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“Somos pecadores e todos chamados à conversão”, diz Dom Orani à Gaudium Press

Rio de Janeiro (Sexta-feira, 21-03-2014, Gaudium Press) “O tempo da Quaresma é tempo privilegiado na vida da Igreja! É o chamado tempo forte, de conversão e de mudança de vida”, disse o Cardeal Dom Orani João Tempesta, em entrevista exclusiva para a Gaudium Press, destacando a representatividade do tempo quaresmal na vida dos fiéis católicos e da Igreja.

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Dom Orani recebe cinzas durante celebração na Catedral do Rio
de Janeiro | Foto: Arquidiocese do Rio de Janeiro

Tratando deste período litúrgico de reflexão, oração e preparação antes da celebração pascal e ressurreição e vitória do Nosso Senhor Jesus Cristo, Dom Orani nos contou que o tempo da Quaresma é caracterizado por uma palavra-chave: “metanoia”, originária do grego antigo, que, traduzida ao contexto atual do assunto, significa mudança, conversão.

Segundo ele, “somos pecadores e todos chamados à conversão: ‘Convertei-vos e crede no Evangelho’, pois o tempo passa rápido e sabemos que ‘somos pó e a Ele voltaremos’ um dia”.

Como viver esse período da melhor forma? O Arcebispo do Rio de Janeiro respondeu que, nesse tempo, é necessário a prática dos grandes exercícios quaresmais: “a prática da caridade e as obras de misericórdia. O jejum, a esmola e a oração”, que são exercícios bíblicos recomendáveis nos dias de hoje.

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O Cardeal afirmou que são necessárias
as da caridade e as obras de misericórdia:
o jejum, a esmola e a oração | Foto:
Arquidiocese do Rio de Janeiro

“Além de manifestações de penitência, que nos aproximam do Senhor e dão à alma uma alegria especial, a Igreja pede-nos também que pratiquemos a esmola que, oferecida com um coração misericordioso, deseja levar um pouco de consolo aos que passam por privações ou contribuir conforme as possibilidades de cada um para uma obra apostólica em bem das almas”, completou.

Quando perguntado sobre os projetos a serem feitos pela Arquidiocese neste período quaresmal, Dom Orani reforçou a prática do jejum, que “vai de encontro com a caridade, ou seja, o ato de ajudar o próximo”.

Neste sentido, relatou, “para valorizar o espírito do amor ao próximo e da ação social, quis dedicar na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o ano de 2014 como Ano da Caridade”, que se entende de 20 de janeiro até o dia 23 de novembro.

“Não deixa de ser interessante perguntar o que vai ser feito no Ano Arquidiocesano da Caridade, pois a reposta não poderia ser mais simples: vamos incentivar a caridade e motivar os outros a seguirem o mesmo caminho. Isso vale para cada pessoa, grupo e instituição. O importante é perceber: ninguém está isento de colocar em prática o mandamento do Senhor Jesus naquela parte que se refere a amar ao próximo”, ressaltou.

Neste período, prosseguiu o Cardeal, também são realizados círculos bíblicos com a temática da Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema “Fraternidade e Tráfico Humano”, bem como apresentações, meditações da Via Sacra e mutirões de confissão.

Um dos assuntos comentados anteriormente pela redação da Gaudium Press – retiros espirituais – também foi mencionado pelo purpurado: “são ótimas oportunidades para aprofundar a vida de oração, de formação, de serviço ao irmão, de evangelização.”

O primeiro ano de pontificado do Papa Francisco

A Gaudium Press aproveitou a ocasião para conhecer o que Dom Orani pensa sobre o primeiro ano do Papa Francisco à frente da Igreja Católica. Ele comentou que o Santo Padre vem mostrando “uma Igreja próxima do povo, com uma capacidade de inovação”.

As mudanças praticadas pelo Pontífice, segundo o Cardeal, são visíveis em suas homilias, no diálogo com a sociedade, chamando-a para uma vida justa e de preocupação com a fome no mundo, com os refugiados e com a paz.

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Momento em que Dom Orani é criado Cardeal pelo Papa
Francisco | Foto: Arquidiocese do Rio de Janeiro

“Ele não é apenas uma liderança da Igreja, mas uma liderança mundial. Ele chama todos para um tempo diferente. O Papa segue a tradição da Igreja, mas traz sua contribuição. Por ser latino, por ter trabalhado na 5ª Conferência de Aparecida, por ter uma preocupação com os pobres, traz, a seu modo, uma contribuição para a Igreja. Na sua maneira de ser em público e em particular, é sempre atencioso, acolhedor, tem humildade de ouvir, perguntar, se interessa pelo que está ao seu redor. Muitas vezes, isso nos espanta, mas ele atende a todos”, acrescentou.

“Uma Igreja pós-JMJ, pós-eleição de Papa Francisco”

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“Uma Igreja pós-JMJ, pós-eleição
de Papa Francisco”

Segundo Dom Orani, “estes dois fatores revigoraram o ânimo, anunciaram a Fé aos que não conheciam Jesus. Vejo um novo tempo, impulsionado pelo Espírito Santo”.

Além disso, o Cardeal destacou a atuação do Instituto da Juventude (iJuventude), considerado um dos maiores legados deixados pela Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e idealizado pelo próprio Arcebispo do Rio, em comunhão com os bispos e sacerdotes envolvidos no evento da juventude, no intuito de promover a recuperação e inclusão do jovem na sociedade, através da evangelização, oferecendo assistência e ensinando valores e princípios éticos.

“Vamos inserir os jovens em projetos sociais por meio da evangelização. O diálogo constante com o Setor Juventude da Arquidiocese do Rio, grupo que reúne mais de 40 expressões, entre pastorais, novas comunidades e grupos, irá auxiliar o iJuventude a detectar as principais carências da juventude de nossa cidade, seja cultural, educacional ou social”, confirmou.

“Somos chamados a sempre buscar uma vida de conversão”

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“O apelo de Cristo visa à nossa mudança
interior, à transformação de nossas
vidas”, Dom Orani | Foto: Foto:
Arquidiocese do Rio de Janeiro

A pedido de nossa redação, o Cardeal Dom Orani deixou uma mensagem especial para os fiéis que estão praticando o tempo quaresmal.

“Somos chamados a sempre buscar uma vida de conversão, e, para isso, ao acolher a graça de Deus ter também práticas de ascese que nos ajudem nessa caminhada. O apelo de Cristo visa à nossa mudança interior, à transformação de nossas vidas, à conversão do coração e à penitência interior, reorientando nossa vida para Deus e rompendo com o pecado. É a busca de acolher o coração novo! Para isso, as atitudes de reconciliação, cuidado dos necessitados, confissão de nossas faltas, revisão de vida e outras atitudes nos ajudam, assim como algumas atitudes que fazem o nosso corpo também participar dessa renovação espiritual.”

Por Leandro Massoni Ilhéu

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