, este título foi pronunciado oralmente durante toda a cerimônia.

A quantidade de fiéis assistentes obrigou a instalação de um telão do lado de fora da funerária onde os católicos acompanhavam a liturgia. Depois da Eucaristia, de umas duas horas de duração, os fiéis passaram um a um para se despedirem de seu Bispo. Na Missa se viveu um clima de extraordinária convivência entre os sacerdotes da comunidade subterrânea (que não reconhecem as disposições estatais sobre a Igreja e devem exercer na clandestinidade) e a comunidade aberta (que deve tolerar graves restrições à liberdade religiosa para manter o seu direito de fazer apostolado). Segundo um dos sacerdotes “subterrâneos”, ambos os setores se reconciliaram e concelebraram a Eucaristia com a esperança de que um dia a Igreja na China possa estar unida.

O corpo do prelado não pôde ser enterrado na Catedral de Xangai, como corresponde a um de seus Bispos, e foi levado para um cemitério na área do Seminário Sheshan, nas proximidades do importante Santuário Mariano. O terreno usado para o enterro foi adquirido para este fim pelos católicos locais. (GPE/EPC)

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