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“O que importa é ficarmos em alerta para que todas as pessoas possam se sentir realizadas naquilo que fazem”, afirma o bispo de Santa Cruz do Sul

Santa Cruz do Sul – Rio Grande do Sul (Sexta-Feira, 21/03/2014, Gaudium Press) Com o título “Tráfico humano e exploração no trabalho”, dom Canísio Klaus, bispo da diocese de Santa Cruz do Sul, no Estado do Rio Grande do Sul, escreveu um artigo em que ele aborda o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que nos alerta sobre as modalidades de tráfico humano presentes na nossa sociedade.

De acordo com o prelado, uma dessas modalidades é o tráfico para exploração no trabalho. Ele explica que na história da humanidade, desde tempos memoráveis, estava presente este tipo de tráfico. “É o que podemos constatar nas guerras de conquistas, quando os povos dominados eram deportados e obrigados a trabalharem para os conquistadores”, avalia.

O bispo cita ainda o exemplo clássico do exílio da Babilônia em 597 a.C., quando os israelitas foram levados cativos pelo rei Nabuconosor e escravizados durante 40 anos. Ele recorda também que longe da sua pátria, e impedido de voltar, o povo “se sentava na beira dos rios da Babilônia, a chorar, com saudades de Sião” (Sl 137).

Ainda segundo dom Canísio, a colonização do Brasil foi feita, em grande parte, também com o trabalho escravo. O prelado salienta que os primeiros a serem escravizados foram os povos indígenas, que foram retirados de suas aldeias através de aliciamentos e sequestros. Conforme ele, depois foi a vez dos negros, traficados do continente africano e vendidos como mercadoria nas fazendas de açúcar, nas minas de ouro e nas charqueadas.

Além disso, dom Canísio ressalta que muitos imigrantes europeus chegaram aqui iludidos pela facilidade de conseguir a sua terra e tiveram que suar sangue para não morrerem de fome. Para ele, hoje, de forma diferente, o tráfico humano para exploração no trabalho continua.

O texto base da CNBB (n. 15) cita a conceituação do Ministério do Trabalho, de que “diversas são as denominações dadas ao fenômeno de exploração ilícita e precária do trabalho, ora chamado de trabalho forçado, trabalho escravo, exploração do trabalho, semiescravidão, trabalho degradante, entre outros, que são usados para tratar da mesma realidade jurídica. Malgrado as diversas denominações, qualquer trabalho que não reúna as mínimas condições para garantir os direitos do trabalhador, ou seja, cerceie sua liberdade, avilte a sua dignidade, sujeite-o a condições degradantes, inclusive em relação ao meio ambiente de trabalho, há que ser considerado trabalho em condição análoga à de escravo”.

Por fim, o bispo afirma que reconhecemos a dificuldade em discernir trabalho escravo de trabalho livre, mas o que importa é ficarmos alerta para que todas as pessoas possam se sentir realizadas naquilo que fazem. Conforme diz a CNBB (n. 212) “o trabalho é um direito fundamental e é um bem: um bem útil, digno dele porque apto a exprimir e aumentar a dignidade humana. O trabalho digno é um dos principais requisitos para a proteção da pessoa de situações desumanas, como a escravidão laboral e outras modalidades do tráfico humano”.

Ele pede ainda que aproveitemos a oportunidade que a Campanha da Fraternidade nos oferece para discernir as situações de trabalho escravo existentes em nossas comunidades e criemos coragem para denunciar estas situações aos órgãos competentes. “Fiquemos de olho aberto para não virar escravo e para que nossos semelhantes não sejam explorados em seu trabalho. Que São José, protetor da vida, cuja festa celebramos nesta semana, nos inspire e ajude”, conclui. (FB)

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